O governo federal está atento aos possíveis efeitos de um “Super El Niño” sobre a agricultura no Brasil. A preocupação aumentou após a previsão da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, que indica uma probabilidade de 81% de que o fenômeno atinja a categoria de “muito forte” em 2026. Essa situação poderia impactar negativamente a produtividade da safra de 2026/2027.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está se organizando em duas frentes: uma para oferecer suporte aos agricultores em medidas preventivas e outra para mitigar potenciais pressões inflacionárias nos preços dos alimentos, caso a produção de grãos seja afetada pela condição climática. Há possibilidades de que as condições do seguro rural sejam revisadas no planejamento orçamentário.
Especialistas afirmam que o “Super El Niño” pode ocorrer entre julho e setembro, trazendo um aumento na incidência de ondas de calor, secas e chuvas torrenciais que tendem a prejudicar as lavouras em várias regiões do país.
Ministério da Agricultura cria grupo de trabalho para estudar o El Niño
Na última semana, o Ministério da Agricultura formou um grupo de trabalho com a missão de analisar os impactos potenciais do fenômeno. Essa equipe será responsável por identificar as vulnerabilidades em diferentes regiões do Brasil e desenvolver estratégias para proteger os produtores em caso de perdas nas colheitas. O foco será nas culturas mais relevantes para o agronegócio brasileiro, incluindo soja, milho, feijão, trigo, café, mandioca e cana-de-açúcar.
Este grupo, que conta com especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), também terá a incumbência de elaborar propostas relacionadas aos possíveis efeitos do El Niño na produtividade agrícola nacional.
Além disso, o colegiado atuará como um “comitê de crise” para auxiliar o Ministério da Agricultura em ações e remanejamentos de orçamento para enfrentar as dificuldades geradas pelo fenômeno climático.
Seguro rural como prioridade do governo frente ao El Niño
Após um corte orçamentário de mais de 53% que afetou o seguro rural — reduzindo os recursos para subvenção ao prêmio para R$ 473,8 milhões — o grupo de trabalho entende que é necessário rever essa estratégia diante da possível ameaça que o Super El Niño representa para o agronegócio no Brasil.
Embora o sinal de alerta tenha sido ligado, o governo optou por não incluir informações sobre o seguro rural durante a apresentação do Plano Safra, que foi anunciado no mês passado com um orçamento de R$ 525,1 bilhões para os produtores rurais, um aumento de 1,72% em relação ao período anterior.
Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, declarou que o objetivo do Planalto é tratar o seguro rural em um contexto mais amplo sobre os impactos potenciais do El Niño, envolvendo uma análise interministerial. Ele enfatizou a importância de garantir que os produtores se sintam seguros para plantar suas safras, mesmo diante de um cenário de endividamento, preços baixos das commodities e incertezas climáticas.
Campos também destacou a preocupação com a inflação em um possível impacto do El Niño sobre a safra. Segundo ele, a combinação do fenômeno com o aumento dos custos de produção, especialmente devido à alta dos fertilizantes em decorrência de conflitos no Oriente Médio, pode ter um efeito direto sobre a inflação dos alimentos. Os mecanismos disponíveis para controlar essa inflação não estão sendo tão eficazes quanto o esperado.
A situação do agronegócio é crítica, uma vez que o setor representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, e a saúde econômica do país pode ser profundamente afetada por mudanças nas condições climáticas.
*As informações foram extraídas do Estadão Conteúdo.
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