O Prêmio Educador Nota 10, reconhecido como uma das principais iniciativas voltadas à valorização da educação no Brasil, divulgou oficialmente a lista com os trabalhos desenvolvidos pelos 12 finalistas de sua 28ª edição. A cerimônia de anúncia dos grandes vencedores ocorrerá no dia 10 de novembro, em formato presencial, na Pinacoteca de São Paulo. Esta edição histórica marca a introdução de uma categoria inédita voltada exclusivamente para gestores escolares.
O processo seletivo deste ano bateu recordes de participação, acumulando mais de 3,9 mil inscrições vindas de todas as regiões do país. A premiação tem como propósito principal celebrar e dar visibilidade a práticas pedagógicas e administrativas de excelência, criadas por professores, coordenadores pedagógicos e diretores de instituições de ensino públicas e privadas.
Entre os projetos que conquistaram espaço na fase final estão iniciativas inovadoras que utilizam análise de dados para otimizar o desempenho dos alunos, a construção de miniflorestas urbanas com vegetação nativa do bioma Cerrado, feiras de ciências voltadas para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade, além de modernizações tecnológicas aplicadas diretamente à rotina da gestão escolar.
A estrutura do prêmio divide os concorrentes em dois grandes grupos. Na categoria Professor/Coordenador, os finalistas disputam espaço em três eixos temáticos distintos: Direitos Humanos, Inovação e Tecnologia, e Sustentabilidade. Já na categoria Gestor Escolar, o foco é voltado inteiramente para iniciativas de Gestão da Aprendizagem.
Como funciona a premiação
Dentro da categoria de professores e coordenadores, os três primeiros colocados de cada eixo temático serão premiados. Posteriormente, entre os melhores de cada eixo, um deles será coroado com o título máximo de Educador do Ano.
De maneira similar, os três finalistas da categoria de Gestor Escolar também receberão classificações, sendo o primeiro colocado laureado como o Gestor do Ano.
O incentivo financeiro e estrutural para os vencedores é expressivo. Os primeiros colocados de cada modalidade vão faturar um prêmio no valor de R$ 25 mil, além de conquistarem uma bolsa integral de pós-graduação no Instituto Singularidades e acesso por 24 meses consecutivos à plataforma PROFS, um ecossistema digital focado em formação continuada e suporte pedagógico.
Para os segundos colocados, a premiação inclui R$ 20 mil em dinheiro, bolsa de 50% para curso de pós-graduação e acesso à plataforma PROFS por um período de 12 meses. Os terceiros colocados receberão R$ 15 mil, também com direito à bolsa parcial de 50% na pós-graduação e 12 meses de acesso ao mesmo ambiente de aprimoramento pedagógico.
O Prêmio Educador Nota 10 é uma realização conjunta do Instituto Somos e do Ministério da Cultura, viabilizado por meio dos mecanismos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet.
Conheça os profissionais e projetos finalistas
Na categoria Gestor Escolar, os educadores selecionados e suas respectivas iniciativas são:
Edileuza Araujo de Souza – Escola Estadual Floresta, em Paranã (TO)
O projeto Dados que Inspiram Mudança, Resultados que Transformam implementou um modelo de gestão pedagógica fundamentada em evidências concretas. A metodologia se destaca pelo uso de ferramentas como o Painel Vivo de Aprendizagem, assessoramento pedagógico direcionado por dados, informativos de devolutiva destinados às famílias e a mobilização batizada de “Adote uma Habilidade”, que integrou toda a comunidade escolar na recuperação do aprendizado dos alunos.
João Carlos Carneiro – CEMEB José dos Santos Novaes, em Itapevi (SP)
Com o projeto Menos Processos, Mais Aprendizagem: Inovação e Tecnologia a Serviço da Educação, a escola adotou um sistema unificado de gestão administrativa e escolar. Utilizando tecnologias acessíveis, a iniciativa reduziu a burocracia e automatizou tarefas para devolver tempo útil à equipe pedagógica. Entre os recursos implementados estão atendimento via WhatsApp com chatbot, QR Codes, catracas com leitura biométrica, câmeras de segurança Wi-Fi, painéis de dados (dashboards), sistema de som setorizado, Chromebooks e a mecânica de gamificação intitulada “Notinhas”.
