Governo peruano rompe laços diplomáticos com o Irã e condena tensão no Oriente Médio

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O Peru rompeu oficialmente as suas relações diplomáticas com o Irã. A decisão foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores peruano, que criticou duramente Teerã por fomentar a escalada de conflitos na região do Oriente Médio e por impor severas restrições que comprometem o livre tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz.

A medida ocorre em um momento de acentuada instabilidade geopolítica. A guerra no Oriente Médio se intensificou nos últimos dias, marcada por novas investidas militares dos Estados Unidos contra o território iraniano. Segundo Washington, as ações militares são uma resposta direta a supostas tentativas de agressão direcionadas a navios comerciais e militares americanos que operam nessa rota fundamental para o abastecimento e comércio mundial de hidrocarbonetos.

A administração da presidente Keiko Fujimori, que assumiu o comando do Executivo peruano no final de julho, adota uma postura alinhada aos interesses do governo liderado por Donald Trump. Em nota oficial divulgada pela chancelaria, o governo do país andino justificou a ruptura diplomática fundamentando-se em sua “histórica vocação pacifista”, optando por cortar definitivamente os laços com a República Islâmica do Irã.

O cenário internacional na região sul-americana e no Oriente Médio tem registrado movimentações diplomáticas diversas. Recentemente, o Chile optou por fechar sua embaixada na capital iraniana, Teerã, justificando a medida por questões orçamentárias e de segurança, embora tenha decidido manter os canais diplomáticos abertos, sem formalizar um rompimento de relações.

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Paralelamente, a escalada militar teve reflexos diretos nos mercados globais. Os Estados Unidos conduziram novos ataques com mísseis contra alvos iranianos, marcando a segunda ofensiva de grande escala em um intervalo de poucos dias. Como resultado imediato da tensão no Estreito de Ormuz, o preço do petróleo WTI — principal referência para o mercado norte-americano — sofreu uma disparada expressiva, ultrapassando a marca de US$ 90 o barril, patamar não registrado desde o mês de julho.

Em sua manifestação oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Peru também expressou forte repúdio à postura do governo islâmico diante dos esforços internacionais de desarmamento. O comunicado aponta que o Irã tem atuado para incitar a violência e dificultar a verificação indispensável para impedir o desenvolvimento e a produção de armas nucleares. Além disso, o país persa tem tentado impor regras unilaterais de passagem na rota que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

“O Peru observa com profunda preocupação as severas restrições impostas pelo regime iraniano, bem como a interrupção do comércio internacional através do Estreito de Ormuz”, enfatizou a chancelaria peruana no texto distribuído à imprensa.

Por fim, o governo sul-americano também colocou em pauta a contínua degradação institucional e o enfraquecimento da democracia no território iraniano. Relatos recentes de repressão violenta a manifestações populares e o cerceamento sistemático das liberdades civis foram incorporados às motivações que pesaram na decisão drástica de isolar diplomaticamente o Estado iraniano.

Fonte:: estadao.com.br

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