Um lago, construído em 2016 no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), completa dez anos de atuação na contenção das águas pluviais da região da bacia do Rio Barigui. Localizado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), esse reservatório tem desempenhado um papel crucial na prevenção de alagamentos na comunidade local.
Neste período chuvoso, o lago de retenção se estabelece como um importante aliado nas políticas públicas voltadas para a minimização dos impactos ambientais. Situado próximo às margens de um dos rios mais relevantes da capital paranaense, o Barigui, e integrado ao campus CIC do Tecpar, o lago se destaca no controle do volume de águas pluviais e na drenagem da região.
De acordo com Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, a implementação desse reservatório vai além de uma simples medida de infraestrutura. Ele representa um compromisso com o desenvolvimento sustentável e a melhoria na qualidade de vida da população do entorno. Marafon ressalta: “Obras como essa também são uma forma de devolutiva ambiental para a população, gerando benefícios diretos para quem vive e circula na região. É uma iniciativa que une responsabilidade ambiental, planejamento urbano e cuidado com as pessoas”.
Soluções Baseadas na Natureza
A revitalização do lago do Tecpar é um exemplo de Solução Baseada na Natureza (SBN), que visa proteger e restaurar ecossistemas para enfrentar desafios sociais, como as intensas chuvas provocadas pelas mudanças climáticas. Essa abordagem contribui para a conservação da biodiversidade, oferecendo benefícios ecológicos, econômicos e de bem-estar humano de maneira simultânea.
Dentro desse conceito, surgem as Cidades-Esponja, idealizadas pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, que se baseiam em um modelo de urbanismo sustentável. Esse modelo utiliza a natureza para recuperar, absorver, reter e integrar a água da chuva ao espaço urbano de forma controlada.
Antes mesmo de essa abordagem se popularizar, o lago do Tecpar já cumpria esse papel desde sua construção. Ele funciona como um reservatório de detenção, absorvendo variações de volume e liberando água de modo gradual e seguro, o que ajuda a reduzir sobrecargas e a regular o escoamento.
A bióloga Leila Teresinha Maranho, doutora em Engenharia Florestal e integrante da Divisão de Planejamento e Controle Estratégico do instituto, destaca que a criação do lago trouxe benefícios significativos para a biodiversidade e o equilíbrio do sistema do Rio Barigui. “A construção do lago trouxe reflexos positivos nas margens do rio, como a diminuição dos picos de vazão provocados pelas chuvas e a redução de processos erosivos que afetam a mata ciliar. Esses resultados favorecem os processos ecológicos no entorno”, explica Leila.
História e Revitalização
O lago no campus CIC do Tecpar existe desde a década de 1980, quando o instituto foi instalado na Cidade Industrial de Curitiba. Porém, em 2016, passou por um processo de revitalização voltado a mitigar os danos ambientais causados pelo antigo reservatório, que incluía problemas como o assoreamento e a presença de esgoto, tornando o ambiente inadequado para a fauna e flora locais.
A revitalização incluiu a canalização do esgoto e a preparação do espaço para represar a água, resultando na criação do novo lago, que ganhou o nome de “Espaço Futuro”. A obra ampliou a capacidade de armazenamento, melhorou a qualidade da água e proporcionou um entorno agradável, dotado de uma pista de caminhada, paisagismo e 50 mudas de árvores nativas, como Ipê-amarelo, Ipê-roxo, Araçá, Guabiroba e Jabuticaba.
Após dez anos, o lago abriga uma diversa variedade de fauna e flora, incluindo peixes, anfíbios, insetos, répteis e aves, como garças, socós, marrecas e biguás.
Bacia do Barigui
O Rio Barigui é um dos principais cursos d’água da Região Metropolitana de Curitiba, com aproximadamente 67 quilômetros de extensão. Sua nascente localiza-se na serra da Betera, em Almirante Tamandaré, e o rio perpassa 18 bairros da capital, no sentido norte-sul, até se encontrar com o Rio Iguaçu, no bairro Caximba. O nome Barigui, de origem indígena, significa “rio do fruto espinhoso”, em referência às pinhas das araucárias.
Fonte:: seti.pr.gov.br


