Ministério público denuncia dupla por adulteração de bebida que causou cegueira em são paulo

Marcelo Borges
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Foto: © Agência SP/Divulgação

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) formalizou uma denúncia contra dois homens envolvidos na falsificação de bebidas alcoólicas, crime que resultou na perda total da visão de uma mulher no município de Guarulhos, localizado na Região Metropolitana de São Paulo. O caso, que gerou grande comoção, ocorreu em setembro de 2025 e passou a ser rigorosamente investigado pelas autoridades competentes do estado.

A acusação foi apresentada formalmente pela 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos. De acordo com as investigações conduzidas pelo órgão ministerial, a dinâmica do esquema criminoso envolvia a aquisição e a comercialização de produtos clandestinos que não passavam por nenhum tipo de controle sanitário ou fiscal, colocando em risco iminente a vida e a integridade física dos consumidores que frequentavam o estabelecimento comercial envolvido no caso.

Conforme os detalhes apurados pelo MPSP, o primeiro denunciado atuava como proprietário e principal responsável por um estabelecimento comercial situado na tradicional Avenida Guarulhos. A investigação apontou que ele comprava bebidas de procedência duvidosa de diversos fornecedores, deliberadamente deixando de exigir qualquer tipo de documentação fiscal que pudesse comprovar a origem legal dos produtos. Para maximizar seus lucros, o comerciante priorizava sistematicamente aqueles fornecedores que ofereciam os menores preços no mercado, ignorando os riscos evidentes à saúde pública.

O segundo indivíduo apontado na denúncia era o responsável por abastecer o estabelecimento com as mercadorias irregulares, também sem emitir ou apresentar qualquer documentação fiscal. Segundo o relato das autoridades, este homem adquiria garrafas de vodca de vendedores desconhecidos e não cadastrados, cujas transações ocorriam nas imediações do Mercado Municipal de São Paulo, na região central da capital paulista. Posteriormente, ele repassava essas mercadorias para pontos comerciais, simulando tratarem-se de produtos originais de uma marca amplamente conhecida no mercado, mas sem qualquer garantia de autenticidade ou segurança.

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A tragédia que revelou o esquema ocorreu no dia 27 de setembro de 2025. Naquela data, uma cliente consumiu uma bebida alcoólica adquirida no estabelecimento comercial em questão e, pouco tempo depois, passou a apresentar sintomas severos de intoxicação aguda. A vítima sofreu um quadro gravíssimo de envenenamento por metanol — um álcool altamente tóxico e impróprio para o consumo humano —, o que exigiu sua internação hospitalar de urgência. Apesar dos esforços médicos, a intoxicação severa resultou em sequelas irreversíveis, provocando a perda completa e permanente da visão em ambos os olhos.

O avanço das investigações permitiu que, semanas após o incidente, as autoridades realizassem novas diligências no local. “Posteriormente, em 15 de outubro de 2025, foram apreendidas no estabelecimento diversas garrafas de vodca, parte delas sem comprovação de origem e procedência. A perícia constatou que oito amostras continham metanol em concentrações entre 34,6% e 40,9%, concluindo tratar-se de bebidas adulteradas, impróprias ao consumo e gravemente nocivas à saúde”, informou o MPSP por meio de nota oficial divulgada à imprensa.

Diante da gravidade dos fatos e das provas técnicas reunidas ao longo do inquérito policial, os dois homens foram formalmente denunciados pelo Ministério Público. Com o prosseguimento da ação penal, eles responderão perante a Justiça pelos crimes de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado ao consumo, além do crime de lesão corporal de natureza grave decorrente da atividade ilícita.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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