O atacante Rômulo Cardoso, atualmente vinculado ao Red Bull Leipzig, alcançou recentemente a marca expressiva de se tornar o jogador brasileiro com maior valor de mercado atuando no Campeonato Alemão. Com projeções baseadas em portais especializados em transferências do futebol internacional, o atleta de 24 anos está avaliado em cerca de 30 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 180 milhões na cotação atual. Revelado nas categorias de base do Athletico, o jogador concedeu entrevistas a veículos de imprensa no início desta temporada europeia para debater as particularidades do esporte na Europa, o panorama da liga alemã e os bastidores de sua trajetória no clube paranaense.
Durante a conversa, Rômulo abordou um tema recorrente nas comparações entre o futebol sul-americano e o europeu: a estabilidade e a longevidade dos trabalhos com comissões técnicas. Para o centroavante, a alta frequência de demissões e a troca constante de treinadores no Brasil prejudicam o desenvolvimento tático e a assimilação de conceitos pelos atletas ao longo das temporadas.
“Aqui tem muita sequência de trabalho, de treinadores. Então você consegue cumprir mais as ideias do treinador. No Brasil, cada mês é um treinador diferente. Você aprende um pouquinho, já muda. Começa a aprender outra coisa, muda de novo. Você não consegue assimilar nada”, declarou o atacante do Red Bull Leipzig.
O atleta utilizou a própria vivência no Furacão para ilustrar o impacto dessa instabilidade no cotidiano dos profissionais da bola. Rômulo recordou o período em que trabalhou sob o comando de Fábio Carille em 2022, passagem que durou apenas 21 dias. O treinador havia sido anunciado pelo clube paranaense em meados de abril daquele ano para ocupar a vaga deixada por Alberto Valentim, mas acabou desligado do cargo no início de maio, abrindo espaço para a chegada de Luiz Felipe Scolari, o Felipão.
“Eu tive um pouco desse caso no Athletico. A gente estava com um treinador, veio o Fábio Carille e com 20 dias já tinha trocado. Então foi muito rápido e acaba não aprendendo muito. Quando você tem mais tempo com o treinador e o próprio time, acaba aprendendo mais”, pontuou.
Apesar da curta passagem de Carille, a reestruturação da equipe sob a batuta de Felipão rendeu frutos históricos para o Athletico naquela temporada, culminando na campanha que levou o Furacão até a grande final da Copa Libertadores da América. Na decisão única contra o Flamengo, disputada em Guayaquil, a equipe paranaense acabou superada após a expulsão do zagueiro Pedro Henrique e o gol solitário marcado pelo atacante Gabriel Barbosa.
A convivência com o experiente treinador gaúcho foi tratada com forte admiração por Rômulo. Mesmo com a idade avançada e atuando em funções periféricas no setor ofensivo durante aquela passagem, o atacante destacou a importância da confiança depositada por Felipão em seu futebol.
“Foi um cara importante na minha carreira. Me deu minutos no Athletico, mesmo jogando pelas beiradas. Confiou em mim e aprendi muito com ele. É o último técnico campeão, com o penta. Foi lendário pra mim porque foi o cara que a gente via na TV. É um ídolo da nação brasileira, então fiquei bem feliz e pude aprender bastante com ele”, celebrou.
“Bundesliga sofre preconceito”: Rômulo defende competitividade do Campeonato Alemão
Consolidado no cenário europeu após registrar bons números em sua temporada de estreia pelo Red Bull Leipzig — onde acumulou nove gols e quatro assistências em 30 partidas oficiais —, Rômulo também utilizou seu espaço para rebater críticas direcionadas ao nível técnico do Campeonato Alemão. Historicamente, a competição sofre questionamentos externos devido à hegemonia prolongada do Bayern de Munique, clube que acumula dezenas de títulos nacionais e costuma dominar o topo da tabela, embora outras equipes como o Bayer Leverkusen tenham quebrado essa sequência recentemente.
Para o atacante brasileiro, existe um estigma infundado em relação ao torneio que desconsidera a intensidade e a organização tática das demais equipes que compõem a liga.
“É um campeonato muito bom. Muitas pessoas têm um preconceito porque o Bayern domina e falam que a liga não presta, que não é de alto nível porque só tem o Bayern”, argumentou.
Além dos desafios em campo, o jogador comentou sobre a adaptação às exigências comerciais e midiáticas do clube alemão, integrante de um conglomerado global de bebidas energéticas conhecido por estratégias agressivas de marketing e exposição de atletas.
“Até brinco com minha esposa que é chato para caramba, que tem muita coisa para se fazer. Mas eles exploram bem a imagem de todos os atletas e tentam crescer a marca, levar para os outros países. Tanto que vem crescendo muito no Brasil, também com a ajuda do Bragantino. Pra mim, não é fácil lidar com isso. Eu não sou um cara de mídias sociais e mais de ficar na minha. Sou meio envergonhado, mas fico tranquilo e feliz por ter esse respaldo de dentro do clube. Se eu fazer mais gols, eles vão explorar cada vez mais”, concluiu o centroavante.
Ranking dos jogadores brasileiros mais valiosos da Bundesliga
- Rômulo Cardoso (RB Leipzig) — 30 milhões de euros
- Kauã Prates (Borussia Dortmund) — 10 milhões de euros
- Arthur (Bayer Leverkusen) — 8 milhões de euros
- Kauã Santos (Eintracht Frankfurt) — 7 milhões de euros
- Arthur Chaves (Hoffenheim) — 5 milhões de euros
- Bernardo Júnior (Hoffenheim) — 4 milhões de euros
- Otávio (Eintracht Frankfurt) — 1,5 milhão de euros
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Fonte:: umdoisesportes.com.br


