Universidades estaduais se unem para integrar ensino e assistência em toxicologia no Paraná

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

O Paraná, por meio dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), oferece assistência 24 horas e orientação estratégica para casos de intoxicações provocadas por medicamentos, agentes químicos e animais peçonhentos da fauna local. Os hospitais associados às universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e do Oeste (Unioeste) proporcionam um campo de formação prática para estudantes de graduação e pós-graduação nas áreas da saúde.

Este serviço especializado atende tanto os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto o público em geral, além de monitorar as ocorrências por meio das notificações recebidas. A atuação acadêmica dos centros representa um dos pilares do seu trabalho, com a produção de conhecimento científico e publicações em periódicos internacionais, que contribuem para a modernização dos protocolos do SUS. Além disso, as atividades práticas fazem parte de programas de residência, como o de Multiprofissional em Urgência e Emergência e o de Enfermagem.

Recentemente, um artigo científico publicado pela UEL revelou que a administração tardia de antídoto em casos de picadas de serpentes comuns no Paraná aumenta o risco de complicações renais. O estudo foi realizado pela aluna Rafaele Maria Tirolla, do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas e Saúde Coletiva, em colaboração com os professores Edmarlon Girotto, Camilo Molino Guidoni e Alberto Duran Gonzalez.

De acordo com Camilo Molino Guidoni, coordenador do Ciatox de Londrina e professor do departamento de ciências farmacêuticas, o Paraná se destaca nacionalmente em assistência e vigilância de casos de toxicologia. Ele menciona que “no ano passado, em relação às intoxicações por metanol, monitoramos os casos suspeitos e confirmados, além das circunstâncias e locais onde ocorriam. Esses esforços são um diferencial que o Paraná possui”. Em 2025, os Ciatox do estado implementaram um fluxo de atendimentos antecipado, o que possibilitou um atendimento mais eficaz e rápido nos casos registrados.

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Ações de conscientização na comunidade

No que tange à extensão, a atuação dos centros impacta diretamente a comunidade escolar e a população em geral. O departamento de Ciências Farmacêuticas da UEL realiza ações de conscientização em escolas de ensino fundamental e médio, ensinando a identificação de riscos e medidas de proteção relacionadas a substâncias tóxicas. Em Maringá, o projeto de extensão do Centro de Controle de Intoxicações da UEM promove ações públicas voltadas à orientação e prevenção contra acidentes com animais peçonhentos.

Durante as estações mais quentes, ocorre um aumento considerável nas ocorrências envolvendo animais peçonhentos, pois esses animais tendem a deixar seus habitats para se alimentar e acasalar. O processo de urbanização e o aumento na utilização de defensivos agrícolas contribuem para a intensificação desses acidentes. Os registros mais frequentes envolvem escorpiões-amarelos, aranhas-armadeiras, aranhas-marrons, jararacas e abelhas, embora muitos ataques de abelhas não sejam oficialmente reportados.

Embora os acidentes com animais peçonhentos representem a maior parte dos atendimentos realizados pelo Ciatox, uma lista extensa de substâncias é capaz de causar intoxicações no corpo humano. As situações documentadas incluem: uso de medicamentos sem supervisão médica, contaminação por plantas, fungos e metais pesados, além de exposição indevida a produtos químicos, indústrias, sanitários, venenos e defensivos agrícolas.

Diretrizes de prevenção e manejo ambiental

As diretrizes técnicas recomendadas enfatizam a importância de vedar frestas, ralos, caixas de gordura e de manter um controle rigoroso da população de baratas, que servem de alimento para os aracnídeos. O uso de defensivos químicos ou venenos não é aconselhado, pois pode dispersar os animais sem garantir a letalidade, aumentando o risco de acidentes.

Em caso de acidentes, a recomendação é lavar o local afetado com água e sabão, fotografar o animal para auxiliá-lo na identificação da espécie ou levá-lo consigo, se possível, e buscar imediatamente o serviço de saúde mais próximo. Caso haja exposição ou ingestão de produtos tóxicos, é vital procurar atendimento imediato, sem esperar o aparecimento de sintomas graves em casa.

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Segundo a enfermeira e coordenadora do Ciatox de Maringá, Márcia Regina Jupi Guedes, a população pode solicitar atendimento também via WhatsApp. “No nosso serviço em Maringá e nos municípios da 15ª Regional da Saúde, orientamos a população a enviar fotos de animais peçonhentos, lesões, picadas, plantas e rótulos de produtos a qualquer hora”, explica ela.

Serviços de atendimento

Londrina:

  • Telefone: (43) 3371-2244
  • Endereço: Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (HU UEL) – Avenida Robert Koch, 60 – Operária

Maringá:

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  • Telefone: (44) 3011-9431
  • Endereço: Hospital Universitário de Maringá (HUM) – Avenida Mandacarú, 1590, Parque das Laranjeiras

Cascavel:

  • Telefone: (45) 3321-5261 e (45) 3321-5284
  • Endereço: Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) – Avenida Tancredo Neves, 3224, Santo Onofre

Fonte:: parana.pr.gov.br

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