Guerra no Irã: EUA têm poucas alternativas para aliviar gasolina; entenda

Marcelo Borges
6 min. de leitura
A gasolina premium favorece um desenvolvimento ...

As autoridades do governo dos Estados Unidos estão trabalhando para mitigar os impactos econômicos e políticos provocados pela guerra com o Irã, conforme revelaram à Reuters três Com o aumento da expectativa de uma resolução rápida se dissipando, as medidas se tornam cada vez mais urgentes.

Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou apoio à suspensão do imposto federal sobre a gasolina, medida que poderia diminuir em 18 centavos o preço do galão do combustível, que já ultrapassa a média de US$ 4,50 em todo o país.

Inicialmente considerada desnecessária por alguns assessores da Casa Branca, a proposta agora é vista como uma solução necessária diante do crescente descontentamento público. O consenso entre os conselheiros é que, com os preços da gasolina subindo 50% desde o início do conflito, Trump precisa implementar “uma medida visível de alívio ao consumidor imediatamente”.

Historicamente, um preço de gasolina superior a US$ 4 por galão gera reações negativas da população e preocupação com a economia. Isso se confirma com a queda recente na confiança do consumidor, que atingiu níveis alarmantes, enquanto a inflação nos EUA subiu para 3,8% em abril em relação ao ano anterior, a maior marca em quase três anos.

- Publicidade-

Uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada em maio mostra que mais de 60% dos norte-americanos afirmam que suas finanças familiares foram impactadas pelo aumento nos preços dos combustíveis. Essa situação resultou em uma queda na aprovação da gestão econômica de Trump, que atualmente está em apenas 30%, um declínio significativo desde o início da guerra.

A pressão sobre Trump aumenta, vindo não apenas do público, mas também de seus colegas de partido, que temem que os efeitos da escalada do conflito possam provocar uma reação negativa nas urnas, comprometendo as chances republicanas nas eleições de meio de mandato em novembro próximo.

Nos bastidores, o governo analisa dados de mercado, considerando a possibilidade de que o preço médio nacional se aproxime de US$ 5 por galão. Até o momento, sete estados já superaram esse patamar, conforme dados da AAA (Associação Automobilística Americana).

Um assessor político destacou a atual vulnerabilidade do governo diante do custo da gasolina, que atualmente é considerado mais problemático do que as condições econômicas em geral. A situação é ainda mais complexa, pois os preços da gasolina se tornaram o ponto fraco do governo, uma vez que foram utilizados como crítica ao ex-presidente Joe Biden.

A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, ressaltou que Trump e sua equipe já previam as interrupções nos mercados globais devido à guerra e estavam elaborando um plano para mitigar esses efeitos. Segundo ela, “a capacidade de abastecer os Estados Unidos e nossos aliados com energia confiável e acessível sempre foi uma prioridade estratégica do presidente Trump”.

- Publicidade-

As preocupações do governo se intensificaram à medida que as exportações de petróleo e combustíveis dos EUA atingiram níveis recordes, impulsionadas pela demanda dos mercados asiático e europeu que buscam garantir o abastecimento em meio à crise. Esta situação tem gerado uma redução nos estoques norte-americanos em um período em que normalmente se esperaria um aumento, o que tem despertado alarmes entre analistas de Wall Street sobre a possível crise de preços de energia durante o verão.

Os preços dos combustíveis têm se elevado desde que o Irã limitou o acesso ao Estreito de Ormuz, uma rota que normalmente transporta cerca de um quinto do petróleo mundial. Essa situação afeta diferentes setores, com empresas que vão de companhias aéreas até redes de fast food como o McDonald’s sentindo os efeitos, especialmente com relatos de que consumidores de menor renda estão reduzindo seus gastos.

Dados do Departamento de Transportes dos EUA mostram que os gastos com combustível das companhias aéreas aumentaram em março comparado a fevereiro, pressionando um setor que já operava com margens de lucro bastante estreitas.

- Publicidade-

Trump, por sua vez, tem minimizado as preocupações relacionadas aos preços, afirmando que esses aumentos são um “pequeno preço a pagar” pelos esforços de combate ao regime iraniano e pela prevenção da obtenção de armas nucleares pelo país. Interpelado sobre se a situação financeira dos americanos estava influenciando seus acordos, Trump respondeu de forma negativa, enfatizando que seu foco principal é impedir que o Irã se torne uma potência nuclear.

Em suma, o governo dos EUA enfrenta um desafio significativo em administrar a crescente insatisfação popular devido à alta dos preços dos combustíveis, ao mesmo tempo em que tenta gerenciar a complexa situação geopolítica que envolve o Irã e suas repercussões no mercado energético global.

Fonte: cnnbrasil.com.br

Compartilhe esta notícia