A quinta-feira (1º) foi marcada por intensa movimentação na corrida eleitoral, com candidatos à presidência da República utilizando transmissões ao vivo na internet, participando de entrevistas em podcasts e realizando atos de campanha pelas ruas do país. O dia também foi impactado por alterações de última hora nas agendas, sobretudo devido a decisões judiciais e ao cancelamento de debates televisivos que estavam programados por grandes emissoras.
Entre os presidenciáveis, diferentes estratégias foram adotadas. Enquanto alguns optaram por interagir diretamente com o eleitorado por meio de plataformas digitais e reuniões institucionais, outros viram suas participações em debates programados serem suspensas. A cobertura oficial da agenda dos postulantes ao Palácio do Planalto segue uma dinâmica de rodízio diário organizada em ordem alfabética.
Movimentações e cancelamento de debates
O ponto alto de tensão no cenário político do dia envolveu o debate que seria promovido pela Rede Globo. Nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) tinham presenças previstas no evento. No caso de Renan Santos, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a inclusão do candidato no programa no início da noite. No entanto, diante das reviravoltas jurídicas e do cenário imposto, a emissora de televisão optou pelo cancelamento geral do debate presidencial.
O episódio gerou reações imediatas entre os concorrentes. Flávio Bolsonaro (PL), que já havia sinalizado desistência de comparecer ao evento da emissora, realizou uma transmissão ao vivo em seu perfil oficial no Instagram. Durante a live, o candidato criticou duramente a atuação da Justiça Eleitoral em relação aos desdobramentos do debate que ocorreria nesta quinta-feira.
“É um fato marcante negativo. Foi cancelado um debate presidencial por censura. Isso deixou de ser Justiça e passou a ser perseguição”, declarou Flávio Bolsonaro durante sua manifestação na rede social.
Entrevistas, propostas e agendas pelo país
Enquanto parte dos candidatos lidava com os impasses televisivos, outros investiram em formatos alternativos de comunicação com o eleitorado. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma entrevista transmitida ao vivo pelo canal do YouTube Flow Podcast, realizada nas dependências do Palácio da Alvorada. Durante a conversa, o candidato abordou temas econômicos, educacionais e institucionais.
Ao falar sobre os potenciais recursos oriundos da exploração petrolífera na Margem Equatorial — caso seja confirmada a existência de grandes reservas na região —, o petista defendeu o direcionamento das verbas para o setor educacional do país.
“Esse dinheiro eu quero usar para formar essa molecada. Esse país vai ter que dar um banho em chinês e americano. Cansei de ser um país em desenvolvimento. Queremos ser um país desenvolvido”, afirmou o candidato durante a entrevista no podcast.
Além da pauta econômica e educacional, Lula voltou a defender mudanças estruturais no Poder Judiciário, especificamente no modelo de indicação e permanência dos ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal (STF). Para o candidato, o formato atual precisa ser revisto por meio de uma reforma institucional.
“Tem que ter mandato [no STF]. Quero criar um conselho para escolher o ministro, não pode ser o presidente [da República]. É melhor criar um conselho da sociedade civil para indicar uma pessoa e essa pessoa passa a ser da responsabilidade da própria sociedade, e não do presidente da República”, pontuou.
Atividades presenciais e compromissos institucionais
Outros postulantes ao cargo máximo do Executivo federal concentraram seus esforços em agendas presenciais e encontros com observadores internacionais. Hertz Dias (PSTU) cumpriu agenda intensa que incluiu uma reunião com o professor e youtuber conhecido como Chavoso, vinculado à Universidade de São Paulo (USP). Em seguida, o candidato realizou ações de panfletagem no centro comercial de Guarulhos e visitou as instalações da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), situada na região metropolitana paulista.
O candidato Wilson Grassi manteve foco em pautas de transparência eleitoral ao participar de uma reunião oficial com representantes da Missão de Observação Eleitoral (MOE), enviada ao Brasil pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Na mesma linha institucional, a candidata Clariana Barão (DC) dedicou parte do seu dia a compromissos no ambiente virtual, participando de uma agenda online com o mesmo organismo internacional de monitoramento democrático.
Por outro lado, alguns concorrentes não registraram atividades públicas de campanha ao longo desta quinta-feira. Foi o caso de Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Edmilson Costa (PCB), cujas assessorias não informaram agendas externas ou compromissos abertos à imprensa para a data.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


