Guia inédito lançado em Curitiba mapeia símbolos de ódio para forças de segurança

Marcelo Borges
6 min. de leitura
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O Museu do Holocausto de Curitiba, em parceria com o Observatório da Extrema Direita (OED), realizou o lançamento oficial do guia intitulado “Símbolos do Ódio”. A publicação tem como principal finalidade fornecer uma ferramenta técnica e educacional para orientar a compreensão de fenômenos sociais e políticos contemporâneos associados diretamente aos discursos de intolerância e extremismo.

Com aproximadamente 100 páginas, o material didático reúne um acervo detalhado composto por imagens e textos explicativos que catalogam mais de 90 emblemas associados ao nazismo, ao neonazismo e a ideologias supremacistas. A circulação desses símbolos no debate político digital e nas redes sociais tem preocupado especialistas e autoridades públicas nos últimos anos.

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Um levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em agosto de 2025 trouxe dados alarmantes ao apontar cerca de 35 mil usuários brasileiros compartilhando conteúdos com viés neonazista em canais abertos na plataforma de mensagens Telegram. O coordenador-general do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, ressalta que a circulação desses ícones exige preparo e conhecimento técnico por parte dos órgãos competentes.

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Crescimento de grupos extremistas no país

Pesquisadores dedicados ao tema documentam de forma contínua o avanço de correntes extremistas em território nacional por meio de diagnósticos específicos. Conforme registros do Museu do Holocausto de Curitiba, a antropóloga Adriana Dias, reconhecida nacionalmente como uma das maiores referências no estudo do neonazismo, identificou um salto expressivo de 270,6% no número de grupos extremistas no Brasil no intervalo entre janeiro de 2019 e maio de 2021. O mapeamento contabilizou ao menos 530 núcleos ativos e aproximadamente 10 mil integrantes envolvidos nessas redes.

Recomendação do Ministério Público Federal e capacitação

A concepção e o desenvolvimento do guia nasceram como desdobramento de um programa de capacitação estruturado pelo museu a pedido formal do Ministério Público Federal (MPF). A demanda institucional surgiu após um episódio registrado durante o desfile cívico-militar de 7 de setembro de 2023, em Curitiba, quando um veículo oficial exibiu uma cruz de barras durante a marcha.

Diante da ocorrência, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) emitiu recomendações direcionadas ao Exército Brasileiro, à Polícia Militar do Paraná e à Guarda Municipal de Curitiba com o intuito de coibir quaisquer ações, atos ou omissões que possam configurar exaltação ao nazismo.

O programa de capacitação inicial reuniu cerca de 50 representantes de diferentes corporações, incluindo a Polícia Civil, a Polícia Penal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar, a Guarda Municipal e o Exército Brasileiro. A programação incluiu visitas mediadas à exposição permanente do Museu do Holocausto e treinamentos presenciais conduzidos por especialistas. A meta das instituições envolvidas é expandir progressivamente o modelo de treinamento para as forças de segurança em todo o território nacional.

O professor Odilon Caldeira Neto, docente da Universidade Federal de Juiz de Fora e coordenador do Observatório da Extrema Direita, destaca a relevância de levar esse conhecimento estratégico para os profissionais da segurança pública.

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Historicamente, o regime nazista foi responsável pela perseguição sistemática e pelo extermínio em massa de milhões de pessoas durante o período em que esteve no poder na Europa. Documentos oficiais e registros do Museu do Holocausto detalham que as vítimas incluíam judeus, pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIA+, negros, populações ciganas, comunistas, anarquistas, maçons, poloneses, eslavos, opositores políticos, cidadãos chineses, artistas, intelectuais e prisioneiros de guerra.

Regras rígidas para acesso ao documento oficial

O conteúdo técnico do guia foi elaborado em uma iniciativa conjunta entre a equipe do museu e o OED, grupo de pesquisa vinculado ao Laboratório de História Política e Social (LAHPS) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A coordenação do observatório é exercida em parceria pelos professores Odilon Caldeira Neto (UFJF) e David Magalhães, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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O material bibliográfico e documental destina-se prioritariamente ao uso institucional pelas forças de segurança pública, sendo aplicado em atividades voltadas à prevenção, investigação e combate aos discursos de ódio. Pesquisadores e o público em geral também podem solicitar a liberação do arquivo, mas o processo exige o preenchimento obrigatório de um formulário digital disponível neste link, onde é exigida a declaração de vínculo institucional e a concordância com os termos de uso.

A adoção desse rigoroso critério de restrição tem o objetivo de evitar a distribuição indiscriminada do conteúdo sensível nas redes abertas. A análise do pedido e o posterior envio do arquivo em formato digital ocorrem diretamente por meio de contato via e-mail.

Fonte:: cbncuritiba.com.br

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