Na quinta-feira (28), o diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Renê Garcia Júnior, participou do painel “Novos Funcines”, realizado no espaço MinC Conecta durante o evento Rio2C, que ocorreu no Rio de Janeiro. Este debate reuniu profissionais do setor público, representantes do mercado financeiro e integrantes da indústria audiovisual para revisar e discutir as novas diretrizes dos Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional.
A apresentação do BRDE destacou a experiência do banco como agente financeiro do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), um importante mecanismo federal de financiamento voltado para a cadeia audiovisual. Desde 2012, a agência do BRDE no Paraná desempenha um papel crucial na implementação técnica e financeira das políticas estabelecidas pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e pelo Comitê Gestor do FSA.
Durante o painel, Renê enfatizou que os novos Funcines têm o potencial de fortalecer a ligação entre a produção audiovisual brasileira e o mercado de capitais, funcionando como um complemento eficaz aos mecanismos de incentivo público já existentes. A atualização das regras dos Funcines, que foi divulgada pela Ancine em maio por meio da Instrução Normativa nº 176, inclui várias medidas para mitigar a insegurança jurídica, simplificar procedimentos e aumentar a atratividade para potenciais investidores.
Renê expressou que a revitalização dos Funcines deve ser celebrada por sua capacidade de expandir o debate no setor, atrair novos participantes e aumentar a visibilidade das oportunidades de financiamento voltadas para o audiovisual. “Devemos valorizar a ampliação deste debate, envolvendo novos atores e promovendo os Funcines e suas inúmeras possibilidades. É um produto extremamente competitivo. No BRDE, somos parceiros e estamos entusiasmados com o audiovisual brasileiro”, afirmou.
Vinicius Clay, ex-diretor da Ancine, também ressaltou a importância do BRDE no contexto de financiamento do setor audiovisual. “O banco se estabeleceu como um dos principais pilares financeiros do audiovisual brasileiro, contando com uma equipe altamente capacitada para operar os instrumentos direcionados à cadeia produtiva”, destacou.
Nos últimos anos, entre 2023 e 2025, o BRDE contratou um total de R$ 2,12 bilhões e liberou R$ 2,11 bilhões de recursos provenientes do FSA. Em 2025, os números foram expressivos, com R$ 900,4 milhões contratados e R$ 886,7 milhões liberados. Dados preliminares de janeiro a abril de 2026 apontam para R$ 323,2 milhões em contratações, R$ 233,1 milhões em liberações e 156 contratos firmados.
Até o final de 2025, o banco formalizou 5.719 contratos utilizando os recursos do FSA. Este acompanhamento é feito de forma individual por contrato, uma vez que uma mesma produção pode ter múltiplas operações vinculadas a diferentes chamamentos públicos.
No processo de operação do FSA, o BRDE participa ativamente em diversas etapas, incluindo a divulgação de chamadas públicas, recepção de inscrições, contratação, desembolso, acompanhamento dos projetos e avaliação das prestações de contas em operações de crédito.
É importante ressaltar que, ao contrário do FSA, que é um fundo público setorial baseado em recursos públicos e receitas específicas da indústria, os Funcines são formados por capital privado incentivado. Tanto pessoas físicas quanto jurídicas têm a possibilidade de investir em cotas, beneficiando-se de incentivos fiscais dentro dos limites legais e podendo obter retorno financeiro conforme o desempenho dos projetos ou da carteira apoiada.
O BRDE avaliou que FSA e Funcines não competem diretamente. Enquanto o FSA desempenha um papel estruturante na política pública com instrumentos de incentivo, investimentos retornáveis e crédito, os Funcines possuem a capacidade de aumentar a participação do capital privado no financiamento da indústria audiovisual, apresentando uma gestão profissional e lógica de diversificação de riscos.
A nova regulamentação dos Funcines expande as opções de utilização dos recursos, permitindo o financiamento de projetos relacionados à distribuição, comercialização, infraestrutura, inovação tecnológica e desenvolvimento de jogos eletrônicos brasileiros de produção independente. Para o setor audiovisual, espera-se que este novo instrumento desempenhe um papel significativo na atração de capital privado, impulsionando tanto a produção independente quanto o progresso do audiovisual brasileiro.
O painel foi moderado por Walkiria Barbosa, presidente da Federação da Indústria e Comércio Audiovisual (FICA). Participaram também Vinicius Clay, ex-diretor da Ancine; Pedro Souza, presidente do Conselho de Financiamento da Indústria da FICA; e Leonardo Monteiro de Barros, sócio da Conspiração Filmes. A agenda do BRDE no Rio2C contou com a presença de Fernanda Bonato e Nicolas Suhadolnik, respectivamente gerente e analista de operações com o FSA no banco.
Realizado na Cidade das Artes, o Rio2C se posiciona como um dos eventos mais relevantes da indústria criativa na América Latina, reunindo discussões sobre audiovisual, música, tecnologia, inovação, games, comunicação e economia criativa. Em 2026, o Ministério da Cultura introduziu o espaço MinC Conecta, focado em painéis e debates sobre políticas públicas, financiamento, cultura digital e os novos desafios do setor cultural brasileiro.
Fonte:: parana.pr.gov.br


