Mcom destaca protagonismo da radiodifusão no Set Expo 2026

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Fernanda Angelo Mande um e-mail

A evolução tecnológica da radiodifusão brasileira, impulsionada pela implementação da TV 3.0 e pela convergência entre televisão, rádio, internet e inteligência artificial, esteve no centro dos debates durante a abertura do Set Expo 2026. Realizado nesta terça-feira, 18 de agosto, o evento reuniu autoridades e principais representantes do setor para discutir os rumos da comunicação no país, apontando a modernização como pilar fundamental para garantir o acesso universal, gratuito e seguro à informação.

Durante os painéis iniciais, especialistas e gestores públicos enfatizaram que a transformação digital dos meios tradicionais precisa caminhar lado a lado com a soberania nacional e a inclusão digital. A proposta é assegurar que a população continue tendo acesso a conteúdos jornalísticos e culturais de alta qualidade, sem barreiras financeiras ou geográficas, mesmo diante da forte concorrência exercida pelas novas plataformas digitais globais.

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O futuro da TV aberta e a consolidação da TV 3.0

O presidente da Set, Paulo Henrique Castro, abriu as discussões pontuando que a transição para a nova geração da televisão já faz parte do planejamento estratégico imediato da indústria. Segundo ele, o modelo da TV 3.0 foi concebido para incorporar inovações sem abandonar as características históricas que transformaram a televisão aberta em um verdadeiro patrimônio cultural do Brasil.

“A TV 3.0 preserva aquilo que sempre fez da televisão aberta um patrimônio nacional: a gratuidade, a universalidade e a disponibilidade para todos”, declarou Castro. O dirigente também chamou a atenção para o reconhecimento internacional que o projeto brasileiro tem conquistado. Historicamente visto como um mercado consumidor de tecnologias estrangeiras, o Brasil passou a exportar modelos de negócios, diretrizes regulatórias e soluções técnicas próprias, resultado de um esforço conjunto entre o governo, o setor privado, a comunidade acadêmica e entidades técnicas.

Regulação e autonomia tecnológica

No âmbito regulatório, o conselheiro diretor da Anatel, Octavio Pieranti, que representou o presidente da agência reguladora, Carlos Manuel Baigorri, reiterou o compromisso institucional com a perenidade e o fortalecimento do rádio e da televisão no território nacional. Para a Anatel, o momento de transição exige atenção redobrada às questões de autonomia tecnológica e à capacidade do país de produzir, regular e distribuir seus próprios conteúdos de forma soberana.

A mesma perspectiva foi adotada pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. Em seu pronunciamento, o ministro avaliou que a televisão e o rádio ultrapassaram as barreiras dos dispositivos físicos tradicionais, integrando-se a um ecossistema digital mais amplo. “A TV deixou de estar restrita às telas, o rádio deixou de estar restrito aos aparelhos. Mas uma coisa permanece: a necessidade de manutenção da informação de qualidade e confiável”, pontuou.

Siqueira Filho classificou a modernização do setor como uma política pública essencial, destacando que a nova infraestrutura de comunicação e cidadania digital deve combinar interatividade avançada e gratuidade. Diante disso, o ministro questionou a postura que os veículos tradicionais devem adotar frente ao avanço das grandes empresas de tecnologia: “Vamos deixar que as plataformas digitais surfem essa onda ou os representantes da radiodifusão vão assumir o papel de protagonista?”.

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Credibilidade e combate à desinformação

A relevância dos meios tradicionais também foi defendida pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Para o parlamentar, previsões que apontavam o desaparecimento do rádio e da televisão se mostraram infundadas, especialmente em um contexto marcado pela proliferação de conteúdos sintéticos gerados por inteligência artificial.

“Hoje, todos nós olhamos para um conteúdo de IA e já temos dificuldade de reconhecer que aquilo não é real. O rádio e a TV são a verdadeira comunicação de massa do Brasil e precisam continuar seu trabalho”, argumentou o deputado, reforçando que a credibilidade editorial continuará sendo o principal diferencial desses veículos na nova fase tecnológica.

Para viabilizar essa integração sem perder a essência democrática, o diretor-presidente da Ancine, Alex Braga Muniz, defendeu maior cooperação e articulação institucional. Segundo ele, é preciso superar barreiras corporativas e isolamentos setoriais para destravar a gestão pública e transformar os desafios regulatórios em oportunidades concretas de desenvolvimento socioeconômico para o país.

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Fonte:: convergenciadigital.com.br

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