Técnico Fernando Seabra critica escolha de data para o Atletiba e aponta autossabotagem no futebol nacional

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Seabra não gostou das condições que envolveram ...

O treinador Fernando Seabra não poupou críticas à decisão de agendar o clássico Atletiba para uma sexta-feira, em partida válida pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após o eletrizante empate por 3 a 3 entre Coritiba e Athletico, disputado no estádio Couto Pereira, o comandante apontou falhas graves no planejamento do calendário nacional e argumentou que interesses comerciais e políticos acabam prejudicando o nível técnico do esporte no país.

De acordo com o cronograma das equipes antes do confronto regional, a preparação foi severamente comprometida pela falta de tempo hábil. O Coritiba havia entrado em campo pela última vez no domingo anterior, quando acabou derrotado por 2 a 1 pelo Mirassol, atuando também em seus domínios. Em situação semelhante, o Athletico cumpriu compromisso no mesmo dia, enfrentando o Cruzeiro longe de seus torcedores, no estádio Mineirões, em Belo Horizonte.

Na visão de Fernando Seabra, a logística imposta pela data alternativa impediu que os atletas titulares tivessem o descanso e o volume de treinos necessários para um clássico de tamanha relevância. O técnico detalhou a rotina desgastante de recuperação física enfrentada pelo grupo nos dias que antecederam a partida oficial.

“Muito ruim o jogo ser na sexta-feira, porque a gente jogou domingo. Quem jogou mais tempo fez só recuperação na segunda. Na terça-feira fez uma recuperação ativa no campo. Então entrou com o grupo todo só para fazer o aquecimento e um primeiro trabalho em campo reduzido e um trabalho bem geral”, pontuou o profissional durante sua entrevista coletiva pós-jogo.

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O comandante continuou a explicação sobre o curto período de ajustes táticos disponíveis. “E esse pessoal só foi para o campo na quarta-feira, que é menos dois dias do jogo. Então você também é meia folha”, complementou, evidenciando a insatisfação com a margem de tempo reduzida para preparar a equipe adequadamente.

Questionamentos sobre as prioridades do calendário

Para Seabra, a escolha de realizar o clássico em uma noite de sexta-feira perde o sentido quando se analisa o contexto de Coritiba e Athletico na temporada. Nenhuma das duas equipes estava envolvida em disputas de competições paralelas de meio de semana, o que, em tese, abriria espaço para uma janela ampla de treinamentos e descanso.

Fernando Seabra orienta equipe durante partida no Couto Pereira.

“Então foi muito ruim, muito ruim mesmo. Não tem sentido, se as duas equipes não estão disputando competição de meio de semana e têm a possibilidade de se preparar melhor para o jogo, você diminuir esse prazo de preparação”, argumentou o treinador, reforçando a necessidade de valorizar o aspecto físico dos atletas.

O comandante foi além e direcionou críticas estruturais à forma como o futebol brasileiro é administrado nos bastidores. Segundo sua avaliação, as decisões tomadas pelas entidades esportivas frequentemente ignoram o impacto na qualidade do espetáculo em favor de acordos comerciais e políticos.

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“No futebol brasileiro, as dimensões econômicas e políticas sempre prevalecem e as dimensões técnicas nunca. Só que o que produz valor é a dimensão técnica. Então acaba sendo um sistema que se autossabota no potencial que pode atingir”, disparou o técnico.

Bastidores da remarcação e pressão das emissoras

A definição do horário e da data do Atletiba — marcado inicialmente para as 21h da sexta-feira — gerou debates intensos e contestação pública antes mesmo de a bola rolar no gramado do Couto Pereira.

Procurada para prestar esclarecimentos sobre a escolha, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que a tabela foi ajustada em estrito alinhamento com a detentora dos direitos de transmissão televisiva. No mesmo sentido, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) apontou que a interferência da Rede Globo, por meio dos canais SporTV e do serviço Premiere, teve peso determinante na fixação da data.

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Atletas comemoram lance durante clássico paranaense.

Nos bastidores, a diretoria do Coritiba tentou reverter o cenário. O clube encaminhou um pedido formal à entidade máxima do futebol nacional solicitando a transferência do clássico paranaense para o final de semana. A argumentação alvinegra sustentava que um confronto da magnitude do Atletiba merecia um horário nobre que facilitasse o deslocamento e a presença massiva da torcida no estádio.

Contudo, os apelos da diretoria coritibana não foram acatados pelos organizadores do campeonato, e a partida foi mantida para a abertura do fim de semana esportivo.

Fatores climáticos também desafiaram os atletas

Além da maratona de jogos e da preparação reduzida, o clássico paranaense precisou lidar com fortes adversidades climáticas na capital do estado. Uma tempestade atingiu Curitiba nas horas que antecederam o apito inicial, acumulando grande volume de água e formando poças extensas por todo o gramado do Couto Pereira.

Funcionários trabalham para drenar o gramado do estádio Couto Pereira.

Durante as vistorias de arbitragem realizadas pouco antes do início da partida, a bola chegou a ficar completamente travada em diversos setores do campo devido ao encharcamento. O cenário adverso obrigou os funcionários do clube a utilizarem rodos na tentativa de escoar o excesso de água, provocando um leve atraso no início do confronto.

Apesar das condições severas impostas pela lama e pelo campo pesado, Coritiba e Athletico superaram as dificuldades técnicas e entregaram um duelo extremamente movimentado, que terminou com o placar igualado em 3 a 3.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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