Com previsão de El Niño no 2º semestre, Estado reforça mecanismos de apoio aos municípios

Marcelo Borges
8 min. de leitura
Foto: Divulgação / Iat.pr.gov.br

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) está monitorando semanalmente a evolução do fenômeno climático conhecido como El Niño, que pode impactar significativamente as condições atmosféricas ao longo do inverno de 2026. De acordo com as informações da Defesa Civil do Estado, ações preventivas, treinamentos e simulações estão sendo realizadas em parcerias com as prefeituras para preparar os municípios para eventuais consequências deste fenômeno.

Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, esclarece que El Niño se refere ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que provoca maior calor e umidade, resultando na formação de tempestades na região equatorial. Esse fenômeno altera a circulação de ventos em várias partes do mundo, especialmente na América do Sul, onde tende a provocar aumento no transporte de umidade e calor da região Amazônica para o sul do Brasil. Historicamente, o fenômeno gera secas no Norte e chuvas intensas no Sul do País.

Comparando as previsões do El Niño com os dados climáticos mensais observados pelo Simepar, é esperado que o inverno de 2026 apresente temperaturas mais amenas em relação ao ano anterior, com uma redução nas ondas de frio intenso. Para o segundo semestre deste ano, as chuvas deverão ser mais frequentes e intensas, com a previsão de que todas as regiões do Paraná registrem precipitações acima da média histórica. A metade sul do estado, que costuma ser mais afetada por esses fenômenos, deve ter uma maior incidência de chuvas.

O Simepar, em conjunto com a Defesa Civil, elaborou uma nota técnica com orientações sobre o fenômeno e apresentou previsões para a imprensa na última quarta-feira. Em nível internacional, o fenômeno El Niño é monitorado através da sigla ENOS, que representa a oscilação entre o aquecimento (El Niño) e o esfriamento (La Niña) das águas do Pacífico Equatorial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) considera o ENOS um dos fenômenos climáticos mais impactantes, uma vez que altera a circulação atmosférica em todo o planeta.

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A evolução do El Niño é acompanhada trimestralmente, com médias móveis de três meses, que são comparadas a uma média de 30 anos. Atualmente, ainda estamos em uma fase de neutralidade das águas, mas a partir do inverno de 2026, espera-se que o fenômeno comece a se intensificar, impactando gradativamente o clima no Paraná, alcançando condições de forte a muito forte entre a primavera e o verão.

No mês de julho, uma equipe do Simepar visitará a NOAA para fortalecer a cooperação no monitoramento desses fenômenos climáticos extremos. Os técnicos da agência americana participaram recentemente de um seminário realizado pelo Simepar focado na prevenção a tornados.

Preparação e Ações de Prevenção

Com base nas previsões do Simepar, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) conduziu uma reunião com os 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) para revisar e reforçar as atividades preventivas junto às prefeituras. As principais diretrizes incluem a atualização do Plano de Contingência, com o mapeamento das áreas de risco que são vulneráveis a inundações e deslizamentos.

Além disso, foi enfatizada a importância da gestão preventiva, incluindo a desobstrução de galerias pluviais e a dragagem de canais, estratégias que são cruciais para otimizar o escoamento durante chuvas intensas. O acompanhamento contínuo dos alertas emitidos pela Defesa Civil e a vigilância em encostas propensas à movimentação de massa também estão entre as ações destacadas. De acordo com o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil, a atenção dessas ações de prevenção se concentra nas regiões com histórico de eventos relacionados ao excesso de precipitação.

A cidade de Morretes, no Litoral, já realizou simulados de desastres, enquanto Antonina planeja um exercício similar para este mês. Essas iniciativas pretendem capacitar gestores e a comunidade no enfrentamento de situações adversas, permitindo a mitigação de riscos e a definição de ações apropriadas a serem tomadas em momentos críticos.

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O Major Anderson Gomes, chefe do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd), ressaltou que embora se esperem anormalidades, ainda não é possível prever quais regiões serão mais afetadas ou a magnitude do impacto. A cooperação com o Simepar é fundamental para definir estratégias de atuação e para manter a população informada por meio da emissão de alertas.

O Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) está disponível para apoiar prefeituras em projetos de infraestrutura, tendo destinado R$ 16,2 milhões nos últimos sete meses para obras de drenagem em Londrina e Guaratuba, além da construção de pontes na área rural de Espigão Alto do Iguaçu.

Este mês, a Defesa Civil realizará a maior capacitação de voluntários da sua história, com mais de 3 mil pessoas em formação para auxiliar em situações de emergência. A conclusão dos cursos os habilitará a contribuir em casos extremos.

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Monitoramento e Iniciativas Futuras

Para aprimorar a capacidade de prevenção, o Simepar iniciou o processo de contratação de novos meteorologistas e de edição dos programas Monitora Paraná e Monitora Litoral, que contemplam a aquisição de radares meteorológicos e boias oceanográficas, com parceria do Instituto Água e Terra (IAT). Essas aquisições têm o suporte da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável.

O programa Monitora Paraná, por exemplo, visa utilizar dados provenientes de novos radares para informar a população sobre situações de risco, em colaboração com a Defesa Civil. A nova tecnologia de radar inclui modelos Doppler com polarização dupla, considerados os mais avançados na meteorologia, e serão adquiridos em três diferentes tipos (S, C e X) para atender as distintas realidades regionais do Paraná.

Recentemente, a empresa finlandesa Vaisala iniciou a produção do radar banda C, que deve ser entregue até dezembro, enquanto um radar de banda S, encomendado da empresa alemã Leonardo, será instalado em Jandaia do Sul e deve ser testado em agosto. Além disso, um radar de banda X, fabricado pela Gamic, será alocado em Pontal do Paraná, destacando-se pela alta resolução de imagens para detecção de fenômenos meteorológicos em pequena escala.

Atualmente, o Simepar já possui um radar de banda X em Curitiba, e estão em fase de planejamento a aquisição de mais três radares, um para substituir o antigo de Teixeira Soares. O projeto Monitora Litoral também contempla a implementação de um Sistema de Modelagem Oceanográfica e um Sistema de Alertas de Desastres, que são essenciais para o monitoramento de rios e das condições oceânicas.

O monitoramento da Defesa Civil Estadual está em funcionamento 24 horas, com apoio dos meteorologistas do Simepar, garantindo que alertas sejam enviados em tempo real, especialmente em situações climáticas severas. Para que a população receba esses alertas, é necessário realizar um cadastro gratuito que pode ser efetuado enviando o CEP por SMS ou via WhatsApp.

Fonte:: iat.pr.gov.br

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