Na última segunda-feira (25), o governo federal anunciou o quinto leilão do programa Eco Invest, que visa arrecadar até R$ 50 bilhões. Este leilão tem como objetivo promover a inovação em diversas áreas, incluindo minerais críticos, fertilizantes verdes, bioinsumos, combustíveis limpos e tecnologias de baterias. A nova etapa de captação de investimentos se concentra em oferecer linhas de crédito destinadas ao desenvolvimento de projetos tecnológicos sustentáveis, especialmente fortalecendo a conexão entre empresas e instituições acadêmicas ou centros de pesquisa, tanto nacionais quanto internacionais.
O leilão busca estabelecer seis fundos de inovação nas seguintes áreas: fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas; combustíveis verdes e avançados, biogás e biometano; automação e inteligência artificial aplicadas aos processos produtivos; desenvolvimento de sistemas de baterias e beneficiamento de minerais críticos; química verde e biomateriais; além de gestão de resíduos minerais e industriais.
O Tesouro Nacional está previsto para investir um total de R$ 9 bilhões, alocando R$ 1,5 bilhão em cada um dos fundos de inovação. Para cada valor investido, as instituições financeiras participantes deverão alavancar, no mínimo, o dobro, podendo alcançar até R$ 4,5 bilhões. Adicionalmente, o governo disponibilizará até R$ 1 bilhão na linha de crédito corporativo, que também deverá ser complementada pelas instituições financeiras.
Considerando que as instituições financeiras atinjam os limites máximos de investimento, espera-se que possam ser mobilizados até R$ 50 bilhões em recursos totais. A realização do leilão está prevista para o meio de julho, embora ainda não tenha sido definida uma data específica.
Durante o anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a necessidade de o Brasil aumentar seus investimentos em inovação e enfatizou a importância da colaboração entre o Estado e a iniciativa privada para promover melhorias significativas no cenário econômico. O ministro mencionou a existência de três “vales da morte” que os projetos de inovação enfrentam: o primeiro é a transformação de ideias em realidade; o segundo envolve a produção em grande escala; e o terceiro, a comercialização. Ele enfatizou que esta rodada do Eco Invest será crucial para apoiar a superação do primeiro desses desafios.
— O Estado não está afirmando que fará tudo sozinho. Reconhecemos a eficiência das universidades privadas e dos centros de excelência que estão capacitados para implementar projetos. O primeiro vale da morte é a fase em que inovações precisam ser desenvolvidas em laboratório e pesquisa aplicada, o que ainda não ocorre como desejamos no Brasil. Embora tenhamos um nível de pesquisa semelhante ao da Coreia do Sul, não conseguimos avançar na transformação de ideias em produtos e na proteção de patentes. O Eco Invest visa estruturar fundos de inovação e, em parceria com as empresas brasileiras, vencer esse obstáculo inicial — declarou Durigan.
A seleção dos projetos vencedores no leilão será feita com base no critério de alavancagem do fundo de inovação: aquele que oferecer a maior quantia a ser investida por meio do aporte governamental de R$ 1,5 bilhão será o vencedor. Os recursos devem obrigatoriamente ser alocados em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, que podem ser desenvolvidos por empresas ou startups brasileiras em colaboração com instituições ou empresas estrangeiras.
No que diz respeito ao crédito corporativo, as instituições financeiras devem oferecer um montante mínimo de R$ 100 milhões e um máximo de R$ 1 bilhão, com uma alavancagem mínima de três vezes esse valor. Outro critério de seleção considerará a porcentagem do financiamento que terá parcerias com universidades ou Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação, sendo necessário um investimento mínimo de 10% direcionado a essas instituições.
O Eco Invest é baseado no conceito de “blend finance” (finanças mistas), onde o governo contribui com recursos a juros baixos, reduzindo os custos dos financiamentos, enquanto a iniciativa privada complementa esses valores. Estimativas indicam que para cada R$ 1 aportado pelo governo, a iniciativa privada deve investir, em média, pelo menos R$ 4. Além disso, essa estrutura oferece ferramentas para proteção cambial, ajudando a mitigar os riscos associados às flutuações da moeda, especialmente em economias emergentes como a brasileira, que enfrentam esse tipo de volatilidade.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, ressaltou a relevância dessa nova rodada principalmente em relação ao segmento de biofertilizantes, no qual o Brasil é dependente de importações, além da importância dos minerais críticos, área que tem ganhado crescente atenção nos últimos meses.
O governo federal expressa a intenção de direcionar investimentos para garantir que o Brasil não seja apenas um exportador de commodities como as terras-raras, altamente valiosas para a indústria de tecnologia, mas sim que consiga agregar valor produzindo bens que as utilizem. Isso contribui para a redução das pressões ambientais e promove uma mineração sustentável.
— Para diminuir a dependência nessa área, não basta focar apenas nos fertilizantes, mas sim considerar a categoria dos biofertilizantes, que irá se tornar uma preocupação a longo prazo. O Brasil possui vantagens significativas na busca por minerais críticos, especialmente com a crescente demanda global por esses recursos. Portanto, é crucial apoiar o investimento nesse setor — enfatizou.
Minerais críticos são aqueles indispensáveis para setores essenciais da economia e cuja oferta está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades políticas e econômicas. Na lista de minerais críticos estão lítio, nióbio, cobalto, grafite e terras-raras. O Brasil possui cerca de 8% das reservas mundiais de lítio, fundamental para a produção de baterias de carros elétricos, e 93,1% das reservas globais de nióbio, um mineral utilizado na fabricação de ligas metálicas de alta resistência tanto para a indústria quanto para o setor aeroespacial.
— O Eco Invest visa estimular a agregação de valor, ou seja, nosso país não pode limitar-se a ser um exportador de minerais críticos, mas deve ter a capacidade de processar e industrializar esses materiais, gerando produtos de maior valor agregado, o que resulta em menor pressão sobre o meio ambiente e a mineração — concluiu o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.
No evento, que ocorreu em São Paulo, também foram apresentados os resultados do quarto leilão do Eco Invest, que teve foco em bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia Legal. Dos oito bancos que submeteram propostas, quatro foram selecionados: Bradesco, BTG Pactual, Banco do Brasil e ABC Brasil. Foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital neste leilão, possibilitando cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões oriundos de captação internacional. O eixo que atraiu a maior parte dos recursos foi o da infraestrutura, com R$ 7,8 bilhões, seguido pela bioeconomia, com R$ 4,4 bilhões, e o turismo sustentável, que recebeu aproximadamente R$ 900 milhões para iniciativas voltadas ao turismo ecológico e ao fortalecimento de comunidades.
Fonte: infomoney.com.br


