
A integração de dados entre diferentes órgãos públicos enfrenta um dos seus maiores obstáculos na troca de gestões políticas. Essa afirmação é de Debora Roesler, diretora-presidente da Procempa, empresa de tecnologia da informação do município de Porto Alegre. Em suas declarações, Roesler destaca a importância de não deixar que mudanças administrativas apaguem os avanços já conquistados. “A mudança de gestão política não pode destruir tudo que se construiu”, ressalta.
Durante uma entrevista à CDTV, Debora Roesler mencionou que existe um considerável gargalo na comunicação entre os variados níveis de governo, incluindo estados, municípios e o poder executivo. Contudo, a executiva também acredita na viabilidade de ultrapassar essas barreiras por meio de acordos de cooperação entre as instituições. Um exemplo citado por ela foi o convênio estabelecido entre a Procempa e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
“Estamos utilizando cercamento eletrônico, onde ocorre a troca de informações em tempo real. As informações do Detran estão integradas tanto à Procempa quanto à Procergs, e isso tem gerado resultados significativos”, explica Roesler. Um dos resultados mais notáveis dessa integração é a queda de 91% nos casos de roubo de automóveis em Porto Alegre, uma estatística que destaca a eficácia da colaboração entre entidades públicas.
A diretora-presidente enfatiza que essa troca de informações é crucial não apenas para aumentar a eficiência na segurança pública, mas também para aprimorar a gestão de serviços oferecidos aos cidadãos. O acesso mais ágil a dados e informações permite uma resposta mais rápida diante de emergências e facilita a implementação de políticas públicas mais efetivas.
Além do acordo com o Detran, Roesler compartilhou sua visão sobre a necessidade de um modelo mais unificado de governança de dados no Brasil. Segundo ela, é fundamental que haja um entendimento claro entre os diferentes entes federativos sobre a importância da coleta e do compartilhamento de dados. “Para que a governança de dados funcione, precisamos de um comprometimento coletivo em favor do bem-estar social”, defende.
Com o avanço da tecnologia e a digitalização dos dados, o desafio se torna ainda mais evidente. Roesler comentou que a transformação digital deve ser acompanhada de uma visão estratégica que contemple não apenas a inovação, mas também a preservação das informações já coletadas e o fortalecimento da infraestrutura de dados. “Não podemos perder informações relevantes por conta da mudança de autoridades”, alerta.
O tema da governança de dados é cada vez mais discutido em diversas esferas, conforme as administrações públicas buscam se adaptar às novas demandas da sociedade. Em um mundo cada vez mais digitalizado, a integração de dados se mostra não apenas uma necessidade, mas uma questão de segurança e eficiência. O exemplo de Porto Alegre pode servir de modelo para outras cidades que enfrentam desafios semelhantes em sua administração pública.
A discussão sobre governança de dados não se limita apenas ao contexto local, mas é uma questão que perpassa todo o país. A necessidade de colaboração entre estados e municípios para a construção de uma base de dados sólida e confiável é um tema prioritário nas agenda das conferências e fóruns de tecnologia. O caminho para superar os obstáculos existentes pode ser pavimentado por meio de uma gestão colaborativa e integrada entre os diversos órgãos, visando sempre o benefício da população.
Por fim, Debora Roesler conclui que o investimento em tecnologia da informação é um passo necessário, mas deve ser acompanhado de um compromisso real com a integridade dos dados. “Nós, gestores públicos, temos o dever de garantir que as informações a serviço do cidadão não se percam durante as transições de gestão. Essa é uma responsabilidade que não pode ser negligenciada”, finaliza.
Fonte: convergenciadigital.com.br


