Dia das Mães em 2026: bolso apertado faz experiências saírem da lista de presentes

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Restaurante (Foto: Unplash)

No Dia das Mães de 2026, as mudanças no comportamento de consumo evidenciam uma adaptação às condições econômicas atuais. Após um aumento significativo na popularidade de experiências como presentes em 2025 – incluindo jantares, dias de spa e viagens – os consumidores de 2026 mostram uma preferência mais pronunciada por itens tradicionais como vestuário e cuidados pessoais. Dados da Elo Performance & Insights indicam o retorno dos “presentes seguros” ao centro das escolhas, refletindo um contexto de economia contida e um novo padrão de gastos.

A previsão para o Dia das Mães deste ano é de um crescimento de 4% no total de vendas em comparação com o ano anterior, com um ticket médio estimado em R$ 176. Este comportamento de consumo já foi observado desde 2024, quando uma tendência de compras emergiu com um forte volume de transações concentradas na véspera da celebração.

Mudanças nas Comemorações

O setor de alimentação, especialmente o de bares e restaurantes, exemplifica bem essa alteração. Em 2024, o setor teve um crescimento de 7,7% no Dia das Mães, que caiu para 2,7% em 2025. Para 2026, as projeções indicam uma estabilização em torno de 3%. Essa desaceleração sinaliza um deslocamento no foco das comemorações, que parece ter migrado do ambiente dos restaurantes para o aconchego do lar, priorizando momentos de convivência familiar e um controle mais rígido sobre os gastos.

De acordo com João Vitor Ferreira, gerente executivo de Relação com Investidores & Data Analytics da Elo, “a celebração está se movendo da mesa do restaurante para a mesa da sala, com um foco maior na interação familiar em vez de experiências externas”.

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Os dados do IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, revelam uma inflação de 6,54% nos preços de alimentos fora de casa nos 12 meses encerrados em março, um fator que contribui para a estratégia de contenção de despesas das famílias.

A pesquisa realizada pelo IBEVAR-FIA em 2025 já havia mostrado uma valorização dos encontros familiares, onde experiências como jantares e spas eram populares opções de presente; agora, as famílias estão optando por celebrar de forma mais acessível, realizando encontros em casa, em vez de recorrer a serviços pagos.

Volta aos Clássicos

Neste ano, os consumidores parecem ter redescoberto o que se pode chamar de “porto seguro” para presentes, que abrangem roupas, calçados e acessórios, além de produtos de cuidados pessoais. Espera-se um aumento de aproximadamente 40% nas vendas dessas categorias na semana do Dia das Mães, consolidando um padrão de consumo que permanece forte e constante desde 2024.

Ferreira comenta: “Os consumidores demonstram um desejo de acertar na escolha do presente e na gestão do orçamento. A preferência por roupas e perfumes, combinada com as compras de última hora na véspera da data, reflete uma postura de aversão ao risco.”

Compras de Última Hora se Tornam Rotina

Outro padrão que se estabelece é o da compra de última hora, que deixou de ser visto como sinal de desorganização e passou a ser uma característica do comportamento de consumo no Dia das Mães. O sábado que antecede a data deve registrar um aumento de 29% no volume de transações em comparação a um sábado comum, um padrão mantido nos últimos três anos.

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Nos dias que antecedem as comemorações, as principais categorias de presentes alcançam seu pico: espera-se um crescimento de 83% nas vendas de roupas e acessórios, enquanto os produtos de cuidados pessoais devem ter um aumento de 78% nesse mesmo período, repetindo tendências do ano anterior.

Cenário Econômico de Cautela

A análise da Elo sugere que a relativa estagnação do consumo no Dia das Mães de 2026 é resultado de um contexto econômico que incentiva a cautela. O crescimento projetado de 4% na receita da data é considerável, mas não caracteriza um ciclo de expansão robusto.

Os consumidores se mostraram relutantes em realizar gastos menos previsíveis, como viagens, que continuam a ser um desejo, mas não têm tração nas vendas. Além disso, um controle maior dos gastos está sendo exercido em relação a experiências fora de casa, que normalmente implicam despesas adicionais com bebidas, transporte e gorjetas.

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Fonte: infomoney.com.br

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