O zagueiro Kaique Rocha atingiu a marca de 300 dias consecutivos sem entrar em campo em uma partida oficial. Aos 25 anos, o defensor atualmente defende as cores do Casa Pia, equipe de Portugal que enfrenta dificuldades e luta contra o rebaixamento na Primeira Divisão do campeonato nacional neste início de temporada.
O momento atual representa uma baixa significativa na sequência de carreira do atleta, especialmente se comparado ao cenário vivido em 2024. Naquela temporada, quando defendia o Athletico, o jogador alcançou um recorde expressivo ao registrar a maior minutagem em campo entre atletas de todo o mundo, considerando as 20 principais ligas do planeta, de acordo com os dados fornecidos pela plataforma de estatísticas esportivas SofaScore.
A trajetória recente e a falta de oportunidades em Portugal
No futebol português, a última oportunidade em que Kaique Rocha atuou de forma efetiva ocorreu no dia 29 de novembro de 2025. Na ocasião, o Casa Pia acabou derrotado pelo placar de 2 a 0 diante do Alverca, em compromisso válido pela 12ª rodada do Campeonato Português da temporada 25/26.
Desde então, o cenário mudou drasticamente. O defensor chegou a figurar no banco de reservas em nove oportunidades posteriores — sendo seis compromissos válidos pela reta final da temporada passada e três partidas pelo atual Campeonato Português 26/27 —, mas não foi acionado pelos treinadores em nenhuma delas. Embora participe rotineiramente dos treinamentos coletivos e apareça nos registros fotográficos do clube europeu, a falta de ritmo competitivo se acumulou ao longo dos meses.
No total, desde a sua chegada ao futebol de Portugal, o atleta acumula apenas sete aparições oficiais, tendo começado todas elas entre os titulares, além de ter balançado as redes adversárias em uma oportunidade.
O contraste com o protagonismo em Curitiba
A fase de ostracismo na Europa destoa completamente do volume de jogo que o defensor ostentava vestindo a camisa rubro-negra. Em 2024, ano em que o Furacão celebrou o seu centenário, Kaique esteve em campo por 5.144 minutos distribuídos ao longo de 61 partidas oficiais pelo clube paranaense.
O zagueiro ficou ausente de apenas 12 compromissos do calendário oficial do clube naquele ano, sendo que três dessas ausências ocorreram justamente nas rodadas derradeiras do Campeonato Brasileiro. Apesar da alta frequência entre os titulares, o desempenho do jogador gerou debates intensos entre os torcedores, ficando marcado por falhas defensivas em momentos cruciais que culminaram no rebaixamento da equipe para a Série B.
Disputa jurídica envolvendo o Athletico e o Internacional

A passagem de Kaique Rocha pelo futebol também gerou desdobramentos nos bastidores burocráticos e financeiros do futebol brasileiro. O Athletico decidiu acionar o Internacional na Justiça para cobrar valores pendentes referentes à transferência do atleta para o exterior.
Com a queda do Furacão para a segunda divisão nacional ao término de 2024, a diretoria rubro-negra negociou o defensor, que retornou inicialmente ao clube gaúcho. Na ocasião da transação, o Athletico assegurou a retenção de 40% dos direitos econômicos futuros do jogador.
Conforme apontado no balanço financeiro do clube paranaense relativo a 2025 — período que registrou um déficit milionário após anos de superávit —, Kaique havia sido negociado por valores modestos. No Colorado, contudo, o zagueiro permaneceu por pouco tempo, acumulando apenas 14 minutos em campo durante uma partida do Campeonato Gaúcho antes de ser repassado ao Casa Pia.
A venda concretizada pelo time gaúcho para os portugueses movimentou 220 mil euros. Deste montante, o Athletico tinha direito a receber uma fatia proporcional de 88 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 528 mil com base na cotação da época. No entanto, o clube gaúcho repassou apenas R$ 125 mil aos cofres da Baixada em outubro de 2025.
Diante da ausência do pagamento restante, avaliado em R$ 403 mil, a diretoria athleticana optou por acionar os órgãos judiciais para reaver a quantia. Questionada sobre o andamento do caso, a cúpula do clube paranaense adotou cautela e informou que prefere não emitir declarações públicas sobre litígios jurídicos em curso.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


