Tecpar e UEPG se unem para criar biobanco público de células-tronco

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) iniciaram uma colaboração significativa para avançar nas pesquisas em medicina regenerativa no Paraná. Na última sexta-feira (26), as duas entidades firmaram uma parceria para um estudo clínico focado na utilização de células-tronco mesenquimais (CTM) no tratamento de pacientes diagnosticados com fissura labiopalatina, frequentemente referida como lábio leporino.

Para a execução deste projeto inovador, um valor de R$ 17,5 milhões foi assegurado por meio do Fundo Paraná, que é uma alocação orçamentária destinada ao fomento da pesquisa científica, sob a administração da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O principal intuito da pesquisa é estabelecer um biobanco público de células-tronco, que será formado pela coleta de amostras biológicas de pacientes afetados pela fissura. Essas amostras serão enviadas a laboratórios especializados, onde passarão por processos de isolamento, caracterização celular e rigorosos controles de qualidade.

Após o processamento, as amostras serão armazenadas em nitrogênio líquido, assegurando sua preservação e disponibilidade para futuras pesquisas e publicações científicas.

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Iram de Rezende, diretor industrial da Saúde do Tecpar, sublinhou que essa colaboração é parte de um projeto aprovado pelo Fundo Paraná, que inclui, se aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso de bioengenharia de tecido ósseo, que utiliza células-tronco em conjunto com biomateriais para tratar pacientes com fissuras labiopalatinas.

“O Paraná já se destaca como um polo em pesquisas de medicina regenerativa, e através dessa colaboração com a UEPG, visando a criação de um biobanco público de células-tronco, o Tecpar fortalece sua posição no cenário nacional. Este é um avanço científico significativo em uma área com grande potencial para a saúde pública”, afirmou Rezende.

A formação do biobanco e a implementação dos controles de qualidade resultam de uma cooperação com a empresa R-Crio Criogenia S/A, que se responsabilizará pelo processamento das células e pela transferência das tecnologias necessárias para o Tecpar. O biobanco tem o potencial de subsidiar pesquisas para o desenvolvimento de novos produtos que poderão ser integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Inovação para a Sociedade

Michel Jorge Samara, coordenador da Unidade Executiva do Fundo Paraná, enfatizou a relevância de promover inovações que tragam benefícios diretos à sociedade. “Este projeto exemplifica o compromisso do governo estadual em fomentar a ciência e a tecnologia, especialmente em áreas críticas para a saúde pública”, declarou.

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“Ao fortalecer o ecossistema de pesquisa, os investimentos do Fundo Paraná garantem que os avanços científicos se tornem acessíveis à população, solidificando o Estado como uma referência em ciência voltada para a melhoria da qualidade de vida”, destacou Samara.

Janela de Oportunidades

Ivo Mottin Demiate, reitor em exercício da UEPG, ressaltou que sua instituição foi consultada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para avaliar suas condições técnicas e infraestrutura para a execução do projeto, demonstrando o engajamento da UEPG nessa iniciativa.

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“Contamos com um curso de Odontologia de renome nacional e internacional, além de um excelente curso de Medicina. O potencial de sucesso deste projeto é imenso, pois temos pesquisadores empenhados que logo estarão envolvidos nesse trabalho. É uma grande satisfação para a UEPG poder contribuir com uma solução relevante e inovadora para a saúde pública, envolvendo células-tronco”, declarou Demiate.

Fabiana Postiglioni Mansani, diretora-geral dos HU-UEPG, enfatizou que a pesquisa apresenta uma oportunidade valiosa para crianças e adolescentes com fissuras, permitindo uma recuperação menos traumática, menos invasiva e mais sustentável através do uso de células-tronco.

“A pesquisa realizada no HU-UEPG, tendo como referência o Hospital Universitário Materno-infantil (Humai), assume um papel fundamental, pois teremos a capacidade de oferecer suporte às crianças e suas famílias, garantindo que todos os procedimentos sejam realizados com segurança, eficácia e propiciando um futuro com qualidade de vida para esses pacientes”, completou.

Estudo Pioneiro

Meila Bastos de Almeida, gerente do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Tecpar, destacou que o estudo será realizado com rigor ético e técnico em todas as suas etapas, almejando coletar 500 amostras para a constituição do biobanco, com a garantia de qualidade, rastreabilidade e biossegurança.

“A pesquisa será conduzida em um ambiente hospitalar sob a supervisão da pesquisadora principal, Daniela Franco Bueno, que também é uma parceira nesse projeto, além de uma equipe multiprofissional capacitada. Tudo será realizado conforme as normativas éticas e regulatórias pertinentes à pesquisa com material biológico humano, respeitando as diretrizes de biossegurança e boas práticas laboratoriais”, explicou Meila.

Está prevista uma duração de 24 meses para a conclusão das etapas do projeto, que incluem recrutamento de participantes, coleta de amostras, processamento e controle de qualidade, armazenamento no biobanco e monitoramento das condições de conservação do material biológico.

Os resultados da pesquisa se limitarão à análise da viabilidade, qualidade e adequação das amostras armazenadas, sem previsões de análises de eficácia clínica ou desfechos terapêuticos.

Tratamento Inovador

A fissura labiopalatina é uma malformação congênita que ocorre quando os tecidos do lábio ou do céu da boca (palato) não se fundem adequadamente durante o desenvolvimento fetal. Essa condição pode ser corrigida através de três cirurgias reconstrutivas, que são realizadas a partir de três meses de idade, juntamente com acompanhamento multidisciplinar para reabilitação. O tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O enxerto ósseo secundário é considerado o tratamento padrão-ouro para o fechamento do osso alveolar, acontecendo entre os 7 e 12 anos, e pode levar a complicações como morbidade, lesões nervosas, sangramentos, infecções e desconforto na área doadora.

Uma inovação no tratamento do lábio leporino é a bioengenharia de tecido ósseo, uma técnica da medicina regenerativa que utiliza células-tronco em conjunto com biomateriais (naturais ou sintéticos) para regenerar ou substituir tecidos ósseos danificados por traumas, doenças ou problemas congênitos. Devido à grande capacidade regenerativa, as células-tronco têm o potencial de se multiplicar e se transformar em vários tipos de células do corpo, como neurônios, células musculares ou sanguíneas. Por essa razão, esta técnica é promissora para o tratamento do lábio leporino, principalmente para a regeneração óssea no céu da boca.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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