Solução voltada para o monitoramento de visitantes em trilhas e áreas naturais conquistou o primeiro lugar no Hackathon Sustentabilidade promovido pelo IAT.
Uma proposta inovadora focada no monitoramento de visitantes em trilhas e áreas naturais foi a grande vencedora do Hackathon Sustentabilidade, realizado na terça-feira (9) pelo Instituto Água e Terra (IAT) durante o Festival Internacional de Turismo Cataratas (FITCataratas), em Foz do Iguaçu, localizada na região Oeste do Paraná. O projeto vencedor foi idealizado pelas estudantes Nathalia Rompp e Barbara Ribeiro, do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental do Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus Cascavel.
O evento reuniu estudantes, especialistas e profissionais em uma intensa maratona de 11 horas, que teve como objetivo desenvolver soluções para desafios enfrentados pelas Unidades de Conservação do Paraná. O IAT é vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
Durante o dia, os participantes passaram por diversas etapas que incluíram inspiração, discussão sobre os desafios, formação de equipes, ideação, desenvolvimento de propostas, mentorias técnicas, prototipação de Produtos Mínimos Viáveis (MVPs) e apresentações finais em formato pitch, que são rápidas e objetivas, para uma banca técnica especializada.
A avaliação das propostas foi conduzida por Cristiane Santos, do Curitiba Convention & Visitors Bureau (CCVB), Alan Lessa, do IAT, e Rafael Campos, da Inspectrum Consultoria, que analisaram os projetos considerando critérios como inovação, criatividade, potencial de gestão, aplicabilidade e viabilidade.
Nomeado de Trilha, o projeto que obteve a primeira colocação recebeu uma premiação de R$ 5 mil por apresentar uma solução que utiliza tecnologia NFC e sistemas de localização por rádio para monitorar os visitantes. A proposta consiste na criação de pontos de controle ao longo dos percursos, o que permite acompanhar o deslocamento dos visitantes e fornecer informações em tempo real para as equipes responsáveis pela gestão das áreas protegidas.
A equipe Tria ficou com a segunda colocação e recebeu R$ 3 mil em premiação, enquanto a equipe Sentinela alcançou o terceiro lugar e foi premiada com R$ 2 mil.
A iniciativa surgiu a partir de um desafio apresentado pelos gestores das Unidades de Conservação durante o evento. Atualmente, o monitoramento dos visitantes depende, em muitos casos, de registros manuais, o que dificulta o acompanhamento dos usuários ao longo das trilhas. “A principal dificuldade apresentada pelos gestores estava relacionada ao acompanhamento das pessoas dentro das trilhas. Nossa proposta foi utilizar tecnologias que já existem para melhorar esse monitoramento e aumentar a segurança dos visitantes”, explicou Nathalia Rompp.
Solução para desafios
Volnei Bisogin, diretor-presidente do Instituto Água e Terra, destacou que o principal resultado do Hackathon foi demonstrar como a inovação pode ajudar a resolver desafios concretos na gestão ambiental. “Estou muito satisfeito com os resultados. O Hackathon trouxe soluções inovadoras para questões que fazem parte da nossa rotina, especialmente relacionadas ao controle e à segurança dos visitantes que frequentam as Unidades de Conservação”, afirmou.
Ele ressaltou que uma preocupação constante do Instituto é o acompanhamento dos visitantes que utilizam trilhas e áreas protegidas. “Já enfrentamos situações de pessoas desaparecidas em áreas naturais e sabemos da importância de aperfeiçoar nossos mecanismos de controle e monitoramento. As ferramentas apresentadas demonstram que a tecnologia pode ser uma grande aliada para tornar esse processo mais eficiente e seguro”, destacou.
Bisogin acrescentou que as propostas desenvolvidas têm potencial para serem aplicadas nas unidades administradas pelo órgão ambiental. “Todas as tecnologias criadas durante o Hackathon apresentam aplicabilidade. Agora vamos avançar na avaliação técnica e no planejamento necessário para que essas soluções possam contribuir com a gestão das nossas unidades”, disse.
Rafael Andreguetto, diretor de Patrimônio Natural do IAT, enfatizou que o objetivo do Hackathon foi identificar soluções que possam ser efetivamente utilizadas nas Unidades de Conservação estaduais. “A proposta foi buscar soluções replicáveis e aplicáveis, capazes de melhorar a gestão das Unidades de Conservação. As soluções apresentadas representam oportunidades concretas para aprimorar tanto a experiência dos visitantes quanto os processos de controle e gestão dessas áreas protegidas”, afirmou.
De acordo com Andreguetto, o encerramento da competição sinaliza o começo de uma nova etapa de desenvolvimento dos projetos. “Agora inicia-se uma fase de validação. As propostas vencedoras serão apresentadas em outras unidades de conservação para uma análise técnica. A partir daí, poderão avançar para processos de testagem e prototipagem, sempre considerando sua viabilidade operacional e de implantação”, explicou.
Inovação colaborativa
Jean Alex dos Santos, gerente de Áreas Protegidas do IAT e mentor do Hackathon, comentou que o evento exemplificou a capacidade da inovação colaborativa em encontrar soluções para desafios ambientais. “Foi uma experiência bastante enriquecedora. Em apenas um dia surgiram ideias muito interessantes, mostrando como soluções inovadoras podem ser desenvolvidas quando reunimos diferentes conhecimentos e perspectivas”, contou.
Segundo ele, os mentores apresentaram desafios reais enfrentados pelas Unidades de Conservação e ofereceram suporte técnico aos participantes durante todo o processo. A interação entre estudantes, especialistas e gestores públicos foi destacada como um dos pontos fortes da iniciativa. “Algumas das propostas apresentadas já começam a ser analisadas para possível desenvolvimento futuro. Esse é um dos grandes ganhos do Hackathon: transformar criatividade e conhecimento técnico em soluções com potencial de aplicação prática”, concluiu.
O primeiro Hackathon Sustentabilidade fez parte da programação do FITCataratas e representa uma nova fase na integração entre inovação, tecnologia e gestão ambiental, conectando universidades, especialistas e o poder público na elaboração de soluções para os desafios da conservação da natureza no Paraná. O festival prossegue até sexta-feira (12) em Foz do Iguaçu.
Fonte:: iat.pr.gov.br


