A Entidade Administradora da Faixa (EAF) decidiu expandir a Rede Privativa Móvel do Governo Federal utilizando o modelo de Operadora Móvel Virtual Segura (SMVNO). A escolha por essa arquitetura tecnológica foi estruturada com o objetivo de assegurar a total viabilidade financeira e a racionalidade operacional do projeto no país.
A definição pelo novo formato ocorreu após análises aprofundadas de viabilidade técnica e econômica mostrarem que a construção de uma infraestrutura de acesso própria do zero, operando na faixa de 700 MHz, seria inviável. A manutenção de milhares de antenas exclusivas para atender um público inicial estimado em 31.500 usuários, inicialmente no Distrito Federal, geraria custos operacionais incompatíveis com os princípios de economicidade da administração pública.
Para otimizar a aplicação dos recursos disponíveis, a estratégia adotada pela EAF baseou-se em exemplos de redes globais consolidadas, a exemplo da FirstNet, nos Estados Unidos, e da RRF, na França, que também utilizam o modelo SMVNO para gerenciar comunicações críticas de segurança.
De acordo com o COO da EAF, Geraldo Segatto, a iniciativa busca solucionar um obstáculo histórico enfrentado pelo Brasil na área de telecomunicações e segurança pública.
“Este projeto está alinhado com uma necessidade atual e crítica do Brasil”, afirma Geraldo Segatto. “Por isso, utiliza-se a rede privada do governo para formar uma rede móvel exclusiva de comunicação crítica, cuja função principal é realizar a integração das forças de segurança e de primeiros socorros — como definido na lei federal — e evoluir essas redes para os novos serviços demandados por essas corporações”, complementa o executivo.
Arquitetura e funcionamento da infraestrutura
Nessa arquitetura específica, cabe à EAF a responsabilidade de implantar e gerenciar o núcleo, conhecido como core da rede. Trata-se de um ambiente próprio e altamente dedicado onde ficam concentradas toda a inteligência operacional e a segurança avançada dos dados governamentais.
Por sua vez, a capilaridade necessária para o funcionamento do sistema será fornecida por operadoras parceiras, viabilizando a expansão da cobertura em nível nacional de maneira ágil. O modelo operacional exige a utilização de gateways robustos, múltiplas camadas de proteção digital e um rigoroso controle de tráfego, mantendo total aderência ao padrão internacional 3GPP.
A estruturação financeira de longo prazo representa a base fundamental para garantir a sustentabilidade e a expansão contínua desta rede privativa. Atualmente, o Ministério das Comunicações e a Telebras trabalham na finalização de um plano de negócios detalhado para viabilizar economicamente a operação contínua e a manutenção dos sistemas.
Com os recursos orçamentários garantidos, o projeto tem previsão de avançar rapidamente em duas frentes principais: a contratação definitiva do núcleo, que atua como o cérebro tecnológico da rede, e a abertura de um processo de seleção por meio de RFP para escolher as operadoras parceiras responsáveis por fornecer a cobertura móvel no formato SMVNO.
O planejamento estratégico traçado busca a contratação de duas empresas distintas, estabelecendo assim uma redundância eficiente na cobertura móvel. Essa característica é considerada essencial para proteger as corporações de segurança pública contra eventuais falhas técnicas, interrupções ou quedas de sinal em momentos críticos.
Superação de barreiras tecnológicas e integração
O projeto desenvolvido pela EAF atua diretamente para combater a fragmentação histórica da comunicação crítica no Brasil, um gargalo que costuma ficar evidente durante a realização de operações conjuntas de grande proporção envolvendo diferentes órgãos do Estado.
Atualmente, mais de 100 agências brasileiras ainda utilizam redes isoladas e tecnologias distintas, como os padrões TETRA, P25 e DMR, que muitas vezes não interoperam entre si. A primeira fase do projeto da EAF, já implementada no Distrito Federal, conseguiu superar essa barreira ao integrar de forma inédita as comunicações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), das polícias legislativas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além das Forças Armadas.
Essa integração foi viabilizada por meio da plataforma de missão crítica MCx, fornecida pela Motorola, beneficiando de maneira direta diversas outras agências voltadas para a segurança pública, o atendimento de emergências e a defesa nacional.
Outro avanço regulatório de grande impacto que está sendo discutido em conjunto com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) diz respeito à implementação das funções de Prioridade e Preempção (QPP). A tecnologia funciona de forma análoga a uma sirene digital: em cenários de forte congestionamento das redes comerciais — a exemplo de grandes eventos esportivos ou manifestações —, os agentes de segurança pública ganham prioridade absoluta no uso da rede de dados móveis para coordenar suas ações com eficiência.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


