Centro de pesquisa e produção de insumos veterinários do Tecpar entra na reta final em Curitiba

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

Com 88% de sua estrutura física já concluída, o projeto de implantação do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), vinculado ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) em Curitiba, ingressou oficialmente em sua fase derradeira de execução. A expectativa da instituição é que a nova planta industrial, concebida para abastecer o mercado veterinário em âmbito nacional com reagentes cruciais para o diagnóstico de enfermidades como brucelose, tuberculose e leucose bovina, seja inaugurada até o término deste ano.

Para o quadriênio e o planejamento financeiro plurianual, o Governo do Paraná direcionou um montante de R$ 151 milhões ao Tecpar, viabilizando a execução de 22 iniciativas de relevância estratégica concentradas nos setores de saúde e inovação tecnológica. Deste total, a maior fatia dos recursos, equivalente a 40%, foi canalizada diretamente para o CIV. O investimento de R$ 58,9 milhões abrange tanto as obras civis quanto a aquisição de maquinário de ponta. Os aportes financeiros provêm do Fundo Paraná, uma dotação orçamentária gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

Na avaliação do diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a conclusão do centro permitirá que o estado reconquiste uma posição de destaque na fabricação nacional de itens voltados à medicina veterinária preventiva. De acordo com o dirigente, a relevância do projeto para a sustentabilidade da pecuária justifica o aporte histórico via Fundo Paraná. Trata-se de uma iniciativa com impacto direto em todo o território nacional, fortalecendo a cadeia produtiva e prestando apoio direto ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose Tuberculose.

Instalada no câmpus da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a unidade fabril desperta grande expectativa no setor produtivo e científico. O complexo ocupa uma área total de 3 mil metros quadrados e possui projeção de fabricar cerca de 40 milhões de doses de insumos anualmente. O projeto arquitetônico e de engenharia segue os parâmetros de biossegurança de Nível 3 (NB-3), contando com protocolos estritos de contenção biológica, instalações modernas e suporte técnico altamente qualificado para lidar com agentes patogênicos.

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Fases de validação e lotes-piloto

Conforme detalha a gerente do CIV, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo, o cronograma atual concentra-se na finalização da montagem eletromecânica dos equipamentos, no comissionamento de sistemas da unidade, na compra de matérias-primas e na capacitação técnica do quadro de colaboradores.

O planejamento técnico estipula que a fabricação dos lotes-piloto e os trâmites regulatórios para o registro sanitário dos compostos ocorram ao longo do segundo semestre de 2027. Essa fase abrangerá a síntese e a validação laboratorial dos primeiros lotes de antígeno acidificado tamponado, além de tuberculina bovina e aviária, substâncias fundamentais para a triagem e o controle epidemiológico da brucelose e da tuberculose nos rebanhos do país.

A comercialização e o fornecimento em larga escala para o mercado brasileiro, contudo, só serão iniciados após a obtenção formal dos registros pertinentes junto aos órgãos reguladores e a validação integral dos quesitos técnicos exigidos pelo setor.

Investimento em inovação e redução de dependência externa

Paralelamente às obras de infraestrutura do CIV, o Tecpar mantém em andamento frentes de pesquisa voltadas a suprir carências históricas do mercado interno no que tange aos insumos de saúde animal. Esses estudos científicos também contam com o respaldo financeiro do Fundo Paraná.

Um dos projetos prioritários dedica-se ao cultivo em larga escala de cepas da bactéria pertencente ao gênero Brucella spp., utilizando uma plataforma tecnológica de escalonamento produtivo. O objetivo central é assegurar a autossuficiência na obtenção do antígeno indispensável para identificar a brucelose em bovinos.

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Atualmente, o panorama nacional revela uma forte dependência do mercado externo, com a importação de mais de 70% dos antígenos consumidos para o diagnóstico da doença. Com a operação plena do CIV, a meta é consolidar Curitiba como um polo estratégico na geração nacional desses compostos. O projeto recebeu um aporte de R$ 5,6 milhões direcionados à modernização laboratorial.

Complementando as ações de pesquisa, uma segunda frente busca desenvolver, validar e registrar comercialmente um método nacional voltado à detecção da leucose enzoótica bovina (LEB). A proposta é que o instituto paranaense passe a produzir e ofertar kits diagnósticos baseados na tecnologia Elisa (Ensaio de Imunoabsorção Enzimática). Esta pesquisa específica recebeu recursos da ordem de R$ 400 mil e é realizada em regime de cooperação técnico-científica com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).

Fonte:: seti.pr.gov.br

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