Mercado automotivo da China sofre retração em julho com baixa demanda

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Carros estacionados em porto de Nanjing, na Chi...

O mercado automotivo da China permaneceu sob forte pressão ao longo do mês de julho, refletindo uma demanda doméstica em claro ritmo de desaceleração. O cenário desafiador foi agravado pela contínua alta nos preços do petróleo e por um ambiente macroeconômico global e local considerado fraco por especialistas do setor.

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira (11) pela CPCA, associação que representa o setor de veículos de passageiros no país, as vendas no varejo de carros registraram uma queda expressiva de 20,9% em julho na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1,46 milhão de unidades comercializadas.

Quando o resultado é comparado ao mês imediatamente anterior, junho, o recuo verificado foi de 8,8%. Com esses números, o início do segundo semestre não apresentou os sinais de recuperação que o mercado aguardava após enfrentar meses consecutivos de retração nos volumes de emplacamentos e comercializações nas concessionárias de todo o território chinês.

Conforme avaliado pela CPCA, a conjuntura piorou devido a múltiplos fatores combinados, incluindo o encarecimento do petróleo, fatores sazonais desfavoráveis para o comércio e o esgotamento gerado pela antecipação de compras por parte dos consumidores, que aproveitaram campanhas promocionais agressivas promovidas pelas montadoras ao longo do mês de junho.

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Impacto dos combustíveis e avanço dos veículos eletrificados

A associação destacou que eventos geopolíticos recentes, como o fechamento do Estreito de Ormuz, pressionaram as cotações internacionais do petróleo. Como reflexo direto, os preços da gasolina no mercado doméstico chinês aumentaram consideravelmente ao longo deste ano, elevando de forma significativa os custos operacionais e de manutenção para proprietários de veículos movidos a combustão interna.

Esse encarecimento da manutenção de carros tradicionais acabou por deprimir ainda mais a procura por automóveis a gasolina e diesel, impulsionando simultaneamente a migração dos consumidores para opções mais econômicas a longo prazo, como os veículos elétricos e híbridos.

Os chamados NEVs (Veículos de Nova Energia, na sigla em inglês) mantiveram a tendência de ganho de espaço no mercado chinês, alcançando a marca expressiva de 65,1% de participação nas vendas totais registradas durante o mês de julho. Apesar da forte relevância no mercado interno, a categoria também sentiu o peso do ambiente macroeconômico desfavorável: as vendas no varejo de NEVs apresentaram uma baixa de 3,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, fixando-se em 951 mil unidades.

O papel estratégico das exportações

Diante da retração observada no consumo interno, as montadoras encontraram nas exportações uma alternativa crucial para escoar a produção e mitigar os impactos da baixa demanda doméstica. Os envios para o mercado internacional ajudaram a sustentar a atividade industrial do setor automotivo no país asiático.

Segundo os registros da CPCA, as exportações de NEVs mais do que duplicaram novamente no mês de julho. No total geral, considerando todas as motorizações comercializadas para o exterior, as exportações de veículos somaram 918 mil unidades no período.

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No que tange ao desempenho de fabricantes específicas instaladas no país, a empresa norte-americana Tesla desempenhou um papel de destaque: a companhia exportou 66.330 unidades fabricadas em sua planta industrial situada em Xangai, além de comercializar 93.579 unidades diretamente no mercado interno chinês ao longo de julho.

Para o mês de agosto, as projeções divulgadas pela CPCA indicam que o mercado automotivo nacional deverá permanecer em um estágio de estabilização. Uma retomada mais robusta no ritmo de vendas ainda esbarra em obstáculos persistentes, como a desfavorabilidade sazonal, os patamares elevados dos preços dos combustíveis e a cautela contínua por parte dos consumidores locais.

Fonte:: cnnbrasil.com.br

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