Transformar uma ideia inovadora em um negócio de sucesso exige planejamento estratégico, dedicação e, acima de olhos atentos às oportunidades do mercado. Durante sua participação na coluna CBN Empreendedorismo, o especialista Douglas Zela detalhou os caminhos fundamentais para empreendedores que desejam ingressar no ecossistema de inovação e criar uma startup viável desde a fase inicial.
De acordo com o especialista, o erro mais comum no início da jornada é a busca precoce por aportes financeiros. Antes de tentar captar recursos com investidores-anjo ou fundos de investimento, o criador do projeto deve focar em estruturar o modelo de negócio de forma sólida. O aproveitamento de iniciativas de apoio governamentais e privadas é crucial nesse momento para mitigar custos operacionais e maximizar os recursos disponíveis.
O valor da execução e o ecossistema de Curitiba
Durante a análise, Zela enfatizou que uma grande ideia por si só possui valor limitado; o diferencial competitivo surge apenas quando o conceito é colocado em prática com eficiência. A chamada fase inicial, amplamente conhecida no mercado como early stage, costuma apresentar barreiras significativas de financiamento, sendo muitas vezes difícil convencer até mesmo familiares e conhecidos a apostarem capital no projeto.
Para contornar essa escassez de recursos financeiros no início da operação, o professor destacou a relevância de estruturas locais de fomento, a exemplo do Pinhão Hub e do robusto ecossistema de inovação do Vale do Pinhão, localizado em Curitiba. Como exemplo da força dessa rede, ele mencionou o processo de seleção mais recente do hub, que atraiu 56 inscrições de startups vindas de diversas regiões do país. Desse total, 20 empresas foram selecionadas para o programa e oito alcançaram a fase decisiva de apresentação de pitches.
A utilização de espaços colaborativos e incubadoras públicas traz vantagens competitivas expressivas para os novos negócios. O acesso a salas privativas e programas de capacitação gratuitos, viabilizados por meio de editais e chamamentos públicos, permite cortes expressivos em despesas fixas como aluguel de imóveis, infraestrutura básica e conexão com a internet. Essa economia possibilita que os fundos iniciais sejam direcionados integralmente para o desenvolvimento do produto e para a validação do Minimum Viable Product (MVP), conceito essencial para testar a aceitação da solução junto ao público-alvo.
Desenvolvendo o produto e atraindo o mercado
À medida que a inovação ganha tração operacional e comprova sua viabilidade técnica e comercial, o projeto naturalmente passa a despertar o interesse do mercado e de potenciais investidores. Curitiba, segundo o especialista, destaca-se por oferecer um ambiente fértil, dispondo de múltiplos espaços de coworking, hubs tecnológicos consolidados e políticas públicas direcionadas especificamente ao fomento do empreendedorismo inovador.
Contudo, o salto para a busca de capital externo exige maturidade e preparação rigorosa. Douglas Zela reforçou que a prospecção de investidores precisa ocorrer apenas quando o fundador possuir total domínio e segurança sobre a solução que está ofertando ao mercado.
Estratégia e mentoria como diferenciais competitivos
Para obter sucesso na captação de recursos, o empreendedor deve conhecer profundamente as potencialidades, limitações, diferenciais competitivos e vulnerabilidades do seu modelo de negócio. Estar preparado para responder a questionamentos complexos de forma clara, objetiva e transparente é um requisito indispensável nas reuniões de negociação.
O colunista também pontuou que o suporte de programas de mentoria e a preparação prévia exercem um papel determinante antes de expor a startup a bancas avaliadoras ou fundos de investimento. O fundador precisa consolidar um planejamento estratégico estruturado, acompanhado de um plano de ação detalhado e um plano de negócios fundamentado em dados reais do mercado, garantindo assim que a proposta demonstre solidez, escalabilidade e alto potencial de retorno.
Fonte:: cbncuritiba.com.br


