STF condena Eduardo Bolsonaro a inelegibilidade e a 4 anos de prisão

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Lula Marques/ Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu na última terça-feira (16) uma decisão condenatória ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele foi sentenciado a uma pena de 4 anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, devido ao crime de coação no curso do processo. A possibilidade de recurso à decisão existe.

Além da pena de prisão, Eduardo Bolsonaro deverá enfrentar uma inelegibilidade de oito anos e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.

Contexto da Condenação

O julgamento contou com a totalidade dos votos favoráveis à condenação, evidenciando que os ministros do STF concordaram com as acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O colegiado considerou que havia provas suficientes para afirmar que o ex-deputado articulou um tarifaço vindo dos Estados Unidos, visando evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em um processo relacionado a uma suposta trama golpista.

Adicionalmente, foi destacado que outras ações do governo americano, como a revogação dos vistos de ministros da Corte e do governo brasileiro e a implementação de sanções econômicas conforme a Lei Magnitsky, também foram motivadas pela intenção de influenciar a situação política interna do Brasil.

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Consequências da Decisão

Atualmente residindo nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro perdeu seu mandato de parlamentar no Brasil como consequência das faltas frequentes às sessões da Câmara dos Deputados. É importante mencionar que, na prática, ele não deve cumprir a pena imposta enquanto estiver fora do país. A condição de aliado do ex-presidente Donald Trump pode complicar ainda mais a notificação para cumprimento da pena, uma vez que é improvável que o governo norte-americano empreenda esforços nesse sentido.

A Acusação

O subprocurador-geral da República, Antônio Edilio Magalhães Teixeira, conduzindo a acusação durante o julgamento, enfatizou que as ameaças atribuídas a Eduardo Bolsonaro ocorreram no contexto da tramitação do processo relacionado à alegada trama golpista. Ele afirmou que essas ameaças se concretizaram através da suposta articulação do tarifaço, da suspensão dos vistos de oito dos onze ministros da Corte, e das sanções econômicas da mencionada Lei Magnitsky.

A Defesa

A defesa de Eduardo foi realizada pela Defensoria Pública da União (DPU). O defensor público federal, Esdras dos Santos Carvalho, argumentou que Eduardo Bolsonaro não teve participação direta nas decisões que levaram à adoção das medidas pelo governo dos Estados Unidos. Além disso, Carvalho afirmou que as ações do ex-deputado foram meras “interlocuções políticas”.

O defensor ressaltou que “Eduardo não desempenhou papel decisivo na política externa dos Estados Unidos, não faz parte do governo americano e não exerce função pública naquele país”, buscando reforçar que sua influência foi limitada.

Totalidade dos Votos

A decisão do STF culminou em um placar unânime de 4 votos a 0, com o relator Alexandre de Moraes evidenciando que as ações de Eduardo Bolsonaro, além de trazerem desinformação ao governo dos Estados Unidos, prejudicaram o Brasil. No entanto, Moraes também frisou que essas ações não foram suficientes para evitar que Jair Bolsonaro fosse condenado a uma pena de 27 anos e três meses de prisão em outro processo.

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Após a manifestação do relator, os demais ministros, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, acompanharam o voto, resultando na condenação histórica.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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