Censo Escolar: Brasil reduz índices de reprovação, abandono e atraso

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os dados relacionados ao desempenho de estudantes que finalizaram o ensino médio na rede pública brasileira mostram evolução significativa entre 2022 e 2025. Durante esse período, o índice de reprovação foi reduzido em 62%, a taxa de abandono caiu 61% e os índices de atraso escolar diminuíram em 28%. Paralelamente, a taxa de aprovação aumentou em 11%.

Essas informações foram divulgadas na última sexta-feira (26) pelo Ministério da Educação (MEC) e fazem parte da segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O censo anual é utilizado para calcular as taxas de rendimento escolar em todo o país.

Programas Estruturantes

De acordo com o MEC, o avanço dos indicadores educacionais no Brasil é resultado da implementação de diversos programas estruturantes desde 2023, incluindo o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a escola em tempo integral, e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. Além disso, destaca-se a criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e os avanços no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, expressou satisfação com a retenção de mais estudantes na escola, o progresso nas séries e a conclusão dos estudos no tempo adequado. “O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e à melhoria das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, uma melhorias simultâneas nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil,” afirmou o ministro.

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Permanência e Impactos

Os dados revelam que um número maior de estudantes está conseguindo permanecer no ensino médio. Entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28%, o que indica que mais jovens estão continuando seus estudos de um ano letivo para o outro.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, destacou que, caso esse índice tivesse permanecido estável nos níveis de 2022, o Brasil teria cerca de 250 mil estudantes a menos no ensino médio em 2025, o que representa uma quantidade considerável de jovens que poderiam estar fora da escola, mas seguiram seus estudos.

Ações Integradas

Entre as iniciativas que contribuíram para a melhoria do ensino médio na rede pública está o programa Pé-de-Meia, que desde sua criação em 2024 já beneficiou 7,2 milhões de estudantes. Essa iniciativa oferece incentivos financeiros para os alunos que comparecem às aulas, passam de ano, concluem a educação básica e realizam as provas do Enem.

Para Barchini, o Pé-de-Meia é fundamental na recuperação da educação básica brasileira e um dos mais relevantes programas implementados nas últimas duas décadas, pois busca enfrentar a desigualdade de oportunidades. Ele enfatizou que “o jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda, mas uma política educacional destinada a melhorar a permanência e o desempenho dos alunos.”

Alfabetização em Alta

Os avanços no ensino médio também devem ser atribuídos a ações em outras etapas da educação básica. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, por exemplo, é responsável pela elevação do índice de alfabetização de 36%, em 2021, para 66%, em 2025. Esse programa busca assegurar que todas as crianças do país sejam alfabetizadas até o final do 2º ano do ensino fundamental, além de recuperar as habilidades afetadas pela pandemia para 100% dos alunos matriculados do 3º ao 5º ano.

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Educação em Tempo Integral

O Ministério da Educação ressaltou a evolução nas matrículas na modalidade de ensino em tempo integral, que subiu de 15,1%, em 2021, para 25,8%, em 2025, beneficiando 8,8 milhões de estudantes da rede pública. Nessa modalidade, os alunos permanecem na escola por pelo menos sete horas diárias, com o intuito de ampliar suas oportunidades de aprendizado.

Durante o período de 2021 a 2025, o sistema registrou mais de 1,8 milhão de novas matrículas. Essa é a primeira vez que a educação em tempo integral atingiu a meta do Plano Nacional de Educação, que previa um em cada quatro estudantes nesse formato.

Transformação Digital nas Escolas

O MEC também atribui a melhoria dos resultados à transformação digital das escolas públicas, promovida pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que visa ampliar a infraestrutura tecnológica das instituições e o acesso à internet de boa qualidade. Em consequência dessa estratégia, o número de escolas com conexão à internet aumentou em 43,7%: em 2023 eram 66,8 mil escolas conectadas, e agora esse número chega a 100 mil.

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De 2023 a 2025, o investimento nas escolas ultrapassou os R$ 3 bilhões, beneficiando cerca de 24 milhões de estudantes e ampliando as possibilidades de acesso a recursos educacionais digitais.

Exame Nacional do Ensino Médio

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil através de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fies. As inscrições para o Enem aumentaram em 46% entre 2022 e 2025, com um número crescente de concluintes de escola pública participando.

Neste ano, o Enem voltou a certificar a conclusão do ensino médio para participantes que atendem aos critérios estabelecidos e passou a contar com inscrição pré-preenchida para aqueles que vêm da educação básica na rede pública. O ministro Barchini destacou que o governo está intensamente trabalhando para que mais estudantes ingressem no ensino superior ou na educação profissional.

Em uma novidade para 2026, o Enem será adotado como ferramenta para avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil, ampliando ainda mais seu papel no monitoramento das políticas educacionais.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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