A guerra no Oriente Médio se aproxima de seu centésimo dia sem que nenhum acordo de cessar-fogo tenha se mostrado efetivo. Diversas tentativas de negociação foram bloqueadas, intensificando as tensões entre os aliados envolvidos no conflito.
Em entrevista, Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, analisou que a administração Trump não opera com base em estratégias de longo prazo. “O que temos são apenas impulsos imediatos do presidente norte-americano”, afirmou. “A ideia de que ele pode fazer acordos são, normalmente, remendos para uma situação estratégica muito mais complexa.”
Negociações com o Hezbollah e a complexidade do Líbano
Poggio destacou que é relativamente inédito na história dos Estados Unidos um presidente declarar ter tratado diretamente com o Hezbollah. Contudo, ele ressaltou que o governo do Líbano possui pouco controle sobre a situação, o que torna as negociações ainda mais desafiadoras.
“Não basta negociar com o governo do Líbano, já que o Hezbollah tem objetivos distintos do governo libanês”, explicou. “Não é a mesma coisa que negociar um acordo imobiliário no mercado de Nova York.”
Cisão crescente entre Trump e Netanyahu
O analista também apontou para uma crescente ruptura entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Segundo Poggio, existe uma percepção crescente de que a administração Trump foi levada a um conflito com o Irã sem a devida avaliação das consequências.
“Se observarmos a recente entrevista que Netanyahu deu para a TV americana, em que expressa surpresa com a ação do Irã no Estreito de Ormuz, isso é bastante revelador”, disse. “Parece que Netanyahu está justificando a venda de um conflito contra o Irã que poderia ser facilmente resolvido pelos Estados Unidos.”
Poggio concluiu que as questões envolvendo o Hezbollah constituem um elemento importante que o Irã tem colocado na mesa de negociações, tornando o cenário ainda mais intrincado. “É uma situação de fato muito complexa e que não parece que tende a ser resolvida no curto prazo”, avaliou o especialista.
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Fonte: cnnbrasil.com.br


