A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, declarou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que é também pré-candidato à presidência da República, não teve qualquer influência na recente decisão do governo americano de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como narcoterroristas. A declaração foi dada em uma entrevista à GloboNews na última sexta-feira, 29.
Roberson enfatizou que as únicas autoridades que podem tomar decisões relacionadas a esse tipo de designação são o presidente Donald Trump e o Secretário de Estado, Marco Rubio. A porta-voz reforçou que “essas classificações são uma ferramenta da lei dos Estados Unidos para agir contra grupos e entidades que sabemos já atuarem dentro do nosso país”.
Classificação das facções como organizações terroristas
Na quinta-feira, 28, Marco Rubio anunciou que o governo dos EUA tinha decidido classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio foi realizado por meio de uma publicação nas redes sociais do Secretário de Estado.
Rubio descreveu essas organizações como “duas das mais violentas do Brasil” e destacou que seus impactos se estendem por toda a região. “Hoje, eu designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A Administração Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e restringir o financiamento e os recursos de narcoterroristas”, escreveu ele em sua postagem.
O comunicado informando sobre a nova classificação entrará em vigor no dia 5 de junho.
Flávio Bolsonaro afirma ter solicitado inclusão na lista de terroristas
Flávio Bolsonaro, por sua vez, revelou que, em visita à Casa Branca no dia 26 de maio, fez um pedido pessoal ao presidente Trump para que as facções PCC e CV fossem incluídas na lista de grupos terroristas dos Estados Unidos. O senador destacou que o Brasil não pode mais ser refém de facções narcoterroristas e que é necessário um fim ao domínio do terror.
“Ou essas facções deixam o País, ou serão neutralizadas”, postou Flávio em suas redes sociais, após um breve encontro com Trump. Ele também afirmou que, se for eleito, planeja incluir o Brasil no ‘Escudo das Américas’, uma iniciativa promovida por Trump para combater o tráfico de drogas e a imigração ilegal.
Esta nova classificação das facções brasileiras representa uma mudança significativa na abordagem dos Estados Unidos em relação ao narcotráfico na América Latina e pode ter implicações tanto políticas quanto operacionais na luta contra o crime organizado.
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