6Ghz: Investimento obrigatório em data centers está fora da política pública de telecomunicações, dizem Vivo e Claro

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

As operadoras Claro e Vivo manifestaram forte resistência em relação à proposta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que vincula a aquisição da faixa de frequências de 6 GHz a investimentos obrigatórios na construção de data centers. O tema foi debatido intensamente durante uma audiência pública realizada em Brasília, onde executivos das principais empresas de telecomunicações do país expuseram suas preocupações sobre os rumos regulatórios do setor.

A discussão gira em torno da minuta de consulta pública que sugere o financiamento de núcleos regionais neutros e nós de borda pelas empresas vencedoras do leilão. A prioridade seria destinar esses centros para regiões que ainda carecem de infraestrutura digital adequada. Pela regra em estudo, os aportes financeiros seriam realizados pelas operadoras e geridos por uma entidade própria, porém sob a supervisão e governança de um grupo presidido pela própria agência reguladora.

Durante o evento, a representante da Claro, Monique Barros, fez questão de ressaltar que o debate não gira em torno da relevância econômica ou tecnológica dos data centers, mas sim sobre a pertinência de transformar essa infraestrutura em uma exigência atrelada diretamente à compra de espectro radioelétrico. A executiva pontuou que a Anatel acertou ao destinar a maior fatia da faixa de 6 GHz para o setor de telecomunicações, mas alertou que a definição de um leilão exige um ecossistema maduro de equipamentos, algo que, segundo ela, ainda está em desenvolvimento para essa frequência específica.

Como exemplo, Barros relembrou o leilão da tecnologia 5G, especificamente na faixa de 26 GHz, apontando que até os dias atuais o mercado ainda sofre com a escassez de um ecossistema plenamente consolidado para o melhor aproveitamento do recurso. Para a operadora, é fundamental avaliar com cautela se a instalação de data centers deve constar como obrigatoriedade em editais de licitação de espectro.

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A Claro reforçou que o seu foco principal permanece na expansão da conectividade básica para a população e solicitou formalmente a prorrogação do prazo da audiência pública, pleito que atualmente aguarda análise pelo Conselho Diretor da agência reguladora. Por sua vez, representantes do órgão governamental reconheceram que a inclusão de data centers representa uma inovação regulatória, argumentando que é preciso ampliar o horizonte para novas formas de infraestrutura digital, mesmo diante de disparidades regionais que ainda persistem no acesso à internet.

No mesmo sentido, o representante da Vivo, Rafael Andrade de Oliveira, argumentou que a implantação de centros de processamento e armazenamento de dados não encontra respaldo nas atuais diretrizes das políticas públicas de telecomunicações do país. Para a empresa, jamais deveria ocorrer a vinculação desse tipo de obrigação à liberação de faixas de frequência.

Embora a Vivo também tenha elogiado a decisão de destinar a maior parte do espectro de 6 GHz para as operadoras tradicionais, a companhia defendeu que o leilão idealmente só deveria ser realizado após o ano de 2030. Além disso, a operadora classificou como desnecessária a criação de uma entidade específica para administrar os recursos previstos na proposta em discussão.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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