Ex-banqueiro Daniel Vorcaro nega existência de grupo de intimidação em depoimento à Polícia Federal

Marcelo Borges
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Foto: © Banco Master/Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que é proprietário do Banco Master, compareceu à sede da Polícia Federal (PF) na tarde de uma quarta-feira para prestar depoimento formal no âmbito das investigações em curso. Na ocasião, o investigado negou veementemente qualquer envolvimento com ações violentas ou estratégias de caráter intimidatório direcionadas a desafetos comerciais ou pessoais. Durante a oitiva, Vorcaro também rechaçou a existência e o seu próprio conhecimento acerca de coletivos informais que foram identificados nas apurações sob as denominações de “A Turma” ou “Os Meninos”.

De acordo com a manifestação oficial divulgada pela defesa técnica do ex-banqueiro por meio de nota, o acesso mais amplo e efetivo aos autos do inquérito policial permitiu esclarecer a natureza das expressões encontradas. Os advogados sustentaram que os termos investigados nunca corresponderam a estruturas organizadas ou a grupos específicos com finalidades escusas, reforçando a tese de que não existe qualquer prática ilícita ou conduta criminosa que possa ser legitimamente imputada a Daniel Vorcaro.

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A menção a esses supostos grupos surgiu à medida que os investigadores da corporação analisaram o material genético e digital extraído de aparelhos celulares apreendidos, incluindo o dispositivo pertencente ao próprio Vorcaro. O avanço das diligências foi impulsionado também pelo cotejo de conversas obtidas no telefone de Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado que figura entre os investigados.

Em fases anteriores da apuração, quando o caso ainda estava sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), o magistrado classificou o grupo conhecido como “A Turma” como uma célula estruturada para monitorar alvos de interesse, coletar dados sigilosos e executar coações contra concorrentes no mercado corporativo, ex-colaboradores e profissionais da imprensa, conforme apontado na época da prisão de Vorcaro.

Os relatórios da autoridade policial indicam que o núcleo investigado teria debatido, inclusive, a possibilidade de simular um assalto violento com o objetivo de agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, motivados por reportagens publicadas que geraram insatisfação ao banqueiro e seus associados.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, a articulação central do esquema seria liderada por Henrique Vorcaro, pai de Daniel. As apurações apontavam também a participação de Luiz Phillipi Mourão, conhecido publicamente pela alcunha de Sicário, que funcionaria como um gerente operacional das atividades coordenadas pelos investigados.

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O papel de Sicário nas apurações

Questionado especificamente sobre os integrantes apontados no inquérito, Daniel Vorcaro declarou perante os policiais que mantinha relação apenas com Mourão. Segundo a defesa do ex-banqueiro, existia um contrato formal de prestação de serviços voltados para a área de inteligência e segurança digital, tratando-se de uma relação estritamente lícita.

O homem conhecido como Sicário havia sido detido durante uma fase anterior da Operação Compliance Zero. No entanto, o andamento do processo sofreu uma reviravolta dramática quando cometeu suicídio enquanto estava sob custódia nas dependências da superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte.

O depoimento recente teve como foco central esclarecer as dinâmicas e o funcionamento das atividades atribuídas a esse núcleo de pessoas. Os representantes legais do empresário reiteraram que em nenhum momento houve planejamento ou execução de ameaças reais contra a integridade física de terceiros.

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Para a defesa, trechos divulgados de conversas privadas consistem em recortes descontextualizados que refletem apenas momentos de exaltação ou indignação passageira, sem qualquer desdobramento prático ou perigo real à sociedade, ressaltando o que qualificam como o perfil pacífico do investigado.

Paralelamente aos esclarecimentos prestados, os advogados formalizaram novos pedidos para revogar a prisão preventiva do cliente, argumentando que os pressupostos legais que justificaram a medida cautelar já não se sustentam no estágio atual do processo, não havendo razões para mantê-lo detido enquanto aguarda os desdobramentos judiciais.

Depoimento de Henrique Vorcaro

Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também compareceu às instâncias policiais para prestar depoimento no mesmo dia. Na ocasião, ele negou categoricamente ser o mentor ou articulador do grupo rotulado como “A Turma”, esclarecendo que suas interações com alguns dos suspeitos limitavam-se a relações estritamente comerciais.

Em nota oficial, a defesa de Henrique Vorcaro expressou forte inconformidade com a continuidade da prisão preventiva e criticou a falta de decisões céleres no âmbito do STF. Os advogados apontaram um suposto impasse processual, afirmando que há lacunas na relatoria do caso e que pleitos fundamentais protocolados anteriormente ainda aguardam apreciação por parte da Suprema Corte.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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