O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, expressou sérias preocupações sobre as ações do governo dos Estados Unidos, afirmando que estas podem conduzir a um cenário catastrófico para a ilha, incluindo a possibilidade de um “banho de sangue”.
Rodríguez fez essas declarações em entrevista à ABC News, divulgada na quinta-feira (7). Sua fala ocorre após os Estados Unidos anunciarem sanções ao GAESA (Grupo de Administração de Empresas), um conglomerado militar que controla várias empresas em Cuba e que se tornou o foco da administração do presidente Donald Trump.
O ministro destacou que seu país está atento aos desdobramentos das políticas americanas, especialmente à retórica do presidente Trump, que já mencionou a possibilidade de uma intervenção para tomar o controle em Cuba.
“Levamos as ameaças dos Estados Unidos muito a sério. Isso demonstra que o governo americano optou por um caminho extremamente perigoso, que pode culminar em consequências inimagináveis, como uma catástrofe humanitária, genocídio, e a perda de vidas, tanto cubanas quanto de jovens americanos. Também pode resultar em um banho de sangue em Cuba”, disse Rodríguez.
O ministério cubano foi contatado para fornecer mais informações e um posicionamento oficial sobre as afirmações de Rodríguez, enquanto o Departamento de Estado dos EUA também foi solicitado a comentar, mas ainda não houve retorno.
Antes disso, o presidenteMiguel Díaz-Canel e outros altos funcionários cubanos já havia repudiado as declarações de Trump sobre uma possível intervenção militar, assegurando que o país responderá a qualquer tentativa de agressão externa.
Cuba continua a se opor ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde a década de 1960 e também se manifestou contra as novas sanções que o governo americano anunciou ao longo deste ano.
Recentemente, Trump assinou uma ordem executiva que prevê sanções para indivíduos e organizações nos setores de energia, mineração, segurança e defesa de Cuba, além de todos que prestam apoio material ao governo cubano. As sanções contra o GAESA são uma ampliação dessas medidas.
Na última quinta-feira, o ministério das Relações Exteriores de Cuba manifestou forte desaprovação a essas ações, descrevendo-as como uma “agressão econômica implacável”, que amplifica os efeitos extraterritoriais do embargo, podendo acarretar sanções secundárias contra empresas, bancos e entidades de outros países, mesmo que seus negócios não tenham qualquer ligação com Cuba.
Em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (8), durante sua visita a Roma, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, justificou as decisões do governo americano.
“Estas não são sanções contra o povo cubano, visto que a população não se beneficia da GAESA. Trata-se de uma ação contra essa empresa que está prejudicando o povo cubano em benefício de alguns poucos”, declarou Rubio.
As tensões entre Cuba e os Estados Unidos permanecem elevadas, com a política atual de sanções se intensificando nos últimos anos, o que provoca cada vez mais uma reação negativa do governo cubano e preocupações sobre a estabilidade social e política na ilha.
Fonte: cnnbrasil.com.br


