O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou nesta sexta-feira, 2, que o governo de Seul adotará medidas adicionais caso a Ucrânia se recuse a emitir um pedido público de desculpas. O atrito diplomático foi motivado pelo que o mandatário classificou como uma divulgação unilateral e indevida sobre o envio de prisioneiros de guerra norte-coreanos para a Coreia do Sul. Até o momento, o líder asiático não detalhou quais seriam as ações concretas tomadas pelo seu gabinete.
O caso ganhou repercussão internacional na semana passada, quando o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelensky, discursou durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o líder ucraniano revelou publicamente que Kiev havia transferido dois soldados norte-coreanos para Seul, pontuando que a captura de ambos com vida não foi uma tarefa simples.
Pouco tempo depois da declaração de Zelensky na tribuna internacional, a administração sul-coreana manifestou total desagravo. Representantes do governo de Seul enfatizaram que a confidencialidade e o sig absoluto sobre a operação eram fundamentais para resguardar a integridade física e proteger os familiares desses prisioneiros contra eventuais represálias por parte do regime da Coreia do Norte. Diante da exposição, autoridades sul-coreanas exigiram uma retratação formal por parte de Kiev.
A tensão escalou nos dias seguintes, levando o presidente Lee Jae-myung a endurecer o tom das cobranças por meio de manifestações públicas. “Se a Ucrânia continuar se recusando a reconhecer os fatos e a pedir desculpas publicamente, tomaremos medidas adicionais”, declarou o chefe de Estado, acusando o governo ucraniano de tentar desqualificá-lo e de tratá-lo publicamente como um mentiroso.
<북한포로 송환 관련, 우크라이나측이 비공개 요구를 해 비공개를 합의했는데 일방적으로 공개했고, 대한민국 대통령이 최대한 예의를 갖춰 아쉽다고 했더니 합의사실 없다고 상대국 국가원수를 거짓말쟁이로 만들고, 합의사실을 인정하고 사과하라고 했더니 도리어 남북간 군사충돌 임박 운운하며…
— 이재명 (@Jaemyung_Lee) October 2, 2026
O mal-estar continuou a repercutir intensamente nas plataformas digitais e na imprensa internacional. “Trata-se de uma questão que diz respeito à dignidade da República da Coreia e de seu povo, e não pode ser ignorada”, escreveu Lee em sua conta oficial na rede social X. A postagem funcionou como uma resposta direta a uma entrevista concedida pelo chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, veiculada pela agência RBC-Ucrânia e por outros veículos de imprensa do país europeu.
Na entrevista publicada na quinta-feira, 1º, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia tentou minimizar o impacto do atrito institucional entre os dois países aliados. Sybiha declarou que preferia não classificar o episódio como um “incidente”, preferindo tratá-lo apenas como um “mal-entendido diplomático” decorrente dos desdobramentos do conflito e das operações de inteligência em curso.
Fonte:: estadao.com.br


