Sem Redata, o Brasil fica fora do jogo dos data centers para inteligência artificial

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Roberta Prescott Mande um e-mail

O Brasil se encontra em uma situação paradoxal no âmbito digital. De um lado, o País possui um cenário ideal para o crescimento de data centers voltados à inteligência artificial (IA), graças à sua abundância de energia renovável, vasto território, estabilidade geológica e neutralidade geopolítica. Por outro lado, enfrenta barreiras tributárias elevadas na importação de componentes essenciais, como as GPUs, o que o coloca em desvantagem competitiva em relação a outras nações.

Durante um painel no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, realizado no dia 30 de abril em Santana de Parnaíba, Felipe Patane, diretor de inteligência artificial generativa na Oracle para a América Latina, destacou que a inteligência artificial generativa é irreversível, mas a carga tributária desestimula o desenvolvimento. “Temos energia disponível e vastas áreas, mas a única desvantagem são os impostos. Enquanto a média de impostos para supercomputadores no mundo gira em torno de 3% a 6%, no Brasil, antes do Redata, estamos enfrentando uma taxa de 55% — mais de dez vezes a média global”, enfatizou Patane.

O diretor também alertou para o cenário atual da tributação: “Além de não ter passado o Redata, houve um aumento na taxa de imposto de importação, que passou de 55% para 78%”. Patane comparou essa fase a revoluções industriais anteriores, afirmando que, “no século XX, as cidades que prosperaram foram aquelas que investiram em portos e rodovias. No século XXI, aqueles que se destacarem serão os que investirem em IA”.

Alessandro Molon, diretor-executivo da Digia (Aliança pela Infraestrutura Digital e Internet Aberta), também abordou a importância do Redata. Segundo ele, a organização trabalha em prol de uma infraestrutura digital forte e é fundamental garantir segurança jurídica e previsibilidade em relação a investimentos. Molon reforçou a urgência da aprovação do Redata para tornar a importação de equipamentos mais atraente e assegurar investimentos de longo prazo, necessários para data centers e setores como saúde digital e telemedicina.

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“O Brasil necessita do Redata para facilitar a importação de equipamentos ou, alternativamente, implementar medidas regulatórias que assegurem previsibilidade para investimentos de longo prazo. Isso é especialmente relevante para data centers focados em inteligência artificial”, afirmou Molon durante o mesmo painel. O executivo ressaltou que o Brasil não está apenas em competição interna, mas também enfrenta uma disputa global por capital intensivo.

A discussão sobre o futuro dos data centers no Brasil é crucial, considerando a crescente demanda por soluções em inteligência artificial e computação em nuvem. O reconhecimento das barreiras tributárias e a urgência de uma legislação favorável são passos fundamentais para que o País consiga se inserir de forma competitiva nesse mercado em expansão, onde a tecnologia é um fator determinante para o desenvolvimento econômico e social.

Por fim, a necessidade de um ambiente regulatório mais amigável e a defasagem tributária continuam a ser os maiores obstáculos para que o Brasil possa alcançar o seu potencial no campo da IA. O tempo é um fator crítico nesta corrida tecnológica, e iniciativas como o Redata serão essenciais para que o Brasil não fique atrás no cenário global de inovação.

Fonte: convergenciadigital.com.br

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