Fornecedores de tecnologia cancelam contratos públicos em Minas Gerais

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O mercado de tecnologia da informação enfrenta desafios severos na execução de contratos firmados com o poder público. Empresas fornecedoras do setor têm optado por cancelar entregas de compras governamentais motivadas pela alta expressiva nos preços dos insumos e pela escassez de equipamentos no mercado internacional e nacional. A situação crítica foi relatada por Roberto Reis, diretor-presidente da Empresa de Tecnologia de Minas Gerais, a Prodemge.

De acordo com o dirigente, o impacto da inflação dos componentes tecnológicos compromete o orçamento e o planejamento estratégico de órgãos públicos. Como exemplo, Reis citou o caso de uma aquisição de sistemas de armazenamento de dados, conhecidos como storage. O projeto, inicialmente orçado em R$ 6 milhões, disparou para mais de R$ 10 milhões, e mesmo com o reajuste financeiro, a entrega do hardware segue sem prazo definido pelos fabricantes.

Diante desse cenário adverso na cadeia de suprimentos de hardware tradicional, a gestão estadual tem buscado alternativas para modernizar a infraestrutura sem ficar totalmente dependente de aquisições físicas de alto risco. A estratégia envolve a aproximação com grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, para implementar hardwares específicos diretamente no data center da estatal mineira.

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“Nós estamos buscando as parcerias com as big techs para ter os equipamentos delas instalados no nosso data center para podermos trabalhar com inteligência artificial. Nós teríamos escalabilidade e redução de custos. Mas não vamos para a nuvem pública, vamos para o nosso data center porque queremos nossos dados no Brasil e em segurança”, pontuou Roberto Reis.

Transformação na gestão e foco em governança

À frente da Prodemge há seis anos, o executivo destacou que o principal marco de sua administração foi a transição para um modelo de administração corporativa e profissional. Segundo ele, a estatal mineira acumulava um histórico de prejuízos consecutivos que exigiram uma reviravolta operacional para garantir a sustentabilidade financeira e técnica da instituição.

“A Prodemge vinha de prejuízos seguidos e revertemos esse cenário. Passamos para o desenvolvimento ágil e investimentos em um data lake e criamos o ProdemgeLabs. Agora, estamos na fase de a Prodemge fazer menos e coordenar mais”, relatou.

Apesar dos avanços na eficiência operacional e na entrega de serviços digitais para a população e órgãos estaduais, Reis avalia que há lacunas estruturais que dificultam uma atuação ainda mais integrada do governo mineiro no ecossistema digital. Entre os pontos que poderiam ter avançado mais durante sua gestão, o diretor-presidente mencionou o fortalecimento do Comitê de Tecnologia da Informação do Estado, o CETIC, que deveria exercer um papel centralizador na coordenação dos investimentos públicos em tecnologia.

“Minas não tem uma Secretaria de Transformação Digital. Mas poderíamos ter a CETIC mais consolidada. A coordenação é essencial. Eu gostaria que Minas Gerais tivesse um CIO para gerir todas as compras de tecnologia e criar padrões, governança e plataformas”, reforçou.

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Parcerias com o setor privado e o uso de inteligência artificial

Sobre o papel desempenhado pelas empresas públicas de tecnologia da informação, as chamadas Prods, Roberto Reis destacou que a relevância institucional não se conquista por imposição legal ou decretos, mas sim por meio da entrega eficiente de resultados práticos à sociedade. Para ele, a complexidade das demandas tecnológicas atuais exige obrigatoriamente a cooperação com o setor privado.

“Nenhuma Prod tem braço para fazer tudo sozinha. Ela tem de se associar ao mercado privado. Esse é um caminho sem volta”, afirmou.

O avanço da inteligência artificial nas estruturas governamentais também foi tema de análise. Para o executivo, embora haja uma corrida generalizada de órgãos públicos e empresas para adotar ferramentas baseadas em IA, muitas vezes falta clareza sobre as reais finalidades dessas aplicações, além de carências crônicas de governança e padronização corporativa.

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“Nós pagamos pelos tokens. Mas não liberamos para todos os servidores. Há custo alto envolvido. O padrão faz falta”, concluiu.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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