Gaeco denuncia quatro pessoas por monitoramento de autoridades a mando de facção criminosa

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © MPSP/Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de São Paulo, formalizou a denúncia contra quatro indivíduos apontados como responsáveis por monitorar os passos e a rotina de figuras centrais no combate à criminalidade no estado. Os alvos da vigilância ilegal eram o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de unidades prisionais do oeste paulista, Roberto Medina. De acordo com o aprofundamento das investigações conduzidas pelo órgão ministerial, o quarteto agia diretamente a serviço da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ofensiva do grupo criminoso contra Gakiya e Medina não é recente. Os registros apontam que ambos se tornaram alvos prioritários da organização criminosa ainda no ano de 2018. Naquela época, equipes de investigação lograram êxito em interceptar bilhetes manuscritos que circulavam entre detentos e lideranças da facção, contendo ordens explícitas e planejamentos detalhados para a execução das duas autoridades, que atuam de maneira firme na desestabilização das estruturas do crime organizado no território paulista.

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Divisão de tarefas e busca por armamento pesado

Conforme os elementos probatórios reunidos pelo Ministério Público, a atuação dos denunciados era caracterizada por uma divisão metódica de tarefas. O grupo se dedicava a vigiar os hábitos diários, os horários e os endereços frequentados pelas vítimas. Paralelamente ao levantamento de dados, as investigações revelaram que o núcleo estava fortemente empenhado na aquisição de armamento de uso restrito e de grande poder letal, material que seria empregado na concretização dos atentados planejados pela cúpula da facção.

Os quatro indivíduos apontados pelo Gaeco no processo judicial são Victor Hugo da Silva, Wellison Rodrigo Bispo de Almeira, Sergio Garcia da Silva e Adilson Audinir Oliveira Junior. Cada um desempenhava um papel específico dentro da engrenagem criminosa voltada para a coleta de inteligência e espionagem das autoridades públicas.

Brasília - 25/11/2025 - Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre o Crime Organizado para ouvir o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O fluxo de informações e a estrutura da facção

Os relatórios elaborados pelos investigadores detalham que Sergio Garcia da Silva e Adilson Audinir Oliveira Junior tinham, entre suas atribuições, a responsabilidade de manter contato direto com membros de outros núcleos e células da organização criminosa. Sergio, em especial, destacava-se nas apurações por estar ativamente envolvido nas negociações para a compra do arsenal pesado destinado ao grupo.

Além disso, o mesmo investigado demonstrava uma preocupação constante em adotar medidas de contrastragégia, buscando ocultar conversas, registros e tratativas ilícitas. A atuação de Sergio indicava, segundo a acusação formal, um nível de integração mais profundo com os escalões hierárquicos superiores do grupo criminoso.

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A denúncia oficial, subscrita pelo promotor de Justiça Juliano Carvalho Atoji, pontua a existência de uma engrenagem coordenada entre os envolvidos:

“Ficou claro que os denunciados, de forma coligada, atuaram no levantamento detalhado de rotinas, endereços e dados de autoridades públicas, com a finalidade de repassar as informações para a ‘Sintonia Restrita’, setor da organização criminosa responsável pelo comando, coordenação e execução de ações de maior relevância estratégica do grupo, que efetivaria o atentado contra a vida das vítimas. Observa-se a existência de um fluxo estruturado de informações, no qual os dados coletados em campo eram repassados a outros integrantes, responsáveis por centralizar ou processar as informações sensíveis relacionadas às vítimas.”

Com o oferecimento da denúncia pelo Gaeco, o processo segue os trâmites regulares no âmbito do Poder Judiciário, onde os réus responderão pelas acusações relacionadas ao envolvimento com organização criminosa e aos atos preparatórios direcionados contra agentes públicos de segurança e justiça.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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