Entidades denunciam golpe eleitoral nos EUA que pode beneficiar Trump

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © REUTERS/Leah Millis/Proibida reprodução

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Entidades que representam o movimento negro e os direitos civis nos Estados Unidos (EUA) denunciaram um ataque à democracia norte-americana em razão da decisão da Suprema Corte, de maioria conservadora, que invalidou o mapa eleitoral para o Congresso do estado da Louisiana.

O presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, declarou que a democracia dos EUA “clama por socorro”.

De acordo com Johnson, a decisão tem um impacto devastador sobre a legislação que protege os direitos dos eleitores e dá margem a políticos corruptos que desejam manipular o sistema, silenciando comunidades inteiras. Ele ressaltou que a Suprema Corte traiu os eleitores negros e a própria democracia americana.

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Com um placar de seis votos a três, a decisão do Supremo modificou a aplicação da Lei dos Direitos de Voto, ao determinar que o mapeamento eleitoral de Louisiana estava excessivamente baseado em critérios raciais. Como resultado, dois distritos de maioria negra poderão ser alterados, o que poderá impactar a composição política do estado.

Logo após a decisão, o governador da Louisiana, Jeff Landry, anunciou na quinta-feira (30) o cancelamento das primárias programadas para 16 de maio, visando ajustar os mapas eleitorais antes da votação.

Especialistas analisam que as alterações podem beneficiar o Partido Republicano e o ex-presidente Donald Trump, especialmente em um momento em que o líder vem enfrentando queda em sua popularidade devido aos desdobramentos políticos e econômicos da guerra contra o Irã.

A razão para esta preocupação é que a decisão permite que estados modifiquem os mapas eleitorais de distritos que historicamente possuem majoritariamente eleitores negros e latinos, que tendem a votar nos democratas, com base na justificativa de que esses distritos foram desenhados considerando questões raciais.

O reverendo Al Sharpton, presidente da National Action Network, uma das principais organizações de direitos civis dos EUA, também criticou a decisão, afirmando que ela “desmantelou” o legado de Martin Luther King, que lutou contra legislações que restringiam o direito ao voto dos negros americanos. Sharpton enfatizou que essa decisão representa uma traição ao movimento pelos direitos civis.

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Reação de Trump

O ex-presidente Donald Trump expressou apoio à decisão da Suprema Corte, afirmando: “Esse é o tipo de decisão que eu gosto”, em declarações feitas à imprensa na Casa Branca.

Além disso, Trump fez um agradecimento ao governador Landry por levar o caso ao tribunal supremo e por agir rapidamente para corrigir o que considerou uma inconstitucionalidade nos mapas eleitorais da Louisiana.

No mesmo dia, Trump incentivou o governador do Tennessee a modificar os distritos eleitorais com o intuito de favorecer os republicanos, afirmando que isso poderia proporcionar uma cadeira a mais ao partido e ajudar a “salvar nosso país dos democratas da esquerda radical”.

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Respostas dos Democratas

As lideranças democratas prometeram agir para evitar a perda de representação, o que poderia intensificar a manipulação eleitoral, conhecida como gerrymandering, e afetar as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro deste ano.

A prática de gerrymandering, que envolve a alteração das fronteiras dos distritos eleitorais para beneficiar um partido, tem se intensificado, especialmente após o Texas ter realizado modificações em seus distritos com esse propósito. Outros estados como Califórnia e Missouri seguiram o exemplo do Texas.

Uma análise do New York Times indicou que em um estado onde a vice-presidente Kamala Harris obteve 43% dos votos anteriormente, o Partido Republicano poderia controlar 86% das cadeiras na Câmara, o que reflete os impactos diretos dessas mudanças.

A Flórida, um dos estados que recentemente alterou os mapas eleitorais, se tornou o oitavo a fazê-lo visando as eleições para o parlamento de 2026, com alterações que tendem a beneficiar os republicanos. Enquanto isso, mudanças em estados como Califórnia, Utah e Virgínia buscarão favorecer os democratas.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) caracterizou a decisão da Suprema Corte como “vergonhosa”, defendendo que a Lei dos Direitos de Voto é fundamental para a democracia multirracial do país. Alanah Odoms, diretora da ACLU em Louisiana, argumentou que a decisão só deve encorajar políticos a implementar novas restrições ao direito ao voto.

Compreendendo o Gerrymandering

Nos Estados Unidos, o sistema eleitoral é essencialmente distrital, onde um candidato deve conquistar a maioria dos votos em um determinado distrito para ser eleito. Isso significa que eleitores de uma minoria em um distrito não têm representação, o que torna a manipulação das fronteiras dos distritos uma estratégia crucial para moldar resultados eleitorais favoráveis.

Por exemplo, ao redesenhar um distrito predominantemente negro de forma a dividi-lo com uma população branca rural, essa população negra pode se tornar minoria em distritos distintos, influenciando a representação política de forma negativa.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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