Desafios da soberania digital e infraestrutura pública entram em debate no Brasil

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

Quando um cidadão brasileiro acessa a plataforma GOV.BR para realizar consultas de benefícios sociais, emitir documentos oficiais, realizar assinaturas eletrônicas ou utilizar qualquer outra ferramenta do ecossistema digital do governo, ele deixa um rastro de informações em sistemas complexos. Esses ambientes tecnológicos demandam níveis rigorosos de segurança, disponibilidade contínua e diretrizes transparentes sobre o armazenamento e o manuseio de dados. Atualmente, a plataforma consolida mais de 4,8 mil serviços públicos voltados à população, sendo que expressivos 84% deles operam de maneira totalmente digital. Esse cenário evidencia o grau de dependência que a administração pública federal possui em relação à sua infraestrutura tecnológica e aos sistemas de informação.

É exatamente nesse contexto que ganha relevância o conceito de soberania digital. Trata-se da capacidade estratégica do Brasil de determinar o local exato onde as informações públicas e governamentais devem ser armazenadas, sob qual arcabouço legislativo esses dados serão processados, quem detém a autorização para acessá-los e quais inovações tecnológicas sustentam os serviços essenciais utilizados diariamente por milhões de pessoas em todo o território nacional.

A urgência desse debate tem mobilizado diferentes esferas do poder público e ganha novos desdobramentos institucionais. O Governo Federal programou uma audiência pública em formato virtual com o objetivo central de debater a modelagem estratégica da chamada Nuvem Brasileira. A iniciativa pioneira busca consolidar a soberania digital do Estado brasileiro no setor de computação em nuvem, garantindo que o controle sobre os dados e a infraestrutura tecnológica permaneça sob tutela nacional.

Em paralelo a essa movimentação federal, lideranças de empresas públicas e representantes de entidades estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação vindas de todas as regiões do país têm encontro marcado na cidade de Maceió. O objetivo é a realização da 180ª Reunião Ordinária do Conselho de Associadas (ROCA), promovida pela ABEP-TIC. O evento foi estruturado para abranger debates cruciais sobre inteligência artificial aplicada ao setor público, modernização de infraestrutura, governança de dados, segurança cibernética e os rumos da transformação digital nos governos estaduais e municipais.

- Publicidade-

Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Entidades Estaduais e Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicação – ABEP-TIC, José Muniz Rebouças, a discussão em torno da soberania tecnológica precisa ser compreendida pela sociedade como um tema fundamental que impacta diretamente a qualidade da relação cotidiana entre o cidadão e o Estado.

O dirigente ressalta que a temática não deve ser tratada apenas como algo abstrato. “Soberania digital pode parecer um conceito distante, mas está presente cada vez que um brasileiro acessa um serviço público pela internet. Se o Estado depende de plataformas, nuvem e sistemas digitais para atender a população, precisa também ter capacidade de decidir onde seus dados estão, como são tratados e quais garantias existem sobre essa infraestrutura”, pontua José Muniz Rebouças.

O avanço dessas discussões reflete a necessidade urgente de o país construir caminhos autônomos na gestão da tecnologia, blindando informações estratégicas e assegurando que a digitalização dos serviços públicos ocorra de maneira resiliente e alinhada aos interesses soberanos da nação.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

Compartilhe esta notícia