O treinador Fernando Seabra não poupou críticas à decisão de agendar o clássico Atletiba para uma sexta-feira, em partida válida pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após o eletrizante empate por 3 a 3 entre Coritiba e Athletico, disputado no estádio Couto Pereira, o comandante apontou falhas graves no planejamento do calendário nacional e argumentou que interesses comerciais e políticos acabam prejudicando o nível técnico do esporte no país.
De acordo com o cronograma das equipes antes do confronto regional, a preparação foi severamente comprometida pela falta de tempo hábil. O Coritiba havia entrado em campo pela última vez no domingo anterior, quando acabou derrotado por 2 a 1 pelo Mirassol, atuando também em seus domínios. Em situação semelhante, o Athletico cumpriu compromisso no mesmo dia, enfrentando o Cruzeiro longe de seus torcedores, no estádio Mineirões, em Belo Horizonte.
Na visão de Fernando Seabra, a logística imposta pela data alternativa impediu que os atletas titulares tivessem o descanso e o volume de treinos necessários para um clássico de tamanha relevância. O técnico detalhou a rotina desgastante de recuperação física enfrentada pelo grupo nos dias que antecederam a partida oficial.
“Muito ruim o jogo ser na sexta-feira, porque a gente jogou domingo. Quem jogou mais tempo fez só recuperação na segunda. Na terça-feira fez uma recuperação ativa no campo. Então entrou com o grupo todo só para fazer o aquecimento e um primeiro trabalho em campo reduzido e um trabalho bem geral”, pontuou o profissional durante sua entrevista coletiva pós-jogo.
O comandante continuou a explicação sobre o curto período de ajustes táticos disponíveis. “E esse pessoal só foi para o campo na quarta-feira, que é menos dois dias do jogo. Então você também é meia folha”, complementou, evidenciando a insatisfação com a margem de tempo reduzida para preparar a equipe adequadamente.
Questionamentos sobre as prioridades do calendário
Para Seabra, a escolha de realizar o clássico em uma noite de sexta-feira perde o sentido quando se analisa o contexto de Coritiba e Athletico na temporada. Nenhuma das duas equipes estava envolvida em disputas de competições paralelas de meio de semana, o que, em tese, abriria espaço para uma janela ampla de treinamentos e descanso.

“Então foi muito ruim, muito ruim mesmo. Não tem sentido, se as duas equipes não estão disputando competição de meio de semana e têm a possibilidade de se preparar melhor para o jogo, você diminuir esse prazo de preparação”, argumentou o treinador, reforçando a necessidade de valorizar o aspecto físico dos atletas.
O comandante foi além e direcionou críticas estruturais à forma como o futebol brasileiro é administrado nos bastidores. Segundo sua avaliação, as decisões tomadas pelas entidades esportivas frequentemente ignoram o impacto na qualidade do espetáculo em favor de acordos comerciais e políticos.
“No futebol brasileiro, as dimensões econômicas e políticas sempre prevalecem e as dimensões técnicas nunca. Só que o que produz valor é a dimensão técnica. Então acaba sendo um sistema que se autossabota no potencial que pode atingir”, disparou o técnico.
Bastidores da remarcação e pressão das emissoras
A definição do horário e da data do Atletiba — marcado inicialmente para as 21h da sexta-feira — gerou debates intensos e contestação pública antes mesmo de a bola rolar no gramado do Couto Pereira.
Procurada para prestar esclarecimentos sobre a escolha, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que a tabela foi ajustada em estrito alinhamento com a detentora dos direitos de transmissão televisiva. No mesmo sentido, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) apontou que a interferência da Rede Globo, por meio dos canais SporTV e do serviço Premiere, teve peso determinante na fixação da data.

Nos bastidores, a diretoria do Coritiba tentou reverter o cenário. O clube encaminhou um pedido formal à entidade máxima do futebol nacional solicitando a transferência do clássico paranaense para o final de semana. A argumentação alvinegra sustentava que um confronto da magnitude do Atletiba merecia um horário nobre que facilitasse o deslocamento e a presença massiva da torcida no estádio.
Contudo, os apelos da diretoria coritibana não foram acatados pelos organizadores do campeonato, e a partida foi mantida para a abertura do fim de semana esportivo.
Fatores climáticos também desafiaram os atletas
Além da maratona de jogos e da preparação reduzida, o clássico paranaense precisou lidar com fortes adversidades climáticas na capital do estado. Uma tempestade atingiu Curitiba nas horas que antecederam o apito inicial, acumulando grande volume de água e formando poças extensas por todo o gramado do Couto Pereira.

Durante as vistorias de arbitragem realizadas pouco antes do início da partida, a bola chegou a ficar completamente travada em diversos setores do campo devido ao encharcamento. O cenário adverso obrigou os funcionários do clube a utilizarem rodos na tentativa de escoar o excesso de água, provocando um leve atraso no início do confronto.
Apesar das condições severas impostas pela lama e pelo campo pesado, Coritiba e Athletico superaram as dificuldades técnicas e entregaram um duelo extremamente movimentado, que terminou com o placar igualado em 3 a 3.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


