Flávio Dino define data para julgamento de Eduardo Bolsonaro

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Eduardo Bolsonaro teria utilizado sua influênci...

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, agendou para o dia 16 de junho o julgamento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele está sendo processado por coação e obstrução da Justiça. A investigação diz respeito à sua atuação nos Estados Unidos, onde supostamente tentou intimidar ministros do STF por meio de sanções internacionais junto ao governo norte-americano. O relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, autorizou que o processo fosse levado a julgamento nesta quarta-feira (3).

A denúncia contra Eduardo Bolsonaro foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicita a condenação do ex-deputado pelo crime de coação.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumenta que o ex-parlamentar utilizou sua influência política nos EUA para pressionar o STF, buscando interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, em relação aos eventos que ocorreram em 8 de janeiro. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão nesse contexto específico.

Dentre as ações citadas por Gonet estão a proposta de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, que Eduardo denominou de “tarifa Moraes”, a suspensão de vistos de ministros do STF e sanções aplicadas contra Moraes pela Lei Magnitsky, do Departamento do Tesouro dos EUA.

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A PGR alega tentativa de gerar instabilidade

De acordo com Gonet, Eduardo Bolsonaro, atualmente residente nos Estados Unidos, tinha a intenção de criar um ambiente de instabilidade e temor. Ele projetava sobre as autoridades brasileiras a possibilidade de represálias vindas do exterior, afetando também a percepção pública de um país isolado e desrespeitado internacionalmente.

A PGR ressalta que a configuração do crime de coação depende da intenção de “favorecer interesses próprios ou alheios”, algo que estaria evidenciado nas provas coletadas, muitas das quais foram produzidas pelo próprio Eduardo. O objetivo, segundo Gonet, era priorizar os interesses da família Bolsonaro em detrimento do devido processo legal e da ordem na Justiça.

O caso de Eduardo Bolsonaro se insere em um contexto mais amplo de interferência política e acusações de abusos de poder, refletindo tensões existentes entre o antigo governo e as instituições judiciais do Brasil. À medida que o julgamento se aproxima, a expectativa é de que novos desdobramentos ocorram, mantendo o caso em evidência nos meios de comunicação.

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