O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou nesta sexta-feira (19) que o ex-presidente Jair Bolsonaro preste um depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal. A medida se refere à apreensão de uma arma que estava em nome do político, ocorrida durante uma blitz realizada na última terça-feira (16).
O delegado Thiago Boing, que está conduzindo as investigações, havia tentado intimar Bolsonaro para que esclarecesse como a arma foi parar nas mãos do sargento do Exército, Estácio Leite da Silva Filho, que é responsável pela sua segurança. No entanto, a intimação não pôde ser entregue pelos agentes da Polícia Civil devido à ação da equipe de segurança de Bolsonaro, que atua em sua prisão domiciliar.
Diante da situação, o delegado solicitou ao ministro Moraes a autorização necessária para a entrega do documento e o interrogatório foi agendado. Inicialmente, havia a intenção de que o ex-presidente fosse ouvido por videoconferência na próxima quarta-feira (24), mas o ministro determinou que a oitiva aconteça presencialmente no dia anterior, na terça-feira (23), às 15h, no condomínio onde Bolsonaro reside, localizado no bairro Jardim Botânico, em Brasília.
Médico deve acompanhar Bolsonaro durante depoimento
Em seu despacho, Alexandre de Moraes também fez uma solicitação à defesa de Bolsonaro, pedindo que um profissional de saúde acompanhe o depoimento do ex-presidente. Os advogados inicialmente indicaram Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mas o nome foi recusado pelo ministro. Moraes justificou a rejeição ao destacar que Torres não possui a qualificação necessária para avaliar a condição de saúde do ex-presidente, que enfrenta problemas de soluços e já esteve internado anteriormente devido a uma broncopneumonia.
Além disso, Bolsonaro passou recentemente por uma cirurgia no ombro, o que levanta preocupações sobre sua saúde durante o depoimento.
Sargento no centro da investigação e sua relação com Bolsonaro
O sargento Estácio Leite da Silva Filho, flagrado com a arma, tinha um histórico ligado à segurança de Jair Bolsonaro, atuando nessa função ao longo de 2022. Em dezembro daquele ano, após o término do mandato de Bolsonaro, Estácio foi nomeado assistente técnico da equipe encarregada de acompanhar o ex-presidente. Ele acompanhou Bolsonaro em viagens internacionais, incluindo viagens aos Estados Unidos em janeiro e março de 2023, e mais recentemente, em uma viagem a Buenos Aires, Argentina, para a posse do presidente Javier Milei, em novembro de 2023.
Em março de 2023, quando Bolsonaro estava preso em um local conhecido como “Papudinha”, Moraes autorizou a entrada de Estácio e outros três assessores na unidade, sob a justificativa de que seriam eles os responsáveis pela entrega de alimentação especial ao ex-presidente, que havia sido condenado pela tentativa de golpe de Estado.
No mês seguinte, já em sua residência em prisão domiciliar, o ex-presidente recebeu a autorização de Moraes para a presença de Estácio em sua casa, continuando a relação proximamente ligada entre os dois.
*
Acompanhe em: ric.com.br


