À primeira vista, o cenário do Porto de Paranaguá é dominado pelo movimento constante de imensos navios cargueiros, guindastes imponentes e uma complexa engrenagem logística que interliga o Paraná ao comércio global. Contudo, sob a superfície das águas, o cenário se transforma dramaticamente. Nos estuários, onde o rio encontra o mar, o ecossistema dos manguezais se revela como um ambiente dinâmico e repleto de vida, ficando totalmente submerso no auge da maré alta, o que proporciona abrigo a uma rica biodiversidade marinha.
Conciliar a função de um dos maiores complexos portuários da América Latina com a conservação ambiental é uma significativa conquista dos pesquisadores e técnicos que atuam no Porto de Paranaguá. Estudos realizados recentemente demonstram que a área portuária abriga uma vasta gama de espécies nativas, que vão desde pequenos peixes estuarinos, que dependem das raízes dos manguezais para se proteger, até grandes predadores que visitam a baía em busca de alimento.
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Olhar para a ciência
Para compreender a riqueza existente nessas águas, a empresa pública Portos do Paraná está investindo em um programa ambiental focado na ictiofauna e apoiando pesquisas acadêmicas relacionadas ao tema. O monitoramento científico contínuo é fundamental, e o trabalho desenvolvido na região é reconhecido como um estudo de importância científica. Atualmente, a colaboração com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), através do Centro de Estudos do Mar (CEM), conta com três convênios ativos para mapeamento e catalogação das espécies locais, além de fornecer dados para diversos pesquisadores, conforme a demanda.
Pesquisadores paranaenses afirmam que a Baía de Paranaguá funciona como um ecossistema de transição. “A combinação da água doce dos rios com a água salgada do Oceano Atlântico cria um ambiente rico em nutrientes. Espécies como robalos, corvinas e bagres marinhos encontram ali condições ideais para reprodução e crescimento. A presença de uma comunidade de peixes tão diversa e saudável é o principal indicador de que a qualidade da água e os habitats circundantes estão conseguindo resistir às pressões causadas pela ação humana”, explica Pedro Pisacco Pereira Cordeiro, coordenador de Comunicação, Educação e Sustentabilidade dos Portos do Paraná.
Cuidado máximo
A manutenção desse ecossistema não ocorre por acaso. Ela é resultado de uma gestão que reconhece que o crescimento econômico não pode ocorrer em detrimento da sustentabilidade. Programas rigorosos de monitoramento ambiental controlam não apenas a qualidade da água e dos sedimentos, mas também o ruído subaquático gerado pelas embarcações.
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A proteção da fauna marinha é uma prioridade nas operações diárias e nos planos de expansão do porto. O monitoramento da ictiofauna, por exemplo, permite antecipar impactos e adaptar dragagens ou obras estruturais para não interferir nos períodos de defeso ou na vulnerabilidade das espécies locais.
Além disso, o programa ambiental de monitoramento de cetáceos e quelônios garante que a movimentação de grandes navios e as atividades ruidosas não interfiram nas espécies locais. É comum avistar botos próximos à área do porto, uma vez que esses animais costumam utilizar as estruturas e os próprios costados dos navios como uma estratégia de alimentação, cercando os cardumes contra as embarcações.
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Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, ressalta que a eficiência logística do Estado está alinhada com a responsabilidade ecológica: “Estamos comprometidos em inovar e avançar tecnologicamente. Ao mesmo tempo, temos plena ciência da nossa responsabilidade ambiental. Não existe desenvolvimento econômico local sustentável sem que nossas ações sejam orientadas pela sustentabilidade”, salienta. “Crescer e preservar precisam caminhar juntos”, conclui.
Equilíbrio para o futuro
O cenário de Paranaguá evidencia que economia e ecologia não precisam ser opostas. Enquanto os navios garantem o escoamento da safra e o abastecimento de mercados internacionais, os manguezais da baía continuam desempenhando seu papel ancestral de proteger a vida. O desafio de manter as águas limpas e a ictiofauna segura é contínuo, porém, com o apoio dos pesquisadores locais e uma gestão portuária consciente, as futuras gerações de paranaenses e as centenas de espécies de peixes que habitam a região têm seu espaço garantido nesse complexo sistema.
Fonte:: parana.pr.gov.br


