Moradores do Congo invadem hospital para retirar corpo de líder religioso morto por ebola

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Na noite de domingo, 24, moradores da província de Ituri, na República Democrática do Congo, onde se concentra o foco do surto de Ebola, invadiram um hospital para reivindicar o corpo de um líder religioso que faleceu em decorrência do vírus. Este incidente ocorreu em meio a preocupações crescentes sobre a disseminação da doença.

O atual surto da febre hemorrágica viral foi identificado pela primeira vez em Mongbwalu, uma cidade localizada em Ituri, no nordeste do país, que abriga aproximadamente 130 mil habitantes, no dia 15 de maio. Desde então, mais de 200 mortes suspeitas vinculadas ao Ebola foram registradas na região.

Em declarações feitas na segunda-feira, 25, um funcionário da instituição de saúde invadida relatou que o hospital passou por quatro ataques na noite anterior. “Um grupo de jovens estava determinado a recuperar o corpo de um pastor católico que havia morrido em decorrência do Ebola”, revelou o funcionário, que pediu para permanecer anônimo em entrevistas à Agence France-Presse (AFP).

A vítima era amplamente reconhecida na comunidade como um proeminente líder religioso local, conforme acrescentou o funcionário. Ele também informou que a intervenção das forças armadas foi necessária para dispersar a multidão agitada, que recebeu disparos de advertência por parte dos militares.

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O Ebola é uma doença viral altamente contagiosa e potencialmente fatal, transmitida por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. Os sintomas podem incluir hemorragias severas e falência múltipla de órgãos.

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos específicos disponíveis para a cepa de Bundibugyo, que é a responsável pelo surto em andamento e que representa o 17º caso registrado no país africano, que tem uma população superior a 100 milhões de habitantes.

As iniciativas para controlar a propagação do vírus têm se concentrado em medidas preventivas rigorosas e no rastreamento ágil de contatos das vítimas. No entanto, o comportamento das comunidades locais representa um desafio significativo para a contenção da doença. “Em áreas rurais do Congo, os familiares frequentemente tentam entrar em contato com os corpos, manipulam os cadáveres e as vestimentas dos mortos enquanto organizam rituais funerários que reúnem uma grande quantidade de pessoas”, explicou Jean Marie Ezadri, um líder da sociedade civil em Ituri, na semana passada.

O hospital de Mongbwalu não é o primeiro da província a ser alvo de agressões em meio à crise de saúde. Na quinta-feira, 21, um grupo de demonstrantes incendiou tendas designadas para isolar pacientes com Ebola em outra instalação de saúde, em Rwampara. Este ato de vandalismo ocorreu após a família de uma pessoa falecida ser impedida de levar o corpo para a sepultura, como forma de evitar o risco de contaminação pela doença.

Fonte: estadao.com.br

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