Governo brasileiro reduz status diplomático com argentina após novos ataques de milei

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Itamaraty, tomou a decisão drástica de rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina. A medida, oficializada nesta terça-feira, 4, coloca o canal diplomático entre as nações vizinhas no patamar de encarregado de negócios.

Conforme informações repassadas por fontes diplomáticas do governo brasileiro, Julio Bitelli, que atua como embaixador do Brasil em Buenos Aires, não retornará ao país vizinho. A determinação do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores é de que a representação diplomática brasileira permaneça sem um embaixador titular enquanto o presidente argentino, Javier Milei, persistir com os ataques verbais e as ofensas direcionadas ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Nota formal e gestão interina

Com a decisão, a embaixada brasileira na capital argentina seguirá em funcionamento sob a gestão direta de um encarregado de negócios. A medida de retaliação e protesto foi formalmente comunicada ao representante do governo argentino no território nacional, o embaixador Guillermo Daniel Raimondi, por meio da entrega de uma nota oficial de protesto elaborada pelo governo brasileiro.

A escalada na tensão entre os dois governos sul-americanos ganhou novos capítulos após uma nova sequência de ataques de Milei ao presidente Lula, concedida durante entrevista ao canal de televisão argentino LN+. Analistas políticos já apontavam que as novas agressões verbais deveriam complicar o cenário de normalização diplomática e retardar o retorno de Bitelli à capital argentina, visto que o abrandamento das tensões e gestos de distensão eram requisitos fundamentais avaliados por Brasília para a retomada das atividades normais do embaixador.

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Histórico de atritos políticos

O desgaste institucional se aprofundou no último domingo, 2, quando Javier Milei reiterou, durante a entrevista, o conteúdo de declarações polêmicas que já havia feito em solo brasileiro. Na ocasião, o líder argentino havia participado de uma convenção política organizada para lançar a candidatura oposicionista do senador e aliado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República. Durante o evento político no Brasil, o chefe de Estado argentino utilizou termos severos contra o líder petista, chamando-o publicamente de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”, reiterando na televisão que considerava correta a sua postura.

Até a última sexta-feira, 31 de julho, a diretriz interna adotada pelo Itamaraty consistia em aguardar eventuais sinais de distensionamento institucional e monitorar os desdobramentos do cenário político argentino à distância, utilizando canais alternativos do corpo diplomático. No entanto, diante da repetição das ofensas, o cenário mudou drasticamente.

O embaixador Julio Bitelli havia sido inicialmente convocado a retornar a Brasília para consultas — um instrumento diplomático empregado para demonstrar forte descontentamento com atitudes de governos estrangeiros. Após reuniões fechadas com o presidente Lula e com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o diplomata recebeu orientações para permanecer no Brasil por tempo indeterminado, aguardando uma melhora no ambiente político que permitisse o degelo nas relações bilaterais, cenário que agora se afasta com o rebaixamento oficial do posto.

Fonte:: estadao.com.br

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