Saída de delegações da ONU e discurso tenso marcam pronunciamento de Netanyahu

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Adriana Victorino

Representantes de diversos países decidiram abandonar o plenário da Organização das Nações Unidas (ONU) como forma de protesto contra o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. A evasão ocorreu momentos antes de o líder israelense iniciar o seu pronunciamento oficial na Assembleia Geral, com a delegação do Brasil integrando o grupo que se retirou do salão principal, conforme apontado por relatórios da emissora CNN.

Assim que tomou a palavra e percebeu a movimentação de saída, Netanyahu direcionou críticas duras aos presentes que permaneceram ou que estavam deixando o recinto. Em um trecho inicial de sua fala, o premiê declarou: “Antes de começar, só um breve comunicado. Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha saído desta sala, por favor, saia agora. Muito obrigado”.

A tensão no ambiente exigiu a intervenção direta da mesa diretora. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou apelar por ordem no plenário em mais de uma ocasião, tentando conter os protestos verbais e as manifestações de descontentamento que ecoavam entre as cadeiras das delegações internacionais.

O episódio repete um cenário de forte polarização diplomática em relação às políticas adotadas pelo governo israelense, especialmente no que tange aos desdobramentos e à condução das operações militares na Faixa de Gaza. A delegação brasileira também se retirou durante o discurso do primeiro-ministro israelense em 2025 junto a representantes de outras dezenas de países, refletindo o distanciamento de vários governos frente à estratégia militar na região.

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Defesa das ações militares e rejeição a acusações

Durante a sequência de seu pronunciamento, Binyamin Netanyahu rebateu categoricamente as acusações de que Israel estaria promovendo um genocídio na Faixa de Gaza. Segundo o chefe de governo, as manobras executadas pelas Forças de Defesa de Israel tiveram o objetivo oposto, servindo para impedir tragédias ainda maiores, e acusou os críticos de manipularem a narrativa sobre o conflito armado.

O premiê argumentou que o Estado israelense implementou protocolos voltados à retirada de civis palestinos das zonas de confronto mais intensas. Na visão de sua administração, a responsabilidade integral pelo risco à população local recae sobre o Hamas, grupo ao qual atribuiu a utilização de civis como escudos humanos e o uso estratégico de infraestruturas sensíveis.

“Levará tempo para que o mundo reconheça o que é tão evidente. Que o Hamas usou civis palestinos como escudos humanos. Que usou hospitais, escolas e mesquitas como postos de comando terroristas. Que roubou grande parte dos alimentos que deixamos entrar em Gaza”, pontuou o dirigente israelense durante o evento na sede da ONU.

Alianças estratégicas e cooperação com Washington

No campo geopolítico, Netanyahu fez questão de público manifestar gratidão ao governo dos Estados Unidos, citando nominalmente o presidente Donald Trump pelo respaldo incondicional dado a Tel Aviv. “Agradeço a ele por sua liderança ousada”, declarou, enfatizando a relevância da parceria estratégica bilateral no enfrentamento de adversários comuns no Oriente Médio, como o Irã e seus aliados regionais.

O primeiro-ministro detalhou que o país tem lidado simultaneamente com frentes hostis coordenadas por diferentes facções e nações, incluindo o próprio Hamas, o Hezbollah, grupos houthis e o governo iraniano. De acordo com ele, a resposta militar israelense tem sido contundente e o sucesso operacional decorre, em parte, da interoperabilidade e do apoio técnico e diplomático norte-americano.

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A continuidade das operações militares foi reafirmada pelo gabinete de segurança de Israel. Recentemente, na última quarta-feira, 16, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que é apenas uma questão de tempo até que o país retome uma guerra em larga escala em Gaza, o que incluiria a implementação de novas diretrizes para a remoção de habitantes daquela faixa territorial.

Confronto de narrativas e críticas a governos estrangeiros

Além da vertente estritamente militar, Netanyahu dedicou parte significativa de seu tempo de fala para denunciar o que chamou de uma guerra de informações desregulada, voltada para manchar a reputação internacional de Israel na mídia tradicional e nas plataformas digitais.

“Há uma oitava frente nessa guerra. É a guerra pela verdade. Ela é travada na mídia mundial e, de forma mais perniciosa, nas redes sociais. Vários países estrangeiros gastaram bilhões incalculáveis para espalhar mentiras sobre meu país”, sustentou o primeiro-ministro.

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Na sequência das acusações sobre desinformação, o líder israelense apontou o dedo para administrações específicas da região. Ele criticou o Catar por supostamente direcionar recursos financeiros volumosos a instituições de ensino superior nos Estados Unidos e a conglomerados de mídia, citando explicitamente a rede Al Jazeera como vetor de narrativas prejudiciais aos interesses israelenses e ocidentais.

A Turquia e seu principal dirigente também figuraram entre os alvos das declarações contundentes de Netanyahu. O premiê israelense utilizou termos severos para se referir a Recep Tayyip Erdogan, acusando Ancara de dar refúgio a lideranças ligadas ao terrorismo e de promover ações hostis contra o território israelense.

“Erdogan é um tirano. Ele também abriga os chefes terroristas do Hamas. Ele assassinou milhares de civis curdos”, concluiu Netanyahu, intensificando o tom de atrito diplomático que marcou a sessão da assembleia geral da organização internacional.

Fonte:: estadao.com.br

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