A quantidade insuficiente de analistas de tecnologia da informação está gerando estresse dentro do Ministério da Gestão e Inovação. Documentos recebidos pelo portal Convergência Digital indicam que a Secretaria de Governo Digital está preocupada com a falta de servidores, o que já afeta diretamente a operação dos organismos públicos.
A Secretaria menciona que existem unidades com equipes reduzidas encarregadas de uma grande quantidade de contratos, sistemas e projetos. Essa situação tem causado uma sobrecarga nas equipes, dificultando a gestão e a supervisão adequadas das atividades. Além disso, projetos estratégicos estão sendo adiados ou nem sequer iniciados devido à escassez de pessoal, o que gera riscos nas funções que não podem ser delegadas, como o planejamento, a governança e a segurança da informação.
No documento da SGD, é destacado que, apesar de 1.151 candidatos terem sido aprovados no Exame Nacional de Concurso, a absorção desses profissionais foi limitada. Para preencher as 300 vagas iniciais, o governo teve que realizar várias convocações, resultando na ativação de apenas 171 servidores. Com mais 418 novas convocações e uma série de chamadas subsequentes, cerca de 250 candidatos estão atualmente em formação, mas a lista de aprovados está se esgotando.
O ofício alerta que, baseado no desempenho da primeira turma de convocados, é previsto que o número total de servidores efetivos — considerando tanto os já exercendo funções quanto aqueles que estão em formação — não chegue a 420, quando há 600 vagas disponíveis. É importante ressaltar que a carreira de Analista em Tecnologia da Informação (ATI) foi a única dentre as do Concurso de Profissionais de Nível Universitário (CPNU) cuja seleção não pôde ser prorrogada devido ao esgotamento da lista, o que destaca as dificuldades em atrair novos candidatos.
Em resposta a essas questões, a Secretaria de Gestão e Pessoas reconhece a importância das análises feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em relação à estrutura de pessoal de TI no setor público federal. Contudo, argumenta que as iniciativas para melhorar a carreira de Analista em Tecnologia da Informação têm sido implementadas continuamente, levando em conta os limites legais e orçamentários existentes.
Além disso, a secretaria afirma que vêm sendo realizadas ações destinadas a aprimorar os processos de seleção e contratação de pessoal no âmbito do Poder Executivo, visando aumentar a capacidade de reposição dos quadros estratégicos, incluindo a área de TI, sem comprometer as competências dos órgãos no que diz respeito à gestão e à alocação de profissionais.
A Secretaria de Gestão e Pessoas menciona que o terceiro ciclo de monitoramento do TCU indicou que a maior parte das determinações e recomendações foi atendida de forma integral ou parcial, restando somente algumas pendências que ainda estão sendo tratadas. O ofício ressalta que o próprio TCU sugere o encerramento desse ciclo de monitoramento, já que não existem indícios de assuntos significativos que necessitem de nova verificação. Entretanto, critica-se que o TCU focou apenas na carreira e não no andamento do governo digital como um todo.
O ofício conclui afirmando que as diretorias responsáveis, como a Diretoria de Carreiras e Desenvolvimento de Pessoas (Decar) e a Diretoria de Provimento de Pessoas (Depro), acreditam que as ações para fortalecer a área de Tecnologia da Informação na Administração Pública Federal estão sendo realizadas de forma contínua e alinhada às diretrizes do governo. No entanto, reafirma que, no momento, não existem novidades a serem apresentadas no âmbito desse monitoramento.
Esse posicionamento deixa evidente que não há previsão de ações imediatas para solucionar a carência de analistas de TI dentro do governo federal, apesar dos alertas do TCU. O documento menciona que o terceiro ciclo de monitoramento verificou que a maioria das recomendações foi atendida, e que o Tribunal sugere o fim do ciclo, sem identificar questões relevantes que exijam uma nova verificação.
Fonte: convergenciadigital.com.br


