O Governo do Paraná está se preparando para concluir, até 2026, os estudos que visam a criação de cinco novas Unidades de Conservação (UCs) estaduais. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do estado.
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Paraná ganha 2 mil novas placas em áreas de conservação ambiental
As novas áreas de conservação totalizarão mais de 13 mil hectares, abrangendo uma extensão semelhante à área urbana de Londrina, a segunda cidade mais populosa do Paraná, localizada na região Norte do estado.
Municípios Abrangidos
As futuras Unidades de Conservação serão situadas em sete municípios: Castro e Palmeira, localizados nos Campos Gerais; Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba; Pontal do Paraná, no litoral; e Pinhão, Reserva do Iguaçu e Foz do Jordão, na região Centro-Sul.
Essas iniciativas visam colaborar com o Brasil na realização dos objetivos definidos no Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, que o país adotou em 2024. A Meta 3, comumente referida como Meta 30 x 30, estabelece a meta de conservar e gerenciar pelo menos 30% de cada bioma brasileiro até 2030.
Essas áreas são fundamentais para a preservação de espécies endêmicas, conforme enfatizou José Volnei Bisognin, diretor-presidente do Instituto Água e Terra (IAT).
Atualmente, o Paraná possui 26% de sua cobertura florestal preservada. Em 2026, com a implementação das novas UCs, essa porcentagem deverá aumentar significativamente.
O governo estadual já completou as vistorias e a coleta de dados necessários para a viabilização dos projetos, que agora estão na etapa de consulta à comunidade local. Nesse momento, as propostas são apresentadas aos cidadãos da região onde as novas UCs serão criadas, permitindo que eles expressem suas sugestões e tirem dúvidas sobre a iniciativa.
A Unidade de Conservação que se encontra em um estágio mais avançado é a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) dos Monos de Castro, que já completou sua última consulta pública, enquanto os demais locais aguardam para iniciar essa fase.
Área de Relevante Interesse Ecológico dos Monos de Castro
A ARIE dos Monos de Castro, localizada em Castro, ocupa uma área de 6,2 mil hectares, equivalente a 8,6 mil campos de futebol. Seu principal objetivo é a proteção do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), uma espécie de primata criticamente ameaçada de extinção, também conhecida como mono-carvoeiro.
O Instituto Água e Terra (IAT) promoveu entre janeiro e abril deste ano as consultas com a comunidade, incorporando sugestões ao planejamento do projeto. A formalização da unidade por meio da publicação de decreto no Diário Oficial do Estado está prevista para ainda este ano.
A ARIE dos Monos de Castro é uma área de proteção que permite o uso sustentável dos recursos naturais, o que significa que os proprietários e atividades produtivas poderão ser mantidos desde que respeitem as nuances de conservação da natureza e os objetivos da UC.
Monos de Cerro Azul
Outro projeto com foco na preservação do muriqui-do-sul está em desenvolvimento no município de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com uma área estimada em 5 mil hectares, essa UC também tem a função de proteger remanescentes da Floresta Ombrófila Mista, favorecendo a conservação da espécie.
Esse projeto é parte de um esforço mais amplo de conservação, financiado com recursos provenientes da indenização da Petrobras em consequência de um vazamento de petróleo ocorrido na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no ano de 2000.
UC Maciel
No litoral, em Pontal do Paraná, foi projetada a UC Maciel, com o objetivo de proteger o rio homônimo e uma área equivalente a 1.685 hectares. O rio drena áreas de alta prioridade para a conservação da planície litorânea, que abriga um mosaico de vegetação nativa, incluindo remanescentes de restingas, manguezais e Floresta Ombrófila Densa. A região também possui sambaquis e formações geológicas costeiras, além de fornecer recursos naturais para a subsistência de comunidades indígenas e pescadores artesanais.
UC Tia Chica
A proposta da UC Tia Chica abrange três municípios do Centro-Sul: Pinhão, Reserva do Iguaçu e Foz do Jordão. Com um perímetro de 413 hectares, a unidade é nomeada em homenagem a uma cachoeira do Rio Jordão, e contém cobertura vegetal nativa de remanescentes da Floresta Ombrófila Mista e Estacional Semidecidual, que são prioritários para conservação.
Núcleo Cercado
A última proposta está situada no município de Palmeira, também nos Campos Gerais, e pretende proteger uma área de 174 hectares na borda da Escarpa Devoniana. Esta área abriga remanescentes vitais de florestas Ombrófila Mista e Densa, além de Campos Nativos. A região é drenada por uma rede densa de fluxos pertencentes à bacia hidrográfica do Rio Açungui e inclui uma cachoeira, uma gruta com queda d’água interna e uma caverna.
Área Verde do Paraná
Atualmente, o Paraná possui 74 Unidades de Conservação estaduais catalogadas pelo IAT, que totalizam mais de 26,5 mil km² de áreas protegidas por legislação. Essas áreas são classificadas como ecossistemas que não podem ser submetidos a interferências humanas ou aquelas que permitem um uso sustentável de parte dos recursos naturais, como as Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
As UCs estaduais são divididas em UCs de Uso Sustentável, abrangendo 10.470,74 km²; UCs de Proteção Integral, com 756,44 km²; Áreas Especiais de Uso Regulamentado (ARESUR), que representam 152,25 km²; e Áreas Especiais de Interesse Turístico (AEIT), totalizando 670,35 km², todas sob a administração do Governo do Estado.
Além das UCs estaduais, existem as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que somam 553,83 km²; terras indígenas, cobrindo 846,87 km²; e UCs federais, que ocupam 8.840,39 km², sendo o Parque Nacional do Iguaçu, localizado em Foz do Iguaçu, a mais emblemática dentre essas áreas. Também estão incluídas as UCs municipais, com 3.959,55 km², como o Parque Barigui, em Curitiba.
Fonte: cbncuritiba.com.br


