Curso de jardinagem na PIMP-UP transforma rotina e cultiva novos caminhos dentro do cárcere

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

Nos dias 20 e 21 de maio, a horta da Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro – Unidade de Progressão (PIMP-UP), localizada em Cascavel, foi transformada em um espaço de ensino e ressignificação. Em uma colaboração entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dez pessoas privadas de liberdade participaram do curso intitulado “Jardins Produtivos – Horta e Pomar”, que combinou teoria e prática em uma programação de dois dias.

A iniciativa vai além do ensino das técnicas agrícolas, pois busca promover a reintegração social, conforme preconizado pela Lei de Execução Penal (nº 7.210). Os participantes encontram a oportunidade de reconstrução de suas vidas, enquanto aprendem a aplicar o conhecimento adquirido na horta da unidade, que já produz hortaliças, verduras e frutas consumidas diariamente. Esse aprendizado cria um ciclo que vai desde o plantio até o consumo, contribuindo para uma nova dinâmica na rotina dos internos.

O coordenador regional de Cascavel, Thiago Correia, enfatiza que iniciativas como esta são fundamentais para o sistema prisional. “As parcerias são essenciais para garantir que a educação e a qualificação cheguem de forma eficaz às unidades. Todos os cursos são realizados com o apoio de instituições parceiras, que possibilitam não apenas a transmissão de conhecimentos técnicos, mas também a chance de recomeçar, de reescrever histórias. É o que buscamos: abrir portas para novas perspectivas de vida”, afirma Correia.

A formação é parte de um conjunto de capacitações que já foram realizadas na unidade, atuando como um complemento prático e contínuo. Giane Fátima Dranka Mori, engenheira agrônoma e instrutora do Senar, que já esteve na PIMP-UP em outras ocasiões, destaca que cada visita à unidade traz consigo a percepção de progresso e comprometimento dos alunos. “O curso abrange o preparo do solo e o manejo das plantas. É uma aprendizagem que adiciona valor aos outros módulos apresentados anteriormente. O momento prático é crucial, pois permite que eles reconheçam questões como pragas e doenças e as formas corretas de manejo, compreendendo a continuidade dos cuidados que a produção requer”, explica.

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Na PIMP-UP, o aprendizado transcende o tempo do curso; ele é vivido diariamente, através do contato constante com a terra. O diretor da unidade, Álvaro Marcelo Alegrette, ressalta a importância desse diferencial da iniciativa, afirmando: “Aqui, temos um ambiente que favorece a formação, pois já possuímos uma horta produtiva com hortaliças, verduras e frutas consumidas internamente. O curso não se limita à teoria; ele permite que os participantes coloquem em prática o que aprenderam. Além disso, existe a possibilidade de remição de pena, que funciona como um incentivo significativo. É um ciclo completo: eles aprendem, aplicam, produzem e consomem. Isso fortalece o senso de responsabilidade e de utilidade dentro da unidade”.

Para os participantes, o impacto do curso vai bem além do conhecimento técnico. Após mais de três anos encarcerado, um dos participantes encontrou no curso uma oportunidade de reconexão. “Aprendi que é preciso cuidar da planta desde pequena. As técnicas que utilizamos ajudam no seu melhor desenvolvimento, como a remoção de ervas daninhas para que não a sufocem. A poda também contribui para um crescimento mais rápido. Eu fiquei bastante concentrado em aprender tudo, porque esta é uma oportunidade muito importante para o meu desenvolvimento”, compartilhou.

“Entre enxadas, mudas e ensinamentos, o que se planta ali vai além de alimentos. São sementes de autonomia, dignidade e futuro. Em um ambiente frequentemente marcado pela espera, iniciativas como essa demonstram que também é viável cultivar movimento e, principalmente, recomeços”, observa o vice-diretor da unidade, Rafael Marcante.

Fonte: policiapenal.pr.gov.br

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