Escolas brasileiras ampliam debates sobre o impacto das telas na saúde mental dos estudantes

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes tornou-se mais presente nas instituições de ensino do país. Uma proporção expressiva de escolas públicas e privadas, representando oito em cada dez unidades de ensino fundamental e médio, discutiu o tema recentemente, registrando um crescimento de 18 pontos percentuais em comparação ao período anterior, quando o índice era de 62%.

Esses dados fazem parte da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento envolveu entrevistas por telefone com gestores de escolas urbanas e rurais em todo o território nacional.

De acordo com o estudo, as discussões sobre os efeitos das ferramentas digitais no desenvolvimento dos alunos e a promoção de uma adoção crítica desses recursos ganharam força. O envolvimento da comunidade escolar também aumentou: houve alta nos encontros entre gestores e responsáveis para tratar do uso de tecnologias no ambiente escolar, assim como em conversas direcionadas a professores e demais profissionais da educação.

Outros tópicos que passaram a ocupar espaço central nas reuniões institucionais envolvem o uso seguro e responsável das tecnologias digitais e a inclusão da educação midiática de forma transversal nos currículos pedagógicos.

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Obstáculos para a implementação

Embora a maioria das instituições de ensino desenvolva iniciativas voltadas aos estudantes nessa área, a distribuição dessas ações é desigual. A presença de atividades é mais frequente em escolas localizadas em áreas urbanas e naquelas que disponibilizam computadores e conexão à internet para uso pedagógico dos alunos.

Entre os principais desafios apontados pelos gestores que realizam ações educativas estão a baixa participação das famílias e dos responsáveis, além da carência de materiais e recursos didáticos de apoio. Já nas instituições que não promovem esse tipo de atividade, a escassez de recursos de suporte, combinada com a restrição na qualidade dos equipamentos e da conexão com a rede, figura como a principal barreira.

Especialistas na área destacam a importância de observar as desigualdades estruturais que afetam a equidade na oferta da educação digital, conforme diretrizes estabelecidas em normativas educacionais. A integração contínua entre as instituições de ensino e os núcleos familiares é apontada como um fator essencial para a disseminação de boas práticas no ambiente virtual.

Para auxiliar os responsáveis, muitas escolas têm adotado medidas de orientação, oferecendo palestras com especialistas em bem-estar e disponibilizando guias informativos sobre hábitos saudáveis de consumo digital. Em contrapartida, parte expressiva dos responsáveis também busca ativamente a direção escolar em busca de suporte para mediar o acesso de crianças e adolescentes às telas.

A articulação entre diferentes setores da sociedade — incluindo escolas, famílias e o Estado — é considerada fundamental para a construção de um ambiente digital seguro, exigindo o aprimoramento de políticas públicas e a definição de diretrizes claras para a atuação das plataformas tecnológicas.

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Regras para o uso de celulares

O levantamento também mapeou as diretrizes adotadas pelas escolas em relação ao porte de telefones celulares pessoais. Mais da metade dos gestores afirma que os estudantes não têm permissão para trazer os dispositivos para o ambiente escolar, sendo essa restrição mais rigorosa nas séries iniciais do ensino fundamental do que no ensino médio.

Nas unidades que permitem a entrada dos aparelhos, existem diferentes normas de armazenamento. Enquanto algumas exigem que os telefones permaneçam guardados em mochilas ou estojos de uso individual, outras disponibilizam compartimentos específicos, como caixas ou armários coletivos.

Entre as escolas que autorizam a circulação dos aparelhos, uma parcela considerável permite sua utilização em atividades pedagógicas direcionadas, índice que tende a subir em regiões que enfrentam maiores desafios estruturais de conectividade.

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Utilização de Inteligência Artificial

Pela primeira vez, a pesquisa investigou a adoção de sistemas de inteligência artificial (IA) generativa por parte dos gestores escolares. Os resultados indicam que mais da metade dos profissionais já recorre a essas ferramentas para apoiar tarefas de gestão administrativa, financeira ou pedagógica.

Entre as finalidades mais comuns para o uso dessas tecnologias pelos administradores estão a criação de conteúdos visuais e de comunicação institucional, a elaboração de comunicados e o suporte na tradução e resumo de textos. No entanto, uma parcela menor das instituições conta com diretrizes formais ou guias de orientação para o uso ético desses recursos no processo de ensino e aprendizagem.

O uso de ferramentas de IA pelos próprios alunos em tarefas escolares também é autorizado em uma fração das escolas, com maior incidência nas redes estaduais e nas turmas de ensino médio.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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