Desafios na segurança do trânsito com a alta de veículos sobre duas rodas

Marcelo Borges
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Crédito: Imagem ilustrativa gerada por inteligê...

A mobilidade urbana tem passado por uma fase de transformação acelerada nos últimos anos. A quantidade de motocicletas, bicicletas e veículos elétricos, como patinetes e modelos movidos a bateria, registra expansão contínua, impulsionada pela busca da população por alternativas mais econômicas, ágeis e dinâmicas para o deslocamento diário. Se por um lado essa modalidade traz praticidade e amplia as opções de transporte nos centros urbanos, por outro, o adensamento do tráfego impõe um desafio urgente: assegurar a convivência pacífica e segura entre todos os frequentadores das vias públicas e mitigar os índices de ocorrências que resultam em feridos e perdas de vidas diariamente.

As estatísticas recentes evidenciam a gravidade dessa realidade. Somente no Paraná, no período compreendido entre janeiro e abril de 2025, a Polícia Rodoviária Federal catalogou 833 ocorrências envolvendo motocicletas nas rodovias federais que cortam o estado, o que representou uma alta de 6% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. O número de óbitos apresentou um salto ainda mais expressivo, subindo 21,6% e passando de 37 para 45 vítimas fatais. Os dados indicam que aproximadamente quatro em cada dez ocorrências registradas nas estradas federais paranaenses contaram com a participação de motociclistas.

No cenário intramunicipal, a situação demanda igual atenção das autoridades e da sociedade. Informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde revelam que o território paranaense acumulou mais de 8 mil internações hospitalares de condutores de motocicletas ao longo de 2024, um reflexo direto de episódios que geram profundos impactos de ordem humana, social e econômica para as famílias e para o sistema de saúde pública.

Em Maringá, município amplamente reconhecido por seu planejamento urbano estruturado e pelo elevado fluxo diário de automóveis e motocicletas, o panorama também gera apreensão. Relatórios fornecidos pelo Detran-PR mostram que milhares de ocorrências de trânsito são oficializadas anualmente na cidade, mantendo os motociclistas na linha de frente das estatísticas de mortalidade viária. O uso cada vez mais massivo desses meios de transporte torna imperativa a melhoria contínua da infraestrutura viária, a ampliação de programas de educação para o trânsito e o fortalecimento da conscientização de motoristas e pedestres.

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Além das melhorias estruturais nas vias, especialistas na área destacam que grande parcela dos acidentes severos poderia ser evitada com a adoção de medidas básicas de prudência. Entre os principais fatores de risco identificados estão a condução acima do limite de velocidade permitido, o manuseio de aparelhos celulares ao guidão ou volante, a desobediência à sinalização vertical e horizontal, a realização de ultrapassagens em locais proibidos, conversões executadas sem a devida cautela, o tráfego na contramão de direção, a ausência de vestimentas e equipamentos de proteção adequados e o desconhecimento aprofundado das normas que regem a circulação urbana e rodoviária.

Frente a essa problemática, entidades como a Ric Record, a Bless Internet e a Acim uniram esforços estratégicos para viabilizar o lançamento da campanha Duas Rodas, uma iniciativa de abrangência regional voltada primordialmente para a conscientização cidadã, a difusão da educação no trânsito e a preservação da vida humana.

Mais do que uma mobilização restrita aos motociclistas, o projeto, intitulado Duas Rodas, Uma Vida, amplia o escopo do debate para contemplar a segurança integral de todos aqueles que utilizam meios de transporte compostos por duas rodas, englobando motociclistas tradicionais, ciclistas e condutores de veículos elétricos individuais.

O foco principal da campanha vai além da simples divulgação de dados frios e estatísticas alarmantes, buscando fomentar uma transformação cultural e comportamental duradoura. O emprego adequado de capacetes e acessórios de proteção, a realização periódica de manutenções preventivas nos veículos, o cumprimento rigoroso da legislação vigente e a manutenção de um estado de atenção plena durante os trajetos representam atitudes simples, porém decisivas para a salvaguarda de vidas.

Em um sistema de trânsito em constante diversificação, onde diferentes modelos de mobilidade dividem as mesmas faixas de rolamento, a segurança coletiva passa necessariamente pela responsabilidade individual. Afinal, por trás de cada capacete ou guidão, existe um cidadão, um membro de família e uma trajetória pessoal que precisa retornar ao lar sem intercorrências. É com essa premissa que a campanha Duas Rodas, Uma Vida se consolida, atuando como um instrumento de informação, conscientização e fomento a um trânsito mais humano, ético e seguro para toda a coletividade.

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Fonte:: ric.com.br

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