Tânia Maria de Farias Pereira – EMTI Francisco de Assis Gomes Rufino, em Tambori (CE)
O projeto Conectando Vidas: gestão baseada em evidências para proporcionar aprendizagem, protagonismo e transformação social buscou fortalecer o desempenho acadêmico e o papel ativo dos estudantes. A estratégia integrou a gestão guiada por dados a diversas frentes, como projetos de incentivo à leitura, matemática, manifestações culturais, empreendedorismo, educação ambiental e reflexão sobre o projeto de vida dos alunos.
Inovação e Tecnologia
No eixo temático de Inovação e Tecnologia, voltado a professores e coordenadores, os finalistas são:
Michelle Mariano Mendonça (coordenadora pedagógica) – EMEF Raul de Leoni, em São Paulo (SP)
A iniciativa Rede Formativa: Fortalecendo Elos na Escola Pública estruturou uma rede colaborativa envolvendo a escola, universidades e centros de pesquisa, aproximando professores e alunos do universo da produção científica e cultural.
Josane do Nascimento Ferreira Cunha (professora de Química) – Instituto Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá Bela Vista (MT)
Desenvolvido sob o nome MIPIPEQ: Democratização da Ciência Química e Protagonismo Estudantil, o projeto aplica uma metodologia própria para converter o aprendizado da química em uma vivência investigativa e criativa, alinhada a demandas reais da sociedade. Os estudantes criam protótipos e soluções práticas focadas em saúde, sustentabilidade e inclusão social.
Daniela Steinheuzer (professora da Rede Estadual de Ensino) – Escola Estadual Básica Bruno Hoeltgebaum, em Blumenau (SC)
O projeto Terrário e o Ciclo da Água na Previsão do Tempo utilizou a construção de terrários e a exploração do horto escolar para traduzir conceitos científicos abstratos em práticas tangíveis de aprendizado.
Sustentabilidade
Pelo eixo de Sustentabilidade, os projetos selecionados foram:
Fernanda Ferreira de Oliveira (professora) – EM Antonio Boldrin, em Piracicaba (SP)
O trabalho Encantados estimulou crianças da educação infantil a investigarem elementos da natureza presentes em lendas e narrativas de matrizes indígenas, afro-brasileiras e da cultura popular, fazendo uso da arte, literatura e brincadeiras pedagógicas.
Renata Araujo de Souza (professora da Educação Básica) – EMEB Agostinho dos Santos, em São Bernardo do Campo (SP)
Sob o título Infâncias em Estado de Pesquisa: As Poéticas do Pensar com a Natureza como Território de Descobertas, bebês e crianças pequenas foram incentivados a explorar o meio ambiente por meio de abordagens sensoriais, artísticas e investigativas.
Lazelane Ferreira da Silva (professora de Geografia) – Colégio Estadual Professor Joaquim Carvalho Ferreira, em Goiânia (GO)
A iniciativa Miniflorestas como Estratégia para o Conforto Térmico mobilizou a comunidade discente para plantar uma miniflorestação composta exclusivamente por espécies nativas do Cerrado, inserida em uma área urbana com baixa arborização.
Direitos Humanos
Por fim, os finalistas do eixo de Direitos Humanos destacam-se por iniciativas de grande impacto social:
Rodrigo da Vitória Gomes (professor de química e pedagogo) – EE Foz do Riacho – Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares (CDRL), em Linhares (ES)
O projeto Além das Grades: A Ciência como Ponte para a Liberdade empregou uma Feira de Ciências dentro de um estabelecimento prisional como ferramenta de cidadania, educação e ressocialização, permitindo que detentos atuassem ativamente como pesquisadores científicos na resolução de problemas reais.
Qircia Aparecida Fonseca Santana (professora) – Colégio Estadual de Tempo Integral de Iraquara, em Iraquara (BA)
O projeto Leituras Negras: diálogos com as comunidades tradicionais de Iraquara promoveu uma ponte direta entre a literatura indígena e afro-brasileira e os conhecimentos ancestrais das mulheres quilombolas da região.
Daniela Aparecida Ferreira Arfelli – Escola Estadual Assentamento Santa Clara, em Mirante do Paranapanema (SP)
A iniciativa Vozes em Territórios de Luta: Práticas de Letramento com Estudantes Acampados e Assentados surgiu da urgência de fortalecer o letramento em comunidades marcadas pela vulnerabilidade social. Através de propostas de leitura e escrita significativas, os alunos registraram suas próprias histórias e identidades, culminando na publicação do livro coletivo Palavras que se Conectam.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


