O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 22, que autoridades iranianas e americanas se reuniram à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O diálogo ocorreu no mesmo dia em que o chefe de Estado fez duras críticas ao governo de Teerã durante o evento internacional.
“Foi uma reunião de três horas”, declarou o presidente americano a jornalistas após o encontro. Ele descreveu a conversa como “muito bom” e indicou a possibilidade de realizar outro diálogo “em um futuro muito próximo” para tentar avançar nas negociações diplomáticas entre as duas nações.
A revelação sobre o encontro diplomaticamente sensível veio à tona poucas horas após o discurso oficial de Donald Trump na Assembleia-Geral da ONU. Na ocasião, o líder dos Estados Unidos afirmou publicamente que pretendia “aniquilar” o Irã caso a postura do país persa não mudasse em relação aos conflitos internacionais e ao suporte a grupos armados na região do Oriente Médio.
Críticas duras e advertências no plenário da ONU
No início de sua manifestação oficial na tribuna das Nações Unidas, o presidente americano argumentou que os Estados Unidos estão empenhados em solucionar conflitos globais que ele classificou como “intratáveis que duram décadas”. Segundo ele, a comunidade internacional não pode ignorar ameaças que comprometem a segurança coletiva.
“Não há exemplo melhor de um perigo que teve permissão para ganhar força, colocando o mundo em risco, do que o principal patrocinador do terrorismo, a República Islâmica do Irã”, afirmou o mandatário perante os demais líderes mundiais reunidos em Nova York.
Trump também relatou que tentou viabilizar um entendimento diplomático com Teerã logo após assumir o comando da Casa Branca, no início do ano passado, mas que as lideranças iranianas optaram por recusar as propostas apresentadas pela diplomacia norte-americana.
O líder dos Estados Unidos indicou que possui um dilema estratégico a resolver em relação à nação persa. “Mas tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irã que permita ao país se reconstruir e se tornar muito maior do que jamais foi, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente, sem nunca lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países?”, questionou durante o pronunciamento.
Perspectivas eleitorais e o cenário político americano
Para o presidente americano, a concretização de um acordo diplomático duradouro com o governo iraniano pode se tornar viável somente após a realização das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para o mês de novembro.
“Porque não faz sentido para eles não fazê-lo”, avaliou Trump, sugerindo que os interlocutores estrangeiros estariam aguardando o desfecho do pleito interno americano para recalibrar suas estratégias de negociação com Washington. “Eles estão esperando para ver como me saio nas eleições de meio de mandato.”
O discurso de Donald Trump na ONU sucedeu a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe de Estado brasileiro foi o primeiro a discursar na abertura da Assembleia-Geral, ocasião em que criticou a atuação geopolítica dos Estados Unidos, condenou as ameaças de conflito envolvendo o Irã e o bloqueio no estratégico Estreito de Ormuz.
Em sua fala, o líder brasileiro também repudiou pressões estrangeiras sobre a América Latina. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou Lula, acrescentando que a região não necessita de forte presença militar externa para patrulhar suas águas territoriais.
Tensão com a imprensa e restrições de cobertura
À margem dos debates diplomáticos, o presidente americano protagonizou um momento de atrito com profissionais da imprensa ao chegar à sede da Organização das Nações Unidas na manhã desta terça-feira. Trump direcionou reclamações específicas à equipe da emissora norte-americana CNN.
“Estou surpreso que a CNN esteja aqui fazendo a minha cobertura. Vocês não deveriam estar aqui”, afirmou o presidente aos jornalistas presentes. “Vocês disseram que não fariam a cobertura, não deveriam estar me cobrindo.”
O episódio ocorre em meio a uma disputa jurídica e institucional entre a administração federal dos Estados Unidos e grandes veículos de comunicação. Na semana anterior, o governo anunciou a proibição do acesso de jornalistas da CNN, do portal Politico e de outras organizações à Casa Branca, sob a justificativa de punir a veiculação de reportagens consideradas imprecisas pela gestão atual.
Como resposta à medida restritiva, os veículos afetados acionaram a Justiça americana com uma ação formal contra o governo federal. Em solidariedade e protesto contra as restrições impostas aos profissionais de imprensa, emissoras como CBS, ABC, NBC e Fox News decidiram suspender temporariamente a produção e o fornecimento de cobertura conjunta em vídeo a partir das dependências da Casa Branca.
Fonte:: estadao.com.br


