KIEV — Em um desdobramento estratégico significativo do conflito, o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou neste sábado, 25, por meio da rede social X que o Exército ucraniano conseguiu atingir um navio de guerra da Rússia, além de outras embarcações empregadas no transporte de cargas militares associadas ao Irã, na região do Mar Cáspio.
A ação, que demonstra a ampliação do raio de alcance das operações militares de Kiev, foi destacada pelo próprio mandatário ucraniano em suas redes sociais oficiais. “Obtivemos resultados muito expressivos com ataques de longo alcance no Mar Cáspio — incluindo embarcações utilizadas no transporte de cargas militares envolvendo o Irã”, pontuou Zelenski na postagem.
Paralelamente à ofensiva marítima, autoridades ucranianas confirmaram que uma nova investida utilizando drones de fabricação própria provocou um incêndio de proporções consideráveis nas instalações da Refinaria de Petróleo de Tyumen, situada na Sibéria Ocidental. No mesmo contexto operacional, as forças de Kiev também miraram e atingiram com sucesso uma instalação logística localizada na cidade de Ecaterimburgo, bem como um depósito estratégico de combustíveis e lubrificantes na cidade de Rostov-do-Don.
Especialistas em defesa apontam que a tecnologia de drones de longo alcance desenvolvida e empregada pela Ucrânia tem evoluído de maneira consistente ao longo dos meses de guerra. Essa evolução tecnológica impõe um desafio logístico e de segurança complexo para a Rússia, cuja vasta e continental extensão territorial torna a proteção integral de todas as suas infraestruturas críticas uma tarefa extremamente difícil para as forças armadas do país.
Nas últimas etapas da campanha militar, as forças leais a Kiev têm direcionado seus esforços de maneira sistemática contra refinarias, oleodutos e instalações petrolíferas russas. O objetivo central dessas operações de sabotagem e ataque à distância tem sido provocar escassez interna de combustíveis no território russo, gerando forte pressão econômica e constrangimento político para a administração do presidente Vladimir Putin.
Escalada de bombardeios e novas vítimas
A intensificação das operações de longo alcance ocorre em meio a um ciclo contínuo de ataques cruzados entre as fias ucranianas e russas, registrados entre a sexta-feira, 24, e o sábado, 25. Balanços oficiais divulgados por representantes de ambos os governos indicam que ao menos 14 pessoas perderam a vida em decorrência direta dos bombardeios recentes.
De acordo Simultaneamente, autoridades administrativas da região de Sumy, situada no nordeste ucraniano, relataram que um ataque executado por um drone russo culminou na morte de três civis locais.
Esses episódios de violência armada sucederem um bombardeio de grande envergadura ordenado pelas forças russas na sexta-feira nas imediações de Kiev. A ação na capital e arredores deixou um saldo trágico de pelo menos 10 pessoas mortas e feriu aproximadamente 100 civis, sobrecarregando os serviços de emergência locais.
Diante do cenário de alerta máximo, em um pronunciamento transmitido na noite de sexta-feira, o presidente Zelenski fez um alerta público. Segundo ele, relatórios elaborados pelos serviços de inteligência ucranianos indicavam que o comando militar russo estava concentrando mísseis para desferir um novo ataque de grandes proporções, sinalizando que a ofensiva iminente poderia ocorrer no intervalo das 48 horas seguintes.
Encontro diplomático em Washington
Em meio ao acirramento das hostilidades no front oriental, a agenda diplomática de alto nível da Ucrânia prevê novos movimentos para os próximos dias. Conforme adiantado por um oficial do governo dos Estados Unidos em declarações à agência de notícias Associated Press (AP), o presidente ucraniano tem viagem programada para se reunir com o presidente americano, Donald Trump, na próxima terça-feira, 28, em Washington.
Até o momento da divulgação destas informações, o governo de Kiev ainda não havia emitido um comentário oficial de confirmação imediata sobre a reunião na capital americana. No entanto, o próprio Zelenski já havia antecipado em seu pronunciamento oficial de sexta-feira que o governo ucraniano vinha se articulando e “se preparando para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos e sua equipe”.
Fonte:: estadao.com.br